domingo, 26 de janeiro de 2025

Jovem do Ensino Médio desenvolve tecnologia que transforma a borra de café em produtos biodegradáveis



 Radiografia da Notícia

* Projeto de iniciação científica de Alex Kim descarta o uso de polímeros de plástico no processo e pode assegurar renda extra para população vulnerável

* Hoje, devidamente adaptado, o jovem de 17 anos se prepara para entrar na universidade

* A solução inovadora já está em processo de registro de patente

Redação/Hourpress

Há 10 anos, quando imigrou com sua família para o Brasil devido a uma oportunidade profissional para seu pai, Seokhun Alex Kim não imaginava os desafios culturais que encontraria no novo país. Hoje, devidamente adaptado, o jovem de 17 anos se prepara para entrar na universidade. Neste meio tempo, graças a atividades extracurriculares de estudo e percepção da nova realidade que o cercava, o sul-coreano desenvolveu uma tecnologia que utiliza exclusivamente materiais vegetais naturais e transforma a borra de café em uma substância totalmente biodegradável, sem necessidade de interferências industriais.

 

Atualmente, os processos para reutilização da borra de café adotam, em sua maioria, o Ácido Polilático (PLA), também conhecido como bioplástico. No entanto, o PLA só se decompõe completamente em condições específicas, como em instalações industriais de compostagem. Em ambientes comuns, não se degrada totalmente, e pode ser tão prejudicial ao meio ambiente quanto os plásticos derivados de petróleo.


Kim, radicado na cidade de São Paulo, realizou uma série de experimentos até alcançar a fórmula que dá um destino diferente aos resíduos do tradicional cafezinho. Com a aplicação da tecnologia, a borra que seria enviada a aterros sanitários ou à queima e se tornaria um grande passivo para o planeta, assume um novo papel ao ser modificada para um substrato 100% biodegradável. A solução inovadora já está em processo de registro de patente e é considerada uma alternativa viável para substituir bioplásticos sintéticos.


Renda

 

“O hábito de tomar café é uma tradição ao redor do mundo e me chamou atenção que das cerca de 10,3 milhões de toneladas produzidas anualmente no planeta apenas 0.2% é consumida e o restante, 99,8%, são descartadas na forma de resíduos e enviados para aterros ou incineradas, liberando gases de efeito estufa e prejudicando o meio ambiente. Foi de onde partiu a ideia de pesquisar e desenvolver uma solução que pudesse trazer benefícios à natureza e ainda ter um papel social gerando renda para as pessoas”, explicou Alex.

 

Além da capacidade de se decompor totalmente em poucas semanas quando descartada no meio ambiente, a técnica criada por Alex para a borra do café pode significar uma opção de renda extra para famílias em condições de vulnerabilidade econômica-social. O que era resíduo, vira matéria-prima para a confecção de novos produtos amigáveis à natureza, como sabão em barra, esfoliante para pele, vasos para plantas, sabonete esfoliante para os pés, entre outros.

 

 

E graças a essa percepção, o jovem fundou a startup Recafenet. A empresa, que funciona por meio do princípio da economia circular, estabelece parcerias em três frentes para a disseminação da tecnologia: com restaurantes e estabelecimentos comerciais para a coleta de resíduos; com cooperativas de artesãos para a produção das mercadorias; e com sites e lojas locais para venda dos produtos.

No Brasil, contratação de seguro residencial requer cuidados

     Pixabay


Radiografia da Notícia

* A destruição patrimonial ocorrida nos Estados Unidos levanta alerta sobre cobertura de seguros

* Embora esse crescimento seja positivo, ainda existem muitas dúvidas sobre quais apólices são mais adequadas para cada situação

* A cobertura contra incêndio é essencial também

Redação/Hourpress

Os recentes incêndios na Califórnia, costa oeste dos Estados Unidos, reacenderam a discussão sobre a importância de proteger residências contra desastres naturais. De acordo com dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), a adesão ao Seguro Residencial aumentou 25% nos últimos quatro anos (de 2017 a 2021). Embora esse crescimento seja positivo, ainda existem muitas dúvidas sobre quais apólices são mais adequadas para cada situação. Especialista da Alper Seguros, uma das maiores corretoras do país, destaca a importância de entender as necessidades específicas de cada residência para contratar melhores coberturas, evitar custos desnecessários e até mesmo ter uma consultoria prévia antes de se adquirir um imóvel que pode estar em área de risco agravado.
 

Antes de adquirir um imóvel, é fundamental investigar o histórico da área onde ele está localizado. "Você precisa saber onde está se colocando. Por exemplo, analisar se o local é passível de inundações. Às vezes, uma simples pesquisa revela que há cinco anos a área foi alagada", destaca Paulo Davidoff, diretor de Seguros Pessoais e Massificados da Alper Seguros. Essa análise não apenas orienta a escolha do imóvel como também ajuda na definição das coberturas do seguro residencial.
 

"Se você contratar todas as coberturas possíveis, o seguro fica muito caro. É essencial contratar aquilo que realmente faz sentido para a sua situação", explica o executivo. Um exemplo prático é a cobertura contra roubo: "É muito raro fazer um seguro para cobrir o roubo de tudo que há dentro da casa. É mais importante pensar nos itens com valor significativo que são fáceis de levar, como eletrodomésticos.


Alerta
 

A cobertura contra incêndio é essencial também, principalmente em regiões com grande histórico de desastres naturais como este. Apesar de não acontecer com tanta frequência no Brasil, como vemos em outros países, é um sinistro que o segurado pode perder todo o imóvel em uma única ocorrência. “Apesar do grande prejuízo, é importante também estar atento na proteção de sinistros mais frequentes, como danos elétricos e roubos menores”, alerta o Davidoff.
 

A cobertura de responsabilidade civil é um exemplo de benefício pouco conhecido, mas altamente relevante. "Ela te protege em situações nas quais você teria que responder civilmente, como danos causados a terceiros pela sua residência. Muitas pessoas não sabem disso, por exemplo: você viaja e, durante sua ausência, ocorre um problema no encanamento, causando um alagamento na casa do vizinho. É um exemplo de situação que o segurado estaria coberto”, explica a corretora.
 

Contratar um seguro residencial não é apenas proteger sua casa, mas também garantir tranquilidade financeira. "É importante analisar sua realidade e personalizar o seguro para que ele atenda a sua necessidade", conclui Paulo Davidoff, diretor de Seguros Pessoais e Massificados da Alper Seguros. Dessa forma é possível proteger o que realmente importa sem comprometer o orçamento.
 

Dicas para contratar um seguro residencial com melhor custo-benefício

  1. Avalie os riscos reais: analise o histórico da área onde você mora ou pretende morar, além das características da casa. Imóveis com 25% a 30% de madeira em sua construção são considerados de alto risco, o que pode aumentar o valor do seguro. O mesmo ocorre em áreas propensas a alagamentos ou furtos.
  2. Invista em prevenção: medidas como instalação de alarmes, sensores de fumaça e câmeras de segurança ajudam na aceitação do risco pela seguradora.
  3. Escolha coberturas prioritárias: priorize coberturas para eventos que possam gerar maiores prejuízos, como incêndios, mas considere também aquelas mais comuns, como danos elétricos e roubos pequenos.
  4. Considere o valor dos bens: faça um inventário do que há em sua casa e contrate a cobertura de roubo para itens mais valiosos e fáceis de transportar.

Para saber mais sobre as diferentes coberturas do seguro residencial, acesse Link.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Trump, o dono do mundo

EBC


Radiografia da Notícia

*A arrogância foi tão grande que Trump disse que não precisa do Brasil e da América Latina

* Para fazer o jogo do ódio já assinou decreto autorizando a deportação de imigrantes ilegais

*De alguém que imagina que a força das armas e chantagem financeira são instrumentos de controle

Luís Alberto Alves/Hourpress

 A posse de Donald Trump, como 47º presidente dos Estados Unidos reforçou o conceito norte-americano de ser a nação dona do mundo. O restante dos países deve se curvar diante dos Estados Unidos e fazer o jogo capitalista da Casa Branca. Do contrário sofrerão sanções econômicas. Afinal é o maior mercado consumidor do mundo.

A arrogância foi tão grande que Trump disse que não precisa do Brasil e da América Latina. São as nações deste continente que dependem do irmão do Norte para continuar sobrevivendo. É discurso típico de ditador. De alguém que imagina que a força das armas e chantagem financeira são instrumentos de controle.

Para fazer o jogo do ódio já assinou decreto autorizando a deportação de imigrantes ilegais. Inclusive adotando a postura de separar pais de filhos rumo ao embarque de volta ao país de onde saíram em busca de vida melhor. Não importa, agora milhões de imigrantes na vala da ilegalidade retornarão como párias ao lugar de onde ousaram sair.

Cofres

Enfim, a política de conversar, de costurar acordos que seja boa para os dois lados, na era Trump ficou na lata do lixo. O negócio é pegar o porrete e bater na cabeça de quem disser não. Autorizou a exploração de petróleo em áreas indígenas e em locais de meio ambiente. O importante é extrair o ouro liquido do solo e encher os cofres das empresas do setor.

A época da caça às bruxas começou, igual no período triste do Macartismo, na década de 1950, onde pessoas que tivessem pensamentos socialistas eram banidas dos Estados Unidos ou impedidas de entrar naquele país. O cineasta Charles Chaplin entrou neste círculo por causa de uma cena do seu filme O grande ditador.

Hoje com Trump no poder, a democracia está sendo banida dos Estados Unidos. A Constituição que nunca sofreu mudança desde 1776 é carta fora do baralho. O que vale é a opinião de um homem que se julga o comandante do mundo. Considera-se um deus, porém com pés de barro. Hitler tinha o sonho de dominar todas as nações e acabou recorrendo ao suicídio quando viu o seu castelo de sonhos desabar. O tempo vai mostrar a Trump que nem tudo que sonhamos vira realidade.

Luís Alberto Alves, jornalista, é editor do blogue Cajuísticas. Autor dos livros "O flagelo do desemprego" (2022), "Por que o meio ambiente é tão importante ao trabalhador" (2023), "Internet: o pesadelo de quem trabalha entregando mercadoria comprada online" (2024)

 

Triste: 33,5% dos médicos brasileiros sofrem de ansiedade; mulheres são maioria

    EBC/Arquivo


Radiografia da Notícia

* Estudo mostra os principais problemas de saúde enfrentados pela classe; Anadem reforça necessidade de medidas e cuidados

* O estudo também revela que esses profissionais são afetados por ansiedade, depressão e burnout

* Segundo o especialista, jornadas de longas horas e as formas de trabalho nem sempre favoráveis contribuem para esse esgotamento mental


Redação/Hourpress

 

No mês em que o tema “saúde mental” ganha ainda mais destaque, é importante lembrar que, muitas vezes, quem cura necessita de cuidados. Pesquisa realizada em 2024 pela Afya, hub de educação em saúde e healthtechs do Brasil, mostra que 40% dos médicos brasileiros apresentam quadro de transtorno mental. O estudo também revela que esses profissionais são afetados por ansiedade, depressão e burnout.

 

“Esses dados são preocupantes e servem de alerta para todos. Afinal, médicos e outros profissionais de saúde lidam cotidianamente com pessoas doentes e em tratamento. Eles também adoecem e precisam ter suas condições de trabalho e saúde avaliadas regularmente”, enfatiza o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Raul Canal.

 

Segundo o especialista, jornadas de longas horas e as formas de trabalho nem sempre favoráveis contribuem para esse esgotamento mental, além do fato de lidar com diferentes problemas no dia a dia. “O paciente e seus familiares depositam a esperança de cura nas mãos dos médicos. Mas, infelizmente, nem sempre há o que se fazer e esse sentimento de ‘incapacidade’ também afeta o emocional do profissional”, afirma.

 

Atenção, mulheres

A pesquisa aponta ainda que duas em cada três pessoas afetadas são mulheres e que elas são maioria entre os médicos com problemas nos três quadros de transtornos mentais. Outro ponto que chama a atenção é que 33,5% dos profissionais responderam que são diagnosticados com ansiedade. A depressão está em segundo lugar, com 22,1%, e o burnout aparece com 6,7% dos casos.

 

Embora a maioria tenha afirmado estar em tratamento, mesmo com o diagnóstico, nem todos estão se cuidando. “Um fator é a falta de tempo, já que os médicos trabalham em média 57,2 horas por semana, cerca de sete horas a mais que a média geral. Com isso, é necessário rever as jornadas de trabalho e implementar políticas públicas que instituam um piso salarial para que os profissionais não precisem fazer longas jornadas em diferentes hospitais, por exemplo”, explica o especialista em Direito Médico, ao afirmar que esses problemas afetam não apenas o lado profissional, mas também o pessoal. “É preciso humanizar a figura do médico e entender que ele também precisa de auxílio.”
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Cada consumidor é único: como se comunicar de forma assertiva?

    Freepik


Radiografia da Notícia

* A má comunicação destes empreendimentos com a população ainda, infelizmente, é muito presente 

* Os consumidores não são iguais e, para torná-los fiéis e satisfeitos com sua marca

* Quando cada empresa fizer sua parte nesse sentido, todo o ecossistema de comunicação será aperfeiçoado

Carlos Feist

Seu celular está tocando, mas a chamada é desconhecida. Você irá atender? Muitos, certamente, irão ignorar a ligação, seja por não identificar quem está chamando, por assumir que é alguma empresa tentando vender algo que não seja de seu interesse, ou demais experiências excessivas e negativas já tidas com outras instituições.

A má comunicação destes empreendimentos com a população ainda, infelizmente, é muito presente no País, o que não apenas prejudica sua reputação no mercado, como também dificulta com que tenha uma alta conversão de vendas e retenção de clientes satisfeitos. Os consumidores não são iguais e, para torná-los fiéis e satisfeitos com sua marca, é preciso, além de ter produtos e serviços de qualidade, saber como se comunicar com cada um deles, de forma personalizada e assertiva.

Segundo uma pesquisa da PwC, 80% das pessoas consideram a velocidade, conveniência e um atendimento prestativo fatores muito importantes para uma boa experiência na comunicação com suas marcas. Porém, na prática, são diversas as empresas que enfrentam obstáculos para atingir este resultado, principalmente, por um motivo bastante frequente: a falta de qualificação de sua base de contatos.

Produtos

Em outro estudo da Opinion Box, como prova disso, 78% das pessoas recebem mensagens de marcas para as quais não recordavam ter enviado o número do WhatsApp. Ter um cadastro desatualizado traz apenas resultados negativos para as empresas, que acabam gastando altas quantias financeiras no envio de mensagens para usuários que podem ter mudado de contato, e que, muitas vezes, não têm interesse em seus produtos ou serviços.

Fora o investimento econômico sem retorno, as organizações ainda correm o risco de serem banidas de certas plataformas de comunicação, se desrespeitarem suas normas e fugirem do compliance necessário ao determinado pelos órgãos reguladores. Sem a devida higienização e qualificação desta base, dificilmente, as empresas terão algum tipo de sucesso na comunicação com seus clientes.

Com essa barreira driblada, entra o segundo desafio: onde e como falar com seu consumidor. Alguns, podem preferir ser abordados pelo WhatsApp. Outros, podem responder melhor por e-mail ou, até mesmo, ligação. Cada um terá seu canal favorito onde se sinta mais confortável para falar com suas marcas, e é dever delas aplicar uma análise de perfil a fim de identificar estes meios de cada um dos seus usuários.

Marca

Cada consumidor é único e, para se comunicar com todos com a mesma qualidade e assertividade, é preciso, além de investir em ferramentas de higienização da lista de contatos, desenvolver uma estratégia multicanal de comunicação com seu cliente, unindo diferentes canais de mensageria de forma que cada pessoa escolha em qual deles prefere se relacionar com sua marca.

O conteúdo da mensagem é outro foco de atenção essencial para este êxito, afinal, de nada adianta contatar a pessoa certa, mas ser excessivo ou incongruente na comunicação. Utilizando as empresas de cobrança como exemplo, ao invés de falar com o consumidor pedindo, constantemente, para que pague uma dívida, opte por destacar os benefícios que ele terá ao arcar com essa conta, tais como ter seu nome limpo, se regularizar, ou poder solicitar um novo cartão. Uma abordagem mais positiva e que, certamente, trará resultados muito melhores.

Por mais que investir nessa estratégia de comunicação exija, inevitavelmente, um certo custo, esta quantia trará benefícios enormes não apenas em termos de lucratividade, mas também em uma maior eficiência operacional, contando com as ferramentas certas para contatar as pessoas ideais; e tornar a relação do consumidor com sua marca muito melhor e marcante.

Quando cada empresa fizer sua parte nesse sentido, todo o ecossistema de comunicação será aperfeiçoado, cumprindo, também uma responsabilidade social de não apenas visar o lucro, mas em atender as demandas e necessidades dos consumidores, criando uma relação mais positiva, personalizada e memorável que atraia e fidelize cada vez mais pessoas.

Carlos Feist é Head de Inovação da Pontaltech.

Justiça condena ex-marido por ofensas online à ex-mulher

    Arquivo


Radiografia da Notícia

* Em 2023, protocolo foi citado em mais de 1.500 decisões judiciais em diferentes áreas do direito, desde disputas familiares até litígios trabalhistas


* Dados do CNJ mostram que, desde a implementação do protocolo em 2021, sua aplicação tem sido ampliada em todo o País


* O caso em questão reflete a tendência crescente de responsabilização judicial por atos de violência digital 


Redação/Hourpress


Um recente julgamento no Brasil trouxe à tona a importância crescente do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, instrumento criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para promover a equidade e combater estereótipos nos processos judiciais. No caso, um homem foi condenado por ofensas à ex-mulher em redes sociais, destacando a responsabilidade de se criar um ambiente digital seguro, especialmente para mulheres.


Dados do CNJ mostram que, desde a implementação do protocolo em 2021, sua aplicação tem sido ampliada em todo o País, cobrindo desde processos cíveis até casos criminais. A Resolução CNJ nº 429/2023 tornou obrigatória a adoção dessas diretrizes, exigindo que magistrados considerem questões de gênero em seus julgamentos. Segundo a advogada Tatiana Naumann, especialista em Direito de Famílias e Sucessões e em casos de violência contra a mulher do Albuquerque Melo Advogados, "esse protocolo é essencial para garantir que o julgamento de casos concretos considere as desigualdades estruturais e os impactos específicos da violência de gênero."


O caso em questão reflete a tendência crescente de responsabilização judicial por atos de violência digital contra mulheres. Estudo da TIC Domicílios (CETIC.br) indica que cerca de 50% das mulheres no Brasil já enfrentaram alguma forma de violência online, que vai desde ataques pessoais até o compartilhamento indevido de imagens. “A Justiça tem um papel central em coibir comportamentos abusivos e reafirmar que as redes sociais não são um espaço sem regras. A aplicação do protocolo nesses julgamentos é um passo crucial para a proteção das mulheres e a promoção de uma sociedade mais justa,” analisa Naumann, que integra as comissões de Direito de Família da OAB/RJ e de Direito das Mulheres do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).


Ferramenta
 

A condenação também ressalta o avanço na capacitação de magistrados em temas como direitos humanos, raça e gênero. Desde 2022, tribunais em todo o país têm promovido treinamentos obrigatórios para garantir que o protocolo seja incorporado de forma ampla. Casos emblemáticos, como o julgamento de feminicídios e ações envolvendo desigualdade no ambiente de trabalho, demonstram a força transformadora dessa iniciativa, que está alinhada à Agenda 2030 da ONU e ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 5).


Além de reforçar a responsabilidade judicial, o Protocolo de Gênero também promove mudanças culturais. Em 2023, foi citado em mais de 1.500 decisões judiciais em diferentes áreas do direito, desde disputas familiares até litígios trabalhistas, segundo levantamento do próprio CNJ. Naumann destaca que “a adoção de perspectivas de gênero nos julgamentos não só beneficia as mulheres diretamente envolvidas, mas também serve como uma ferramenta de conscientização e transformação social, demonstrando que a desigualdade de gênero é uma questão estrutural que exige atenção em todos os níveis.”
 

Com o fortalecimento do uso do protocolo e decisões como essa, o Judiciário brasileiro sinaliza um compromisso com a construção de uma justiça mais inclusiva e equitativa. "Estamos vendo um movimento que não apenas corrige erros históricos, mas também previne novas formas de discriminação e violência. Essa é uma conquista coletiva que precisa ser amplamente reconhecida e celebrada," concluiu a advogada.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Deus cria, a PM de SP mata!

Rovena Rosa (Agência Brasil)


Radiografia da Notícia

*Recentemente um vídeo mostrou um suspeito sendo jogado de uma ponte durante abordagem

*Em 2024, das vítimas executadas pelas policias civil e militar 283 foram identificadas como negras

*Como pardo, sempre tive receio de circular durante a noite

Luís Alberto Alves/Hourpress

O cidadão paulista tem motivos para ficar com medo da #PM. Caso não seja #branco e #rico, a situação piora. Pesquisa revela que neste ano, 441 pessoas foram executadas por agentes das polícias civil e militar do Estado de São Paulo. Em 223, este triste número era de 247, alta de 78% nas execuções. Em 2024, das vítimas executadas pelas policias civil e #militar 283 foram identificadas como #negras (classificação de pardas e pretas segundo o IBGE) e 138 brancas, já outras 20 tiveram raça ou cor ignoradas.

Para se ter ideia do extermínio provocado pela Insegurança Pública do governador #TarcísiodeFreitas (Republicanos), de cada três vítimas das #armas de fogo dos seus policiais, dois eram negros, ou seja 64% do total dos #mortos. Três exemplos revelam motivos para a população, infelizmente ter medo da #PM ou Polícia Civil no Estado de São Paulo: um rapaz foi executado com 11 tiros após furtar pacotes de sabão num mercadinho, uma criança de 4 anos morreu, na Baixada Santista ao ser alvejada em meio a ação policial naquela região.

Violência

Recentemente um vídeo mostrou um suspeito sendo jogado de uma #ponte durante abordagem num bairro da Zona Sul de São Paulo. Estes tristes exemplos revelam motivos para a #população sentir medo ao se deparar com um carro da #polícia, durante o dia ou a noite. Caso seja pardo ou preto é grande o risco de se tornar número na estatística de vítimas de violência de quem deveria proteger e não matar o #cidadão.

Como #pardo, sempre tive receio de circular durante a noite, principalmente quando morava na periferia, exatamente na Zona Norte, região da Freguesia do Ó. Quem me conhece no meio jornalístico sabe que sempre gostei de andar de blazer e gravata. Alguns até hoje não compreendem essa minha postura. Explico: de camiseta os policiais me consideram #suspeito. De blazer e gravata, imaginam que eu seja advogado ou promotor. Infelizmente Deus cria o ser humano, mas #PM de SP #mata, a qualquer hora do dia.

 Essa postura precisa mudar rapidamente. A #população não paga #imposto para morrer nas mãos da #polícia, mas para receber proteção. Não é mais possível a violência se manter como política de estado. Criminoso não tem sexo, cor, idade, religião, condição social. É preciso mudar essa postura assassina de que na periferia só resida #bandidos. Que trabalhador que chega à noite do serviço ou da escola seja bandido. É muito ruim quando o cidadão de bem começa admirar o crime organizado quando deveria repudiar, porém os membros dessas facções têm mais respeito pela população do que a #polícia.

Luís Alberto Alves, jornalista, editor do blogue Cajuísticas