quarta-feira, 20 de maio de 2026

Violência contra as mulheres deve ser combatida na raiz

Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

Os números são estarrecedores!

*Clau Camargo

Ao terminar de ler este artigo, o tempo foi suficiente para uma mulher ter sido violentada no Brasil. Em seguida, ao ler pela segunda vez, haverá uma outra vítima. Este é o ritmo de violência contra as mulheres que estamos vivendo no país. Dados recém-divulgados pelo Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, apontam que as unidades de saúde em todo o Brasil receberam por dia, em 2025, cerca de 900 meninas ou mulheres que foram vítimas de violência interpessoal, ou seja, em situações que envolvem o uso intencional de força ou poder em relações diretas. Os números são estarrecedores!
 

Sancionada há 20 anos, a Lei Maria da Penha (11.340/2026) é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das três legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica e familiar. Mesmo assim, pelo que os números mencionados acima demonstram, não tem sido o suficiente para intimidar os agressores. De Norte a Sul do Brasil, todos os dias nos deparamos com casos e mais casos de feminicídio no noticiário, sem qualquer distinção de classe social, etnia, raça, religião, orientação sexual, idade ou grau de escolaridade. São mulheres sofrendo todos os tipos de violência simplesmente por serem mulheres.


Além, é claro, da necessidade de se fazer justiça por cada vítima, penalizando os culpados por seus atos de violência com todo o rigor que a nossa legislação permite, precisamos urgentemente buscar meios de reverter essa situação, de garantir plena segurança às mulheres de forma realmente efetiva. Ou seja, tratar a causa e não a ferida. Para isso, precisamos trabalhar com foco especial na prevenção e, assim, evitar que novos casos sejam registrados. Mas não existe uma fórmula pronta ou solução simples para ser colocada em prática. Também não há como encontrar uma saída de forma isolada.


Social


Portanto, ainda que seja dever do Estado coibir a violência contra a mulher, sua eliminação depende da participação de todos. Para resolver este problema é imprescindível que haja uma articulação entre políticas de segurança pública e demais instituições, como saúde, educação e desenvolvimento social. Entre outras iniciativas a serem adotadas, pode-se inserir o tema da violência contra as mulheres nos currículos escolares de maneira multidisciplinar; criar políticas públicas com medidas integradas de prevenção; ou a realização de campanhas educativas para a sociedade em geral (empresas, instituições públicas, órgãos governamentais, ONGs etc.).


Fato é que só vamos conseguir reverter esse quadro quando enfrentarmos as raízes do problema: o machismo naturalizado, a desigualdade, o silêncio e a cultura de tolerância à agressão. Prevenir é educar, conscientizar e romper padrões antes que a violência aconteça. Porque nenhuma mulher deveria precisar sobreviver para ter seus direitos reconhecidos.

 

* Clau Camargo é advogada, autora e primeira-dama do município de Arujá.

sábado, 16 de maio de 2026

Geração Z: jovens brasileiros estão mais tradicionais nos relacionamentos

 Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

Levantamento do happn mostra uma geração dividida entre a fadiga digital e desejos tradicionais: 53% não veem benefícios em relacionamentos abertos

Luís Alberto Alves/Hourpress

Uma nova pesquisa do happn, o aplicativo de relacionamentos da vida real, revelou um raio-X dos hábitos de namoro da Geração Z no Brasil, desmistificando mitos sobre mudanças nas estruturas de relacionamento. Apesar de todo o hype em torno da não-monogamia, os resultados mostram uma geração que permanece na tradição: 55% se identificam como estritamente monogâmicos e mais da metade (53%) não vê benefício em relacionamentos abertos. Essa abordagem também vem acompanhada de uma forte autocrítica, já que 36% dos respondentes veem a própria geração como desinteressados em compromisso e 30% a descrevem como confusa sobre o amor.
 

A pesquisa também destaca uma mudança significativa em direção a relacionamentos mais intencionais, nos quais a clareza é a nova medida de atração. Para a Geração Z, a transparência sobre o que uma pessoa está procurando é agora tão importante quanto a aparência física, com 34% priorizando intenções claras na hora de dar o like. Esse desejo por honestidade é uma resposta direta às "red flags" modernas: o comportamento mais detestado é a demora intencional para responder mensagens para parecer desinteressado (35%), seguido de linguagem agressiva ou preconceituosa, que é um fator decisivo para o desinteresse para 35% das mulheres. Consequentemente, o objetivo principal para esses jovens não é necessariamente um relacionamento sério ou uma ficada casual, mas sim conexões "sem pressão" (35%), permitindo que elas evoluam organicamente.


Real
 

O bem-estar digital também é um pilar central da Geração Z: quase metade dos jovens (47%) admite que as redes sociais impactam negativamente sua visão sobre o amor, porque podem incentivar expectativas tóxicas e idealizadas. Essa fadiga digital pode explicar a adoção cautelosa de novas tecnologias: embora 83% ainda não tenham integrado a IA em suas vidas amorosas, muitos usuários a estão utilizando como uma consultora de relacionamentos. Em vez de apenas gerar cantadas, eles aproveitam a IA para buscar conselhos comportamentais (47%) e usam ferramentas no próprio aplicativo, como o Perfect Date, para planejar encontros (21%), demonstrando o desejo de usar a tecnologia para estreitar a lacuna entre o match digital e a conexão no mundo real.
 

“Esses resultados nos mostram uma geração que está navegando em um paradoxo profundo: eles estão digitalmente sobrecarregados, mas são profundamente tradicionais em seus desejos centrais. Os solteiros da Geração Z são muito intencionais em suas escolhas e querem que sua experiência de relacionamento permaneça transparente e humana, priorizando a responsabilidade no mundo real em vez do 'hype' de novos rótulos. No happn, estamos comprometidos em ajudá-los a redescobrir essas conexões autênticas e locais”, finalizou Karima Ben Abdelmalek, CEO e Presidente do happn.


Violência infantil começa cada vez mais cedo e atinge principalmente bebês e crianças com até 6 anos

Divulgação


 Radiografia da Notícia

Dados de atendimento do maior e mais completo hospital pediátrico do país reforçam que a primeira infância concentra a maioria dos casos de violência

Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

Ela não sabe falar. Não consegue pedir ajuda. Depende totalmente de quem deveria protegê-la. E, mesmo tão vulnerável e incapaz de qualquer autonomia, sofreu violência sexual no ambiente doméstico. Esse triste exemplo retrata uma das 637 crianças e adolescentes atendidos pelo Hospital Pequeno Príncipe em Curitiba, em 2025, por suspeita de violência. A criança mais nova trazida à instituição no ano passado, com indícios de abuso sexual, foi uma bebê que tinha apenas 6 meses de vida. Em outro caso, um bebê de 10 dias precisou ser internado sob cuidados intensivos, com múltiplas lesões físicas. Situações extremas — mas que estão longe de ser isoladas.

 

Os dados mostram um padrão alarmante: esse tipo de agressão contra crianças começa cada vez mais cedo, concentra-se justamente na fase de maior vulnerabilidade e é cometida por quem deveria zelar por elas. Dos atendimentos de crianças e adolescentes vítimas de violência pelo Hospital em 2025, 67% tinham até 6 anos de idade. Esse número evidencia que a primeira infância é hoje o principal grupo de risco e revela uma realidade silenciosa: crianças que ainda não conseguem compreender ou relatar a violência dependem exclusivamente do olhar atento e da ação de adultos próximos para serem protegidos.

 

Quando a violência acontece onde deveria existir proteção

E não só começa cedo — acontece dentro de casa. Em 2025, 70% das ocorrências atendidas pelo Hospital (considerando crianças até 6 anos de vida) foram registradas como violência intrafamiliar, envolvendo pessoas próximas à criança. Esse contexto torna o problema ainda mais complexo, já que muitas vítimas convivem diariamente com o agressor.

 

Além disso, os episódios raramente são isolados. Em 70 casos envolvendo a primeira infância, os profissionais conseguiram identificar, por meio de marcas ou lesões, que não foi a primeira vez que aconteceu. A agressão se repete — prolongando o sofrimento e agravando as consequências no desenvolvimento físico e emocional.
 

A violência que mais se repete — e mais se esconde

Entre todos os tipos de agressão, a sexual segue como a mais recorrente e a mais devastadora. Em 2025, ela representou 64% dos atendimentos realizados pelo Hospital Pequeno Príncipe. E, novamente, os dados apontam para a primeira infância: dos 425 casos, 305 vítimas desse tipo de violação tinham até 6 anos de idade. São crianças que, na maioria das vezes, não conseguem relatar o que aconteceu — o que torna as situações ainda mais invisíveis e difíceis de interromper.

 

Violência afeta o desenvolvimento cerebral na infância

Quando a violência começa tão cedo — e muitas vezes se repete dentro do ambiente familiar —, os impactos vão muito além do momento da agressão. A ciência já demonstra que a violência na primeira infância não é apenas um evento pontual.

 

De acordo com o Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, situações de abuso, negligência ou violência geram o chamado “estresse tóxico”, que pode alterar a arquitetura do cérebro em formação, prejudicando funções essenciais como memória, aprendizagem e controle emocional.

 

A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a violência na infância está associada a prejuízos no desenvolvimento cognitivo, dificuldades escolares e maior probabilidade de problemas de saúde mental ao longo da vida.

 

“A violência sofrida na primeira infância pode ter impacto profundo e duradouro no desenvolvimento da criança, porque esse é um período de intensa maturação cerebral. Por isso, proteger a criança nos primeiros anos é uma medida essencial de promoção de saúde e desenvolvimento”, avaliou o neuropediatra Anderson Nitsche, do Hospital Pequeno Príncipe.

 

Na prática, isso significa que a violência não termina quando o episódio acaba. Ela pode comprometer o crescimento e a saúde emocional da criança e perpetuar ciclos de vulnerabilidade na vida adulta.

 

Duas décadas de enfrentamento à violência

Em um cenário que se mantém, o Hospital Pequeno Príncipe já ultrapassou dez mil atendimentos de crianças e adolescentes em situação de risco nas últimas duas décadas — um crescimento de 126% na série histórica e um indicativo da persistência da violência contra esse público.

 

Diante dessa realidade, o principal desafio não é somente tratar as vítimas, e sim interromper o ciclo da violência. A proteção da infância exige uma rede ativa: familiares, professores, profissionais da saúde, cuidadores, vizinhos, poder público e toda a sociedade.

 

É nesse contexto que a Campanha Pra Toda Vida, do Hospital Pequeno Príncipe, completa 20 anos em 2026 como uma das principais iniciativas do país no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Criada para romper o silêncio e incentivar a denúncia, a campanha evoluiu e hoje se consolida como um movimento contínuo de proteção, baseado em dados, produção de conhecimento e atuação integrada com a rede de cuidado.

 

Referência, o Hospital Pequeno Príncipe atua não só no acolhimento das vítimas, mas também na formação de profissionais, no compartilhamento de informações, na geração de evidências e na mobilização da sociedade.

 

Em 2026, com o mote “Proteger a infância é um compromisso de todos”, a iniciativa reforça que enfrentar a violência contra crianças e adolescentes é uma responsabilidade coletiva — e urgente.

 

“O Pequeno Príncipe chama atenção para a importância de todos os atores sociais estarem atentos ao enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes. Quando a violência atinge crianças tão pequenas, estamos falando de uma realidade que depende da ação de todos. Pela pouca idade, muitas vezes a criança não consegue identificar os maus-tratos nem pedir ajuda, o que torna essencial um olhar atento para interromper essas situações”, finalizou a diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe, Ety Cristina Forte Carneiro.

Fim da escala 6x1: emendas buscam manter 44 horas de jornada para atividades essenciais

 


Radiografia da Notícias

O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), ainda não definiu se haverá transição ou quando as mudanças entrarão em vigor

Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

Duas emendas apresentadas para a proposta que reduz a jornada de trabalho (PEC 221/19) buscam manter a carga de 44 horas para atividades essenciais e estabelecer um prazo de 10 anos para que a redução para 40 horas entre em vigor.

Nesta sexta-feira (15), a discussão sobre a mudança aconteceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, como parte da agenda do programa Câmara pelo Brasil.

O prazo para a apresentação de sugestões à Proposta de Emenda à Constituição 221/19, em análise na Câmara, já terminou. As atividades essenciais que manteriam o limite de 44 horas seriam aquelas que possam comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública ou da continuidade de infraestruturas críticas.

O deputado Sérgio Turra (PP-RS), que apresentou uma das duas sugestões, também estabeleceu uma redução de contribuições sociais das empresas, inclusive para o FGTS, como forma de compensação pelos custos da redução da jornada.

A proposta original em análise por uma 
comissão especial da Câmara também prevê um prazo de dez anos para a vigência da redução da jornada, mas a ideia era reduzir a jornada máxima de 44 horas para 36 horas semanais.

O entendimento da comissão com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é diferente. Haveria uma redução para 40 horas semanais com dois dias de descanso e sem perdas salariais.

O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), ainda não definiu se haverá transição ou quando as mudanças entrarão em vigor. A proposta da deputada Erika Hilton (Psol-SP), PEC 8/25, que também está sendo analisada, fala em 360 dias para uma redução para 36 horas semanais.

Ricardo Rimoli / Câmara dos Deputados
Porto Alegre (RS). Câmara pelo Brasil. Dep. Leo Prates (REPUBLICANOS - BA)
Leo Prates: "É a reforma da qualidade de vida das pessoas"

Debate
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul, Leonardo Dorneles, esteve na audiência pública em Porto Alegre e disse que o setor calcula um aumento de 7 a 8% no preço das refeições por conta principalmente da garantia de dois dias de folga na semana.

Ele disse que a mudança não pode entrar em vigor imediatamente como vêm defendendo os representantes dos trabalhadores.

“Tem que haver uma transição. Noventa dias não vai resolver. Seria uma discussão muito açodada. E a gente precisa ter transição maior. Não sei responder qual o tempo ideal, precisamos de estudos que falem dos custos”, ponderou.

Para o deputado Leo Prates, a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores deve melhorar a produtividade das empresas.

“É a reforma na qualidade de vida das pessoas, é a reforma no futuro do país. Porque muitos falam em família, mas como você tem família sem presença?”

A deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) também disse que ninguém quer prejudicar o setor patronal, mas apenas assegurar que as pessoas tenham tempo para viver.

O relatório sobre a redução da jornada deve ser apresentado na próxima quarta-feira (20) na comissão especial e as votações na comissão e no Plenário da Câmara devem ser realizadas na semana seguinte.


Comissão aprova novas regras para afastar agressores de vítimas no serviço público

Arquivo Hourpress



Radiografia da Notícia

* Proposta altera a Lei Maria da Penha e segue em análise na Câmara

,Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que altera a Lei Maria da Penha para definir regras de afastamento entre agressor e vítima quando ambos atuarem no serviço público.

As medidas valerão para casos em que a vítima, ou parentes próximos dela, e o agressor trabalhem no mesmo órgão ou quando a mulher precise frequentar o local habitualmente por razões profissionais.

A principal mudança determina que a administração pública deverá afastar o agressor do convívio com a vítima por meio de sua movimentação funcional, como remoção, redistribuição, cessão ou requisição, enquanto durar a medida protetiva.

Remoto

Quando essa movimentação não for possível, por falta de vagas, órgãos disponíveis ou demanda de trabalho, a vítima poderá escolher se ela ou o agressor exercerá as atividades em regime de trabalho remoto.

“Nesses casos específicos, os interesses da administração pública (eficiência no ambiente de trabalho) e da servidora agredida (estabilidade emocional na vida cotidiana) serão respeitados”, afirmou a relatora da proposta, deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO).

Ela recomendou a aprovação da versão (
substitutivo) acatada anteriormente na Comissão de Administração e Serviço Público para o PL 3396/24, da deputada Camila Jara (PT-MS). O texto original obrigava a remoção automática do agressor servidor público federal do mesmo órgão onde trabalha a vítima, durante a vigência de medida protetiva.

Futura

O substitutivo trouxe mudanças para ampliar e tornar a futura lei mais eficaz na proteção das mulheres, sem causar prejuízos ao serviço público. O texto aprovado estabelece que a movimentação se aplicará a todas as esferas da administração pública (federal, estadual e municipal).

A proposta proíbe ainda qualquer relação de chefia entre agressor e vítima, inclusive no teletrabalho.

Próximas etapas
O projeto será ainda analisado, em 
caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado e, depois, ser sancionado pela presidência da República.




quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fim das lojas físicas? Economista analisa crise nos shoppings

    Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

O fenômeno do social commerce (vendas realizadas diretamente dentro das redes sociais) ganhou tração com o TikTok Shop

O movimento que estamos vendo é o desenvolvimento brutal do e-commerce

A migração para o digital reflete diretamente no desempenho dos centros comerciais

Redação/Hourpress

O cenário do varejo brasileiro atravessa uma transformação estrutural sem precedentes. O tradicional passeio ao shopping ou a visita à loja de rua estão sendo substituídos pela conveniência do TikTok Shop, Mercado Livre e Amazon.

 

De acordo com o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o movimento é global e irreversível. "Não é apenas o consumidor brasileiro, é o consumidor ocidental. O movimento que estamos vendo é o desenvolvimento brutal do e-commerce", afirmou o especialista.

 

Dados do estudo E-commerce Trends 2026 revelam que 78% dos consumidores faz a maioria das suas compras pelo smartphone. Mais do que uma ferramenta de pesquisa, o celular tornou-se a vitrine definitiva. O fenômeno do social commerce (vendas realizadas diretamente dentro das redes sociais) ganhou tração com o TikTok Shop, que movimentou R$ 1,2 bilhão em menos de um ano de operação no Brasil.

 

Mendlowicz destaca que celebridades e influenciadores, como Neymar Jr. e Viih Tube, estão capitalizando essa tendência com transmissões ao vivo que faturam milhões em poucas horas. "Essas vendas iriam para as lojas físicas espalhadas. Esse é o grande problema para o pequeno lojista que tem suas cinco ou dez lojas de calçados ou móveis", pontua o economista.

 

Crise reflete em queda de público nos shoppings

 

A migração para o digital reflete diretamente no desempenho dos centros comerciais. Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) indicam que:

 

  • O fluxo mensal de visitantes nos shoppings caiu 6,2% entre 2019 e 2025;
  • As vendas reais sofreram um recuo de 25% no mesmo período, já descontada a inflação;
  • Em 2025, a média de visitas foi de 471 milhões ao mês, ante os 476 milhões de 2024.

 

Atualmente, cerca de 59,4% dos brasileiros enxergam a loja física apenas como um espaço de experimentação e relacionamento, segundo a pesquisa Consumidor do Futuro do Serasa Experian. Durante o chamado showrooming, os consumidores testam o produto para depois finalizarem a compra online, muitas vezes de madrugada e fora do horário comercial.

 

Logística mais eficiente tem peso na tomada de decisão

 

Para Mendlowicz, o fim das lojas físicas não é absoluto. O economista acredita que os shoppings ainda resistem como centros de lazer e gastronomia, contudo, avalia que a logística tem peso na decisão de compra no varejo. "Vai ganhar quem tiver o produto do lado do cliente. Se o Mercado Livre me entrega em uma hora, eu compro. Gigantes como a Amazon já testam entregas em 15 minutos com frete grátis no Brasil, eliminando a última barreira que restava ao comércio físico: a gratificação imediata”, explicou.

 

Com a logística cada vez mais eficiente e independente dos Correios, o custo de oportunidade de se deslocar até uma loja, pagar estacionamento e enfrentar filas torna-se cada vez menos atraente para o consumidor moderno, destaca o Economista Sincero. "O sujeito que tinha lojas de calçado, móveis ou ótica vai ter que se virar. O desafio agora é puramente logístico e digital", concluiu Charles Mendlowicz.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O que acontece com a Polícia Militar?


    Arquivo/Hourpress

Mulher é agredida por Policial militar em bairro da Zona Sul de São Paulo

Luís Alberto Alves/Hourpress

Em diversas regiões do Brasil estouram casos de agressões de policiais militares contra pessoas que moram em bairros da periferia. Homens, mulheres, adolescentes e às vezes até idosos. Numa delas, um homem com mais de 50 anos levou soco no rosto e desmaiou, caindo de sua bicicleta.

Em outro caso tenebroso, uma mãe ao ver o filho, ainda criança, sendo agredido por Pm, tenta socorrer a criança e também começa a apanhar. Em todo o Brasil, policiais militares agem iguais carrasco ou capitães do mato que caçavam os escravos fugitivos.

Nesta lista tenebrosa se inclui a mulher, mês de cinco filhos, executada com tiro à queima-roupa em Cidade Tiradentes, Zona Leste de SP. Para piorar essa situação, a vítima agonizou mais de 30 minutos no chão até a chegada do carro de resgate dos Bombeiros.

O marido e amigos foram impedidos de socorrê-la sob ameaça de arma de fogo. Qual o motivo de tamanha ira contra moradores residentes nas periferias? Por que a PM trata a população pobre e preta de forma violenta? É política de Estado? O povo sem dinheiro se tornou inimigo dos governantes? Algo está errado na formação de novos Policiais Militares, e isto precisa mudar rapidamente.

Luís Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Cajuísticas, autor dos livros “Flagelo do Desemprego” e “Internet: pesadelo de quem comprar mercadoria online”