quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O drama de Ulisses, da TV Globo, revela os sinais da compulsão por jogos de azar

    Divulgação


Radiografia da Notícia

* O personagem retrata comportamentos muito semelhantes aos observados em pessoas com transtorno do jogo

Redação/Hourpress

O drama vivido por Ulisses, personagem da TV Globo, tem chamado a atenção do público ao mostrar como o envolvimento com jogos de azar pode sair do controle e provocar consequências profundas. Ao perder dinheiro repetidamente, esconder a situação da família, acumular dívidas e acreditar que uma nova aposta resolverá todos os prejuízos, o personagem retrata comportamentos muito semelhantes aos observados em pessoas com transtorno do jogo, conhecido popularmente como ludopatia.

Segundo a psiquiatra Dra. Maria Fernanda Caliani, especialista em transtornos relacionados ao controle dos impulsos, a ficção tem um papel importante ao trazer para o debate um problema de saúde mental que ainda é cercado por preconceitos e desinformação.

“Muitas pessoas ainda acreditam que o jogo compulsivo é apenas falta de controle ou irresponsabilidade financeira. Na realidade, trata-se de um transtorno mental reconhecido, que interfere na forma como a pessoa avalia riscos, toma decisões e reage às perdas”, ressaltou a psiquiatra.

Padrão

Embora as apostas esportivas tenham ganhado enorme visibilidade nos últimos anos, a compulsão não está restrita ao ambiente digital. Cassinos, bingos, máquinas caça-níqueis, jogos de cartas com apostas, corridas de cavalos e outras modalidades presenciais também podem desencadear o mesmo padrão de dependência.

“O problema não está apenas no tipo de jogo, mas na relação que a pessoa estabelece com ele. Quando apostar deixa de ser entretenimento e o objetivo deixa de ser ganhar dinheiro e passa a ser sentir alguma coisa, a pessoa joga para aliviar ansiedade, tensão, vazio, mesmo sabendo que pode perder, esse é um importante sinal de alerta. A pessoa não joga para ganhar, joga para desligar. É como apertar um botão de ‘pausa’ emocional,  mesmo sabendo que a conta vem depois”, explicou Dra. Maria Fernanda.

A médica explica ainda que a facilidade de acesso aos jogos, especialmente por meio dos celulares, associada à promessa de ganhos rápidos, pode funcionar como um gatilho para pessoas mais vulneráveis à impulsividade e aos comportamentos compulsivos.

Acesso

“Quanto mais fácil é apostar, maior pode ser o risco para quem já apresenta dificuldade em controlar impulsos. O acesso constante favorece decisões impulsivas e alimenta um ciclo que se torna cada vez mais difícil de interromper”, disse a Dra. Maria Fernanda.

O ciclo da ilusão

Um dos aspectos mais característicos da ludopatia é a tentativa insistente de recuperar o dinheiro perdido.

De acordo com a psiquiatra, depois de uma perda importante, muitas pessoas passam a acreditar que a próxima aposta resolverá tudo. Esse pensamento cria um ciclo perigoso, porque cada prejuízo gera uma nova tentativa de compensação, aumentando ainda mais as perdas. Com o tempo, o comportamento deixa de ser motivado pela diversão. A pessoa passa a jogar para aliviar a ansiedade, escapar de sentimentos desagradáveis ou tentar recuperar aquilo que já perdeu.

Jogo

E a psiquiatra explica também que isso acontece porque o cérebro passa a buscar repetidamente a sensação de expectativa e recompensa provocada pelo jogo.

“Em muitos casos, a pessoa já nem sente prazer ao ganhar. Ela apenas tenta aliviar a angústia provocada pela necessidade de continuar jogando”.

Muito além do prejuízo financeiro

Embora as perdas econômicas sejam um dos sinais mais evidentes, os impactos costumam atingir praticamente todas as áreas da vida. Entenda melhor:

  • Preocupação constante com apostas;
  • Aumento progressivo dos valores investidos;
  • Tentativas frequentes de recuperar prejuízos;
  • Mentiras para esconder o comportamento;
  • Uso de dinheiro destinado às despesas essenciais;
  • Empréstimos e endividamento;
  • Conflitos familiares;
  • Queda no rendimento profissional;
  • Isolamento social;
  • Ansiedade, irritabilidade, culpa, vergonha, alterações do sono e quadros depressivos.

“A família costuma perceber primeiro que algo mudou. A pessoa passa a esconder gastos, evita conversar sobre dinheiro, demonstra irritação quando é questionada e cria justificativas constantes para continuar jogando”, alertou a psiquiatra.

A família também faz parte do tratamento

Quando o problema aparece, é comum que familiares reajam com cobranças, discussões e críticas. Apesar da preocupação ser legítima, a Dra. Maria Fernanda explica que esse tipo de abordagem nem sempre contribui para a recuperação.

“O acolhimento não significa aceitar o comportamento ou minimizar as consequências. Significa compreender que existe um transtorno que precisa ser tratado. Julgamentos agressivos costumam aumentar a vergonha, o isolamento e dificultar ainda mais a busca por ajuda”.

Existe tratamento

A boa notícia é que a ludopatia tem tratamento. A combinação entre acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, especialmente a terapia e apoio familiar costumam apresentar excelentes resultados. Além disso, algumas atitudes ajudam a reduzir os riscos, como estabelecer limites financeiros, nunca utilizar dinheiro destinado às despesas essenciais, evitar apostar para recuperar perdas anteriores e procurar ajuda profissional ao perceber dificuldade para interromper o comportamento.

“Reconhecer que existe um problema não é sinal de fraqueza. Pelo contrário. É um passo importante para recuperar o controle, preservar a saúde mental e reconstruir relações que muitas vezes foram profundamente afetadas pela compulsão”, indica a Dra. Maria Fernanda.

Para a médica, personagens como Ulisses ajudam a ampliar um debate necessário, pois a ficção tem o poder de aproximar temas complexos da realidade das pessoas. Muitas famílias conseguem reconhecer sinais semelhantes aos vividos dentro de casa. Quanto mais falarmos sobre o transtorno do jogo com informação, menos preconceito haverá e maiores serão as chances de diagnóstico precoce, tratamento e recuperação.

Exportação de carne bovina por contêiner para China sofre queda drástica

 

Arquivo Hourpress


Radiografia da Notícia

Apesar da redução de 81,4% registrada para o mês, o recuo em todo o primeiro semestre do ano foi de apenas 3,7%

 Redação/Hourpress


Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em julho as exportações conteinerizadas de carne bovina brasileira para a China recuaram 81,4%, segundo levantamento da Datamar, líder no setor de informações de comércio exterior e dados de transporte marítimo para a costa leste da América do Sul. Entre janeiro e julho deste ano, no entanto, a queda foi de apenas 3,7% em relação ao mesmo período de 2025.


Para Andrew Lorimer, CEO da Datamar, a retração pode estar relacionada à proximidade do esgotamento da cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida pela China para a carne bovina brasileira em 2026.


“Em 21 de julho, as importações chinesas de carne bovina brasileira já haviam atingido 80% da cota anual e, pelas regras estabelecidas, a partir do terceiro dia após o preenchimento do limite, as cargas passam a pagar uma tarifa adicional de 55% sobre a alíquota vigente”, esclareceu o CEO.


China


Segundo Lorimer, a medida de salvaguarda foi adotada pelo governo chinês para proteger a indústria pecuária local e permanecerá vigente até o fim de 2028. Como a cobrança considera o momento da entrada da mercadoria na China, e não a data de saída do Brasil, os exportadores precisam levar em conta o tempo de trânsito marítimo.


“Esse risco pode ter estimulado uma redução antecipada dos embarques, evitando que cargas enviadas antes do esgotamento da cota chegassem ao país depois do preenchimento do limite”, concluiu Lorimer.


Já considerando todos os destinos da carne bovina brasileira, o desempenho no acumulado para o primeiro semestre ainda é positivo, de 1,3%. No entanto, os reflexos chineses já aparecem em julho, provocando uma queda de 38,7% das exportações em relação a julho de 2025.


STF em estado de miséria

    IA


Luís Alberto Alves/Hourpress

Horrorosa. Essa é a situação atual do STF (Supremo Tribunal Federal). Show de horrores a sessão em que os ministros Alexandre Moraes e André Mendonça trocaram acusações. Espetáculo tão horrível que a ministra Carmen Lúcia, ex-presidente do STF, pediu perdão aos brasileiros pela postura dos seus colegas.

A suprema corte que merecia respeito da população se transformou em algo deprimente. Hoje, qualquer pesquisa coloca o STF na última posição entre as instituições que desfruta de admiração. Os ministros do STF hoje não gozam de respeito algum. É triste constatar a situação do Judiciário.

Há casos comprovados de ligações espúrias com representantes do crime organizado. Um ex-ministros, Marco Aurélio de Mello, autorizou a libertação do traficante, de codinome André do Rap. Quando percebeu o gigantesco erro alegou que processo nenhum traz na primeira página o histórico do bandido.

Qual a solução para resolver essa triste situação? É preciso desinfetar essa instituição com a substância da honestidade e humildade. Trocar os atuais ministros e empossar pessoas que realmente tenha compromisso com a Justiça. Do jeito que está, não pode continuar para o bem de todos os brasileiros.

Luís Alberto Alves, jornalista, editor do blogue Cajuísticas