quarta-feira, 20 de maio de 2026

Violência contra as mulheres deve ser combatida na raiz

Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

Os números são estarrecedores!

*Clau Camargo

Ao terminar de ler este artigo, o tempo foi suficiente para uma mulher ter sido violentada no Brasil. Em seguida, ao ler pela segunda vez, haverá uma outra vítima. Este é o ritmo de violência contra as mulheres que estamos vivendo no país. Dados recém-divulgados pelo Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, apontam que as unidades de saúde em todo o Brasil receberam por dia, em 2025, cerca de 900 meninas ou mulheres que foram vítimas de violência interpessoal, ou seja, em situações que envolvem o uso intencional de força ou poder em relações diretas. Os números são estarrecedores!
 

Sancionada há 20 anos, a Lei Maria da Penha (11.340/2026) é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica e familiar. Mesmo assim, pelo que os números mencionados acima demonstram, não tem sido o suficiente para intimidar os agressores. De Norte a Sul do Brasil, todos os dias nos deparamos com casos e mais casos de feminicídio no noticiário, sem qualquer distinção de classe social, etnia, raça, religião, orientação sexual, idade ou grau de escolaridade. São mulheres sofrendo todos os tipos de violência simplesmente por serem mulheres.


Além, é claro, da necessidade de se fazer justiça por cada vítima, penalizando os culpados por seus atos de violência com todo o rigor que a nossa legislação permite, precisamos urgentemente buscar meios de reverter essa situação, de garantir plena segurança às mulheres de forma realmente efetiva. Ou seja, tratar a causa e não a ferida. Para isso, precisamos trabalhar com foco especial na prevenção e, assim, evitar que novos casos sejam registrados. Mas não existe uma fórmula pronta ou solução simples para ser colocada em prática. Também não há como encontrar uma saída de forma isolada.


Social


Portanto, ainda que seja dever do Estado coibir a violência contra a mulher, sua eliminação depende da participação de todos. Para resolver este problema é imprescindível que haja uma articulação entre políticas de segurança pública e demais instituições, como saúde, educação e desenvolvimento social. Entre outras iniciativas a serem adotadas, pode-se inserir o tema da violência contra as mulheres nos currículos escolares de maneira multidisciplinar; criar políticas públicas com medidas integradas de prevenção; ou a realização de campanhas educativas para a sociedade em geral (empresas, instituições públicas, órgãos governamentais, ONGs etc.).


Fato é que só vamos conseguir reverter esse quadro quando enfrentarmos as raízes do problema: o machismo naturalizado, a desigualdade, o silêncio e a cultura de tolerância à agressão. Prevenir é educar, conscientizar e romper padrões antes que a violência aconteça. Porque nenhuma mulher deveria precisar sobreviver para ter seus direitos reconhecidos.

 

* Clau Camargo é advogada, autora e primeira-dama do município de Arujá.

sábado, 16 de maio de 2026

Geração Z: jovens brasileiros estão mais tradicionais nos relacionamentos

 Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

Levantamento do happn mostra uma geração dividida entre a fadiga digital e desejos tradicionais: 53% não veem benefícios em relacionamentos abertos

Luís Alberto Alves/Hourpress

Uma nova pesquisa do happn, o aplicativo de relacionamentos da vida real, revelou um raio-X dos hábitos de namoro da Geração Z no Brasil, desmistificando mitos sobre mudanças nas estruturas de relacionamento. Apesar de todo o hype em torno da não-monogamia, os resultados mostram uma geração que permanece na tradição: 55% se identificam como estritamente monogâmicos e mais da metade (53%) não vê benefício em relacionamentos abertos. Essa abordagem também vem acompanhada de uma forte autocrítica, já que 36% dos respondentes veem a própria geração como desinteressados em compromisso e 30% a descrevem como confusa sobre o amor.
 

A pesquisa também destaca uma mudança significativa em direção a relacionamentos mais intencionais, nos quais a clareza é a nova medida de atração. Para a Geração Z, a transparência sobre o que uma pessoa está procurando é agora tão importante quanto a aparência física, com 34% priorizando intenções claras na hora de dar o like. Esse desejo por honestidade é uma resposta direta às "red flags" modernas: o comportamento mais detestado é a demora intencional para responder mensagens para parecer desinteressado (35%), seguido de linguagem agressiva ou preconceituosa, que é um fator decisivo para o desinteresse para 35% das mulheres. Consequentemente, o objetivo principal para esses jovens não é necessariamente um relacionamento sério ou uma ficada casual, mas sim conexões "sem pressão" (35%), permitindo que elas evoluam organicamente.


Real
 

O bem-estar digital também é um pilar central da Geração Z: quase metade dos jovens (47%) admite que as redes sociais impactam negativamente sua visão sobre o amor, porque podem incentivar expectativas tóxicas e idealizadas. Essa fadiga digital pode explicar a adoção cautelosa de novas tecnologias: embora 83% ainda não tenham integrado a IA em suas vidas amorosas, muitos usuários a estão utilizando como uma consultora de relacionamentos. Em vez de apenas gerar cantadas, eles aproveitam a IA para buscar conselhos comportamentais (47%) e usam ferramentas no próprio aplicativo, como o Perfect Date, para planejar encontros (21%), demonstrando o desejo de usar a tecnologia para estreitar a lacuna entre o match digital e a conexão no mundo real.
 

“Esses resultados nos mostram uma geração que está navegando em um paradoxo profundo: eles estão digitalmente sobrecarregados, mas são profundamente tradicionais em seus desejos centrais. Os solteiros da Geração Z são muito intencionais em suas escolhas e querem que sua experiência de relacionamento permaneça transparente e humana, priorizando a responsabilidade no mundo real em vez do 'hype' de novos rótulos. No happn, estamos comprometidos em ajudá-los a redescobrir essas conexões autênticas e locais”, finalizou Karima Ben Abdelmalek, CEO e Presidente do happn.


Violência infantil começa cada vez mais cedo e atinge principalmente bebês e crianças com até 6 anos

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 Radiografia da Notícia

Dados de atendimento do maior e mais completo hospital pediátrico do país reforçam que a primeira infância concentra a maioria dos casos de violência

Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

Ela não sabe falar. Não consegue pedir ajuda. Depende totalmente de quem deveria protegê-la. E, mesmo tão vulnerável e incapaz de qualquer autonomia, sofreu violência sexual no ambiente doméstico. Esse triste exemplo retrata uma das 637 crianças e adolescentes atendidos pelo Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba, em 2025, por suspeita de violência. A criança mais nova trazida à instituição no ano passado, com indícios de abuso sexual, foi uma bebê que tinha apenas 6 meses de vida. Em outro caso, um bebê de 10 dias precisou ser internado sob cuidados intensivos, com múltiplas lesões físicas. Situações extremas — mas que estão longe de ser isoladas.

 

Os dados mostram um padrão alarmante: esse tipo de agressão contra crianças começa cada vez mais cedo, concentra-se justamente na fase de maior vulnerabilidade e é cometida por quem deveria zelar por elas. Dos atendimentos de crianças e adolescentes vítimas de violência pelo Hospital em 2025, 67% tinham até 6 anos de idade. Esse número evidencia que a primeira infância é hoje o principal grupo de risco e revela uma realidade silenciosa: crianças que ainda não conseguem compreender ou relatar a violência dependem exclusivamente do olhar atento e da ação de adultos próximos para serem protegidos.

 

Quando a violência acontece onde deveria existir proteção

E não só começa cedo — acontece dentro de casa. Em 2025, 70% das ocorrências atendidas pelo Hospital (considerando crianças até 6 anos de vida) foram registradas como violência intrafamiliar, envolvendo pessoas próximas à criança. Esse contexto torna o problema ainda mais complexo, já que muitas vítimas convivem diariamente com o agressor.

 

Além disso, os episódios raramente são isolados. Em 70 casos envolvendo a primeira infância, os profissionais conseguiram identificar, por meio de marcas ou lesões, que não foi a primeira vez que aconteceu. A agressão se repete — prolongando o sofrimento e agravando as consequências no desenvolvimento físico e emocional.
 

A violência que mais se repete — e mais se esconde

Entre todos os tipos de agressão, a sexual segue como a mais recorrente e a mais devastadora. Em 2025, ela representou 64% dos atendimentos realizados pelo Hospital Pequeno Príncipe. E, novamente, os dados apontam para a primeira infância: dos 425 casos, 305 vítimas desse tipo de violação tinham até 6 anos de idade. São crianças que, na maioria das vezes, não conseguem relatar o que aconteceu — o que torna as situações ainda mais invisíveis e difíceis de interromper.

 

Violência afeta o desenvolvimento cerebral na infância

Quando a violência começa tão cedo — e muitas vezes se repete dentro do ambiente familiar —, os impactos vão muito além do momento da agressão. A ciência já demonstra que a violência na primeira infância não é apenas um evento pontual.

 

De acordo com o Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, situações de abuso, negligência ou violência geram o chamado “estresse tóxico”, que pode alterar a arquitetura do cérebro em formação, prejudicando funções essenciais como memória, aprendizagem e controle emocional.

 

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a violência na infância está associada a prejuízos no desenvolvimento cognitivo, dificuldades escolares e maior probabilidade de problemas de saúde mental ao longo da vida.

 

“A violência sofrida na primeira infância pode ter impacto profundo e duradouro no desenvolvimento da criança, porque esse é um período de intensa maturação cerebral. Por isso, proteger a criança nos primeiros anos é uma medida essencial de promoção de saúde e desenvolvimento”, avaliou o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe.

 

Na prática, isso significa que a violência não termina quando o episódio acaba. Ela pode comprometer o crescimento e a saúde emocional da criança e perpetuar ciclos de vulnerabilidade na vida adulta.

 

Duas décadas de enfrentamento à violência

Em um cenário que se mantém, o Hospital Pequeno Príncipe já ultrapassou dez mil atendimentos de crianças e adolescentes em situação de risco nas últimas duas décadas — um crescimento de 126% na série histórica e um indicativo da persistência da violência contra esse público.

 

Diante dessa realidade, o principal desafio não é somente tratar as vítimas, e sim interromper o ciclo da violência. A proteção da infância exige uma rede ativa: familiares, professores, profissionais da saúde, cuidadores, vizinhos, poder público e toda a sociedade.

 

É nesse contexto que a Campanha Pra Toda Vida, do Hospital Pequeno Príncipe, completa 20 anos em 2026 como uma das principais iniciativas do país no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Criada para romper o silêncio e incentivar a denúncia, a campanha evoluiu e hoje se consolida como um movimento contínuo de proteção, baseado em dados, produção de conhecimento e atuação integrada com a rede de cuidado.

 

Referência, o Hospital Pequeno Príncipe atua não só no acolhimento das vítimas, mas também na formação de profissionais, no compartilhamento de informações, na geração de evidências e na mobilização da sociedade.

 

Em 2026, com o mote “Proteger a infância é um compromisso de todos”, a iniciativa reforça que enfrentar a violência contra crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva — e urgente.

 

“O Pequeno Príncipe chama atenção para a importância de todos os atores sociais estarem atentos ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Quando a violência atinge crianças tão pequenas, estamos falando de uma realidade que depende da ação de todos. Pela pouca idade, muitas vezes a criança não consegue identificar os maus-tratos nem pedir ajuda, o que torna essencial um olhar atento para interromper essas situações”, finalizou a diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro.

Fim da escala 6x1: emendas buscam manter 44 horas de jornada para atividades essenciais

 


Radiografia da Notícias

O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), ainda não definiu se haverá transição ou quando as mudanças entrarão em vigor

Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

Duas emendas apresentadas para a proposta que reduz a jornada de trabalho (PEC 221/19) buscam manter a carga de 44 horas para atividades essenciais e estabelecer um prazo de 10 anos para que a redução para 40 horas entre em vigor.

Nesta sexta-feira (15), a discussão sobre a mudança aconteceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, como parte da agenda do programa Câmara pelo Brasil.

O prazo para a apresentação de sugestões à Proposta de Emenda à Constituição 221/19, em análise na Câmara, já terminou. As atividades essenciais que manteriam o limite de 44 horas seriam aquelas que possam comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública ou da continuidade de infraestruturas críticas.

O deputado Sérgio Turra (PP-RS), que apresentou uma das duas sugestões, também estabeleceu uma redução de contribuições sociais das empresas, inclusive para o FGTS, como forma de compensação pelos custos da redução da jornada.

A proposta original em análise por uma 
comissão especial da Câmara também prevê um prazo de dez anos para a vigência da redução da jornada, mas a ideia era reduzir a jornada máxima de 44 horas para 36 horas semanais.

O entendimento da comissão com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é diferente. Haveria uma redução para 40 horas semanais com dois dias de descanso e sem perdas salariais.

O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), ainda não definiu se haverá transição ou quando as mudanças entrarão em vigor. A proposta da deputada Erika Hilton (Psol-SP), PEC 8/25, que também está sendo analisada, fala em 360 dias para uma redução para 36 horas semanais.

Ricardo Rimoli / Câmara dos Deputados
Porto Alegre (RS). Câmara pelo Brasil. Dep. Leo Prates (REPUBLICANOS - BA)
Leo Prates: "É a reforma da qualidade de vida das pessoas"

Debate
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul, Leonardo Dorneles, esteve na audiência pública em Porto Alegre e disse que o setor calcula um aumento de 7 a 8% no preço das refeições por conta principalmente da garantia de dois dias de folga na semana.

Ele disse que a mudança não pode entrar em vigor imediatamente como vêm defendendo os representantes dos trabalhadores.

“Tem que haver uma transição. Noventa dias não vai resolver. Seria uma discussão muito açodada. E a gente precisa ter transição maior. Não sei responder qual o tempo ideal, precisamos de estudos que falem dos custos”, ponderou.

Para o deputado Leo Prates, a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores deve melhorar a produtividade das empresas.

“É a reforma na qualidade de vida das pessoas, é a reforma no futuro do país. Porque muitos falam em família, mas como você tem família sem presença?”

A deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) também disse que ninguém quer prejudicar o setor patronal, mas apenas assegurar que as pessoas tenham tempo para viver.

O relatório sobre a redução da jornada deve ser apresentado na próxima quarta-feira (20) na comissão especial e as votações na comissão e no Plenário da Câmara devem ser realizadas na semana seguinte.


Comissão aprova novas regras para afastar agressores de vítimas no serviço público

Arquivo Hourpress



Radiografia da Notícia

* Proposta altera a Lei Maria da Penha e segue em análise na Câmara

,Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que altera a Lei Maria da Penha para definir regras de afastamento entre agressor e vítima quando ambos atuarem no serviço público.

As medidas valerão para casos em que a vítima, ou parentes próximos dela, e o agressor trabalhem no mesmo órgão ou quando a mulher precise frequentar o local habitualmente por razões profissionais.

A principal mudança determina que a administração pública deverá afastar o agressor do convívio com a vítima por meio de sua movimentação funcional, como remoção, redistribuição, cessão ou requisição, enquanto durar a medida protetiva.

Remoto

Quando essa movimentação não for possível, por falta de vagas, órgãos disponíveis ou demanda de trabalho, a vítima poderá escolher se ela ou o agressor exercerá as atividades em regime de trabalho remoto.

“Nesses casos específicos, os interesses da administração pública (eficiência no ambiente de trabalho) e da servidora agredida (estabilidade emocional na vida cotidiana) serão respeitados”, afirmou a relatora da proposta, deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO).

Ela recomendou a aprovação da versão (
substitutivo) acatada anteriormente na Comissão de Administração e Serviço Público para o PL 3396/24, da deputada Camila Jara (PT-MS). O texto original obrigava a remoção automática do agressor servidor público federal do mesmo órgão onde trabalha a vítima, durante a vigência de medida protetiva.

Futura

O substitutivo trouxe mudanças para ampliar e tornar a futura lei mais eficaz na proteção das mulheres, sem causar prejuízos ao serviço público. O texto aprovado estabelece que a movimentação se aplicará a todas as esferas da administração pública (federal, estadual e municipal).

A proposta proíbe ainda qualquer relação de chefia entre agressor e vítima, inclusive no teletrabalho.

Próximas etapas
O projeto será ainda analisado, em 
caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e, depois, ser sancionado pela presidência da República.




quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fim das lojas físicas? Economista analisa crise nos shoppings

    Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

O fenômeno do social commerce (vendas realizadas diretamente dentro das redes sociais) ganhou tração com o TikTok Shop

O movimento que estamos vendo é o desenvolvimento brutal do e-commerce

A migração para o digital reflete diretamente no desempenho dos centros comerciais

Redação/Hourpress

O cenário do varejo brasileiro atravessa uma transformação estrutural sem precedentes. O tradicional passeio ao shopping ou a visita à loja de rua estão sendo substituídos pela conveniência do TikTok Shop, Mercado Livre e Amazon.

 

De acordo com o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o movimento é global e irreversível. "Não é apenas o consumidor brasileiro, é o consumidor ocidental. O movimento que estamos vendo é o desenvolvimento brutal do e-commerce", afirmou o especialista.

 

Dados do estudo E-commerce Trends 2026 revelam que 78% dos consumidores faz a maioria das suas compras pelo smartphone. Mais do que uma ferramenta de pesquisa, o celular tornou-se a vitrine definitiva. O fenômeno do social commerce (vendas realizadas diretamente dentro das redes sociais) ganhou tração com o TikTok Shop, que movimentou R$ 1,2 bilhão em menos de um ano de operação no Brasil.

 

Mendlowicz destaca que celebridades e influenciadores, como Neymar Jr. e Viih Tube, estão capitalizando essa tendência com transmissões ao vivo que faturam milhões em poucas horas. "Essas vendas iriam para as lojas físicas espalhadas. Esse é o grande problema para o pequeno lojista que tem suas cinco ou dez lojas de calçados ou móveis", pontua o economista.

 

Crise reflete em queda de público nos shoppings

 

A migração para o digital reflete diretamente no desempenho dos centros comerciais. Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) indicam que:

 

  • O fluxo mensal de visitantes nos shoppings caiu 6,2% entre 2019 e 2025;
  • As vendas reais sofreram um recuo de 25% no mesmo período, já descontada a inflação;
  • Em 2025, a média de visitas foi de 471 milhões ao mês, ante os 476 milhões de 2024.

 

Atualmente, cerca de 59,4% dos brasileiros enxergam a loja física apenas como um espaço de experimentação e relacionamento, segundo a pesquisa Consumidor do Futuro do Serasa Experian. Durante o chamado showrooming, os consumidores testam o produto para depois finalizarem a compra online, muitas vezes de madrugada e fora do horário comercial.

 

Logística mais eficiente tem peso na tomada de decisão

 

Para Mendlowicz, o fim das lojas físicas não é absoluto. O economista acredita que os shoppings ainda resistem como centros de lazer e gastronomia, contudo, avalia que a logística tem peso na decisão de compra no varejo. "Vai ganhar quem tiver o produto do lado do cliente. Se o Mercado Livre me entrega em uma hora, eu compro. Gigantes como a Amazon já testam entregas em 15 minutos com frete grátis no Brasil, eliminando a última barreira que restava ao comércio físico: a gratificação imediata”, explicou.

 

Com a logística cada vez mais eficiente e independente dos Correios, o custo de oportunidade de se deslocar até uma loja, pagar estacionamento e enfrentar filas torna-se cada vez menos atraente para o consumidor moderno, destaca o Economista Sincero. "O sujeito que tinha lojas de calçado, móveis ou ótica vai ter que se virar. O desafio agora é puramente logístico e digital", concluiu Charles Mendlowicz.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O que acontece com a Polícia Militar?


    Arquivo/Hourpress

Mulher é agredida por Policial militar em bairro da Zona Sul de São Paulo

Luís Alberto Alves/Hourpress

Em diversas regiões do Brasil estouram casos de agressões de policiais militares contra pessoas que moram em bairros da periferia. Homens, mulheres, adolescentes e às vezes até idosos. Numa delas, um homem com mais de 50 anos levou soco no rosto e desmaiou, caindo de sua bicicleta.

Em outro caso tenebroso, uma mãe ao ver o filho, ainda criança, sendo agredido por Pm, tenta socorrer a criança e também começa a apanhar. Em todo o Brasil, policiais militares agem iguais carrasco ou capitães do mato que caçavam os escravos fugitivos.

Nesta lista tenebrosa se inclui a mulher, mês de cinco filhos, executada com tiro à queima-roupa em Cidade Tiradentes, Zona Leste de SP. Para piorar essa situação, a vítima agonizou mais de 30 minutos no chão até a chegada do carro de resgate dos Bombeiros.

O marido e amigos foram impedidos de socorrê-la sob ameaça de arma de fogo. Qual o motivo de tamanha ira contra moradores residentes nas periferias? Por que a PM trata a população pobre e preta de forma violenta? É política de Estado? O povo sem dinheiro se tornou inimigo dos governantes? Algo está errado na formação de novos Policiais Militares, e isto precisa mudar rapidamente.

Luís Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Cajuísticas, autor dos livros “Flagelo do Desemprego” e “Internet: pesadelo de quem comprar mercadoria online”

Menopausa e a pele: como manter saúde, hidratação e firmeza nessa fase

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A explicação está nos hormônios

* Cresce o interesse por soluções que ajudem a manter a qualidade da pele

* Público cada vez mais ativo, informado e disposto a investir em saúde

Redação/Hourpress

Se tem uma fase da vida que traz mudanças silenciosas, e muitas vezes inesperadas para a pele, é a perimenopausa e a menopausa. O que antes funcionava na rotina de cuidados já não entrega os mesmos resultados, e sinais como ressecamento, perda de firmeza e manchas começam a aparecer com mais frequência.
 

A explicação está nos hormônios. Com a queda do estrogênio, a pele perde colágeno, fica mais fina e tem mais dificuldade de reter água. O resultado é uma pele mais sensível, menos viçosa e que exige novos cuidados. Não apenas no rosto, mas também no corpo, onde a flacidez, o ressecamento e a perda de elasticidade se tornam mais evidentes.
 

Ao mesmo tempo, cresce o interesse por soluções que ajudem a manter a qualidade da pele e o bem-estar nessa fase da vida. Esse movimento acompanha uma mudança maior no comportamento feminino. Segundo o IBGE, o Brasil já soma cerca de 59 milhões de pessoas com mais de 50 anos, um público cada vez mais ativo, informado e disposto a investir em saúde, autoestima e qualidade de vida. Não por acaso, avança a chamada “economia da longevidade”, que inclui cuidados estéticos e corporais.


Braços
 

Na prática, isso significa que a rotina precisa mudar e começar pelo básico. “Limpeza suave, hidratação intensa e proteção solar diária são fundamentais. Nessa fase, a pele perde capacidade de retenção de água e fica mais suscetível a danos externos, então reforçar a barreira cutânea é prioridade”, explicou o responsável técnico da Royal Face, Dr. Killian Cristof.
 

Esse cuidado deve se estender também ao corpo, com o uso de hidratantes mais potentes, estímulo à circulação e tratamentos que ajudem a manter a firmeza e a textura da pele em regiões como braços, abdômen e colo, áreas que também sofrem com as alterações hormonais.
 

Outro ponto importante é rever os produtos usados. Fórmulas muito agressivas tendem a sensibilizar ainda mais a pele, enquanto ativos hidratantes e regeneradores passam a fazer mais sentido. “A rotina passa a ser mais voltada à reparação e à manutenção da estrutura da pele, com antioxidantes, estimuladores de colágeno, hidratantes e fotoproteção”, orientou o especialista.


Facial
 

Esse novo olhar sobre o cuidado acompanha o crescimento do setor de estética, um dos mais fortes no Brasil. Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o país está entre os líderes globais em procedimentos estéticos, com destaque para técnicas não cirúrgicas, como toxina botulínica e preenchimentos.
 

Mas, diferente de anos atrás, o objetivo mudou. “Hoje, as pacientes buscam melhora da qualidade da pele e não transformação facial. Naturalidade é um dos principais critérios de sucesso”, destacou.
 

Entre os tratamentos mais procurados nessa fase, tanto para o corpo quanto para o rosto, estão os bioestimuladores de colágeno (que ajudam a recuperar a firmeza da pele ao estimular a produção natural dessa proteína); os skinboosters (indicados para hidratação profunda e melhora da qualidade da pele); além de tecnologias como ultrassom microfocado, que atua na flacidez e ajudam a dar mais sustentação aos tecidos.

“Para melhores resultados, o mais indicado é combinar técnicas diferentes, que atuam em camadas e funções distintas da pele, proporcionando resultados progressivos e mais duradouros”, explicou.


Corpo
 

No caso do corpo, tecnologias e protocolos integrados, como o Royal Elegance da Royal Face, são utilizados para valorizar a beleza natural das pernas e minimizar efeitos de gorduras localizadas e celulites. O resultado é a melhora da firmeza, qualidade da pele e preservação do contorno corporal ao longo do tempo, especialmente em regiões mais suscetíveis à flacidez.
 

Com mais informação, as mulheres também chegam mais conscientes aos consultórios e com expectativas diferentes. A busca agora é por resultados sutis, progressivos e que respeitem a individualidade de cada rosto e corpo.
 

Além disso, o autocuidado deixou de ser visto apenas como estética e passou a ocupar um lugar importante na saúde emocional e na qualidade de vida. Nesse cenário, a prevenção ganha força. Cada vez mais mulheres começam a cuidar da pele antes mesmo da menopausa, apostando em protocolos que ajudam a preservar a firmeza e a hidratação ao longo do tempo.
 

Na Royal Face, essa abordagem inclui desde o uso preventivo de toxina botulínica até bioestimuladores de colágeno, skinboosters e tratamentos de hidratação profunda, sempre adaptados às necessidades de cada paciente.
 

E, mais do que um cuidado pontual, a lógica agora é de continuidade. “O envelhecimento é um processo contínuo, então o tratamento também deve ser. O acompanhamento permite ajustar protocolos e manter resultados naturais ao longo do tempo”, concluiu o Dr. Killian.

 

Gordura no fígado já atinge 30% da população mundial e preocupa especialistas

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No Brasil, o cenário também preocupa

O dado reforça o caráter silencioso da doença

Responsável por mais de 500 funções no organismo

Redação/Hourpress

A saúde do fígado entra em alerta global. Considerada uma das principais ameaças silenciosas da atualidade, a Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), conhecida como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e da Associação Europeia para o Estudo do Fígado.

No Brasil, o cenário também preocupa. Um levantamento do Instituto Datafolha em parceria com a Novo Nordisk mostrou que 62% dos brasileiros estão preocupados com a gordura no fígado, mas 61% nunca fizeram exames ou não sabem como identificar a condição. Apenas 7% receberam diagnóstico formal.


O dado reforça o caráter silencioso da doença, que pode evoluir sem sintomas para quadros graves como fibrose, cirrose e até câncer hepático.

“É uma condição que muitas vezes não dá sinais no início, mas que pode ter consequências sérias ao longo do tempo. O mais preocupante é que ela está diretamente ligada ao nosso estilo de vida, principalmente à alimentação e ao sedentarismo”, explica Dra. Patrícia Almeida Hepatologista, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.


O fígado sente o que está no prato


Responsável por mais de 500 funções no organismo, o fígado atua no metabolismo, na desintoxicação e na produção de proteínas essenciais. Ainda assim, costuma ser negligenciado até que surgem alterações.

Neste ano, o Dia Mundial do Fígado traz o tema “Alimento é Remédio”, destacando o impacto direto da alimentação na prevenção e no tratamento das doenças hepáticas.


“Cada escolha alimentar tem impacto direto no fígado. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e gordura saturada favorecem o acúmulo de gordura no órgão. Por outro lado, uma alimentação equilibrada pode não só prevenir como ajudar a reverter o quadro nos estágios iniciais”, reforçou a especialista.


O fígado tem alta capacidade de regeneração. Estudos clínicos mostram que a redução de 5% a 10% do peso corporal já pode melhorar significativamente a função hepática, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade.


Entre os padrões alimentares mais indicados está a dieta mediterrânea, reconhecida por entidades como a Fundação Britânica do Fígado, que prioriza alimentos naturais, gorduras boas, peixes, vegetais e antioxidantes.

“Quando falamos que alimento é remédio, estamos falando de ciência. A alimentação tem um papel terapêutico real. Não é só prevenção, é parte do tratamento”, destacou Dra. Patrícia.


Desinformação ainda é um obstáculo


Apesar da alta prevalência, a doença segue subdiagnosticada. O levantamento do Datafolha também aponta que:

  • 66% dos brasileiros têm sobrepeso ou obesidade
  • 55% consomem bebida alcoólica regularmente
  • Apenas 44% procurariam um especialista diante de um diagnóstico

Para a hepatologista, o desconhecimento ainda é uma das principais barreiras. “Muitas pessoas só descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, exames simples e acompanhamento médico são fundamentais, principalmente para quem tem fatores de risco como obesidade, diabetes ou consumo frequente de álcool.”


Pequenas mudanças, grande impacto


Embora fatores sociais e econômicos influenciem a alimentação, mudanças graduais já fazem diferença.

Reduzir o consumo de açúcar, evitar ultraprocessados, manter atividade física regular e buscar orientação profissional são medidas acessíveis que ajudam a proteger o fígado.

“O cuidado com o fígado não deve acontecer só em abril. Ele precisa ser diário. Quanto antes começamos, maiores são as chances de evitar complicações no futuro”, finalizou Dra. Patrícia Almeida.

Cuidado com excesso de carga e falhas em treino na academia de ginástica



 Radiografia da Notícia

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) chama a atenção para a importância da prática segura de exercícios entre iniciantes e praticantes experientes

Na sequência, a barra com as anilhas cai, e outros alunos correm para ajudá-la

Na delegacia, a jovem disse que já estava acostumada a treinar com o peso de 180 quilos 


Redação/Hourpress

Nos últimos meses, notícias sobre acidentes em academias têm ganhado espaço na mídia, envolvendo desde iniciantes até fisiculturistas experientes. O mais recente aconteceu neste mês, no Distrito Federal. Uma jovem de 19 anos quebrou os dois joelhos quando tentava tirar a trava de segurança do aparelho usado para fazer elevação pélvica. No momento, a jovem praticava o exercício com 180 quilos de peso. Na sequência, a barra com as anilhas cai, e outros alunos correm para ajudá-la.

 

Na delegacia, a jovem disse que já estava acostumada a treinar com o peso de 180 quilos e que o cinto na região pélvica se soltou e desceu para os joelhos. Ela acredita que a trava de segurança se rompeu.

 

Em dezembro, um homem de 55 anos, de Pernambuco, morreu após a barra escapar de suas mãos e cai sobre o tórax, durante o exercício de supino reto com barra livre.

 

No fim de janeiro, um fisiculturista, no Piauí, sofreu uma ruptura do tendão quadricipital ao fazer o exercício leg press com uma carga de 400 kg.

 

Lesões provocadas por quedas de pesos, excesso de carga e falhas na execução dos exercícios acendem um alerta sobre os riscos da prática sem orientação adequada, supervisão profissional e respeito aos limites do próprio corpo - um cuidado necessário tanto para iniciantes quanto para praticantes experientes.

 

“Quando falamos de musculação, é importante entender que nem todo corpo responde da mesma forma à carga. O excesso de peso, a execução inadequada dos exercícios e a falta de orientação aumentam significativamente o risco de lesões, tanto em quem está começando quanto em praticantes experientes”, alerta o médico ortopedista membro da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), Dr. Alberto de Castro Pochini.

Segundo o especialista, a prática da musculação pode ter objetivos distintos e, por isso, exige cuidados diferentes. Enquanto o treino recreativo costuma estar associado à saúde e ao condicionamento físico, a prática competitiva envolve maiores sobrecargas e, consequentemente, mais riscos de lesões. “No esporte competitivo, a sobrecarga faz parte do processo, mas no treino recreativo o foco deve ser a adaptação do corpo, o respeito aos limites individuais e a progressão adequada da carga”, explica.

Para reduzir o risco de lesões, alguns cuidados simples fazem diferença no dia a dia da academia, como aumentar o peso de forma gradual, respeitar os intervalos de descanso, manter atenção à execução correta dos movimentos, além da supervisão de um profissional. A atenção a esses pontos é fundamental para garantir uma prática segura, com menor risco de acidentes e lesões, e melhores resultados ao longo do tempo.

 

Sobre a Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE)

 

A Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE) é uma entidade sem fins lucrativos que reúne médicos ortopedistas e promove o avanço da artroscopia e traumatologia esportiva no Brasil por meio de educação, pesquisa e boas práticas.