quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Julgamento de Bolsonaro e demais indiciados pode ocorrer em 2025

    EBC


Radiografia da Notícia

Cabe à PGR decidir se apresenta denúncia ao Supremo pelas acusações

Esse o primeiro passo que o inquérito vai seguir após chegar ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) 

Na oitiva da PF, Mauro Cid negou ter conhecimento sobre o plano golpista para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Agência Brasil

O inquérito da Polícia Federal (PF) que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 36 acusados por golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito será enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) nos próximos dias.

Esse o primeiro passo que o inquérito vai seguir após chegar ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da investigação.

Caberá ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, no prazo de 15 dias, decidir se Bolsonaro e os demais indiciados serão denunciados ao Supremo pelas acusações. As defesas dos investigados também deverão se manifestar.

Devido ao recesso de fim de ano na Corte, que começa no dia 19 de dezembro e termina em 1° de fevereiro de 2025, a expectativa é a de que o julgamento da eventual denúncia da procuradoria ocorra somente no ano que vem.

Novas acusações

Mais cedo, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, prestou depoimento ao Supremo sobre omissões e contradições apontadas pela Polícia Federal (PF) na oitiva realizada na terça-feira (19).

Após o depoimento, Alexandre de Moraes decidiu manter o acordo e os benefícios de delação premiada de Cid. O ministro entendeu que Mauro Cid esclareceu as omissões e contradições apontadas pela PF.

O novo depoimento foi enviado pelo ministro de volta à PF para complementação das investigações.

Ordens

Na oitiva da PF, Mauro Cid negou ter conhecimento sobre o plano golpista para matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, e Moraes.

Contudo, de acordo com as investigações da Operação Contragolpe, uma das reuniões da trama golpista foi realizada na casa do general Braga Netto, em Brasília, no dia 12 de novembro de 2022, e teve a participação do ex-ajudante de ordens.

No ano passado, Cid assinou acordo de delação premiada com a PF e se comprometeu a revelar os fatos de que teve conhecimento durante o governo de Bolsonaro, como o caso das vendas de joias sauditas e da fraude nos cartões de vacina do ex-presidente. 
 

Black Friday: consumidor deve ficar atento antes de reclamar na Justiça

    Freepik


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* Tribunais pelo país apertam o cerco contra ações sem prévia tentativa de conciliação


Os números são animadores para as empresas, mas acendem um alerta para o pós-venda


Estima-se que 62% dos brasileiros pretendem realizar algum tipo de compra, atraídos pelos preços mais em conta

Redação/Hourpress
 

Importada dos EUA, a Black Friday conquistou os brasileiros há uma década e já compete como uma das datas comerciais mais importantes do país, ao lado de Natal e Dia das Mães. Na semana quem vem, até sexta-feira, 29, a corrida pelos descontos se intensifica, marcando um aumento significativo em vendas de produtos e serviços. Estima-se que 62% dos brasileiros pretendem realizar algum tipo de compra, atraídos pelos preços mais em conta, segundo pesquisa Google, de outubro último.
 

Os números são animadores para as empresas, mas acendem um alerta para o pós-venda: segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, uma em cada quatro ações nas Justiças Estaduais e Federais são relacionadas a consumo. Os assuntos mais demandados são pedidos de indenização por dano moral e por dano material, as ações contra bancos, ações por devolução de produto ou rescisão de contrato de prestação de serviços e práticas abusivas.
 

Enfrentar algum problema certamente não é o que espera o consumidor ao adquirir um produto ou serviço, mas as falhas podem acontecer. No entanto, antes de partir para uma ação na Justiça, é preciso ficar atento à maneira como os tribunais vem encarando as reclamações.


Tribunal
 

“Nos últimos anos, o Judiciário brasileiro vem sinalizando a necessidade de que consumidores e empresas esgotem as tentativas de solução extrajudicial antes de recorrerem à justiça”, explicou Arina do Vale, sublíder de equipe em Prevenção de Litígios e Recuperação de Créditos do escritório Albuquerque Melo.

Recente decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ/MG) reforça essa tendência, afetando diretamente as relações de consumo de natureza prestacional daquele estado, ou seja, tudo que envolve a prestação de um serviço, numa relação triangular: consumidor x fornecedor x serviço. A determinação visa mitigar o número de processos e garantir mais eficiência na resolução de conflitos.
 

A tese fixada pelo TJ/MG estabelece que, para que o consumidor tenha interesse de agir em juízo, é necessária a tentativa de resolução extrajudicial por meio de canais oficiais, como SAC - Serviço de Atendimento ao Consumidor, Procon, Banco Central ou plataformas públicas e privadas, como o consumidor.gov e Reclame Aqui. A ausência dessa comprovação poderá resultar na extinção do processo sem julgamento do mérito.


Empresas
 

Esse entendimento do TJ/MG não é isolado. Renata Belmonte, líder do Albuquerque Melo na área de Prevenção de Litígios e Recuperação de Créditos, destaca que outros estados já incentivam a tentativa de acordo direto com as empresas. “Esse é um entendimento que está, cada vez mais, se popularizando. Em Santa Catarina, por exemplo, há muito tempo eles orientam o consumidor a primeiro tentar a solução extrajudicial junto às empresas”.
 

Segundo Belmonte, a decisão é um marco porque estabelece uma orientação clara sobre o papel dos consumidores e fornecedores. “A empresa tem, por lei, 30 dias para resolver o problema do consumidor. Contudo, muitas vezes o consumidor vai direto ao judiciário, almejando uma indenização moral. Infelizmente, por vezes, os juízes não analisam o prazo e acabam por condenar as empresas, sendo necessário recorrer daquela decisão, que muitas vezes tem um custo tão alto, que as empresas preferem pagar a condenação”.
 

A decisão representa um desafio e uma oportunidade para os prestadores de serviços. Além de investirem em canais de atendimento e estratégias de comunicação claras com os consumidores, as empresas precisam criar processos eficazes para atender às demandas fora do âmbito judicial. “Entendo que o papel das empresas nessa comunicação é fundamental, pois compete a elas criarem canais acessíveis de comunicação com o consumidor, orientando a procura pelos canais de atendimento, bem como os meios de solução alternativa de conflitos, como o consumidor.gov.br e Procon”, alertou Belmonte.


Direito
 

Ao consumidor que entra com uma ação sem tentar resolver extrajudicialmente, a consequência pode ser a perda do pedido de indenização por dano moral, conforme esclarece Arina do Vale: “O consumidor tem com ele o direito de ação. Contudo, em razão dessa previsão legal, a verdade é que se ele não tiver procurado pelo fornecedor antes, a única coisa que ele conseguirá é que o fornecedor resolva seu problema, mas não terá direito a dano moral, que com certeza é o que o consumidor almeja quando vai direto bater nas portas do judiciário”.
 

Apesar do otimismo em relação à diminuição de processos, há um ponto de atenção: a aplicação dessas medidas não pode se tornar uma barreira. “O Código de Defesa do Consumidor (CDC) assegura direitos básicos, como o acesso à justiça e a proteção contra práticas abusivas. A decisão do TJ/MG apenas busca incentivar que tentativas razoáveis de solução sejam feitas previamente. Um ponto de atenção seria garantir que essa orientação não se torne uma barreira ou uma forma de postergar o direito do consumidor”, finalizou Belmonte.
 

Gravidez aos 40: entenda a idade dos óvulos

 Divulgação


Radiografia da Notícia

* Professor de Medicina do Ceub destaca a relação do envelhecimento dos óvulos com os riscos associados à gestação

A mulher já nasce com todos os seus óvulos, que vão envelhecendo com o passar do tempo

Mesmo que a gravidez natural seja possível em várias idades

Luís Alberto Alves/Hourpress

Com o protagonismo feminino em diversas áreas, muitas mulheres optam por adiar a maternidade para depois dos 40 anos. Subiu 65,7% o número de mulheres que decidiram engravidar após essa idade na última década, enquanto a faixa dos 30 a 39 anos registrou aumento de 19,7%, de acordo com o IBGE. Bruno Ramalho, especialista em reprodução humana e docente no Centro Universitário de Brasília (Ceub), explica como o avanço da medicina pode auxiliar quem opta pela gestação em idade avançada.
 
A mulher já nasce com todos os seus óvulos, que vão envelhecendo com o passar do tempo. Assim, conforme explica o professor, no momento da ovulação, o óvulo selecionado sempre terá a idade da mulher que o ovulou. Até que, um dia, o estoque de óvulos acabará, quando vem a menopausa. “O envelhecimento dos óvulos impacta a fertilidade, pois os óvulos vão perdendo sua capacidade de serem fecundados e de gerar embriões com o número correto de cromossomos.”
 
Ramalho alerta que, em idades avançadas, podem ser mais frequentes as anomalias cromossômicas na prole, como aneuploidias, aborto espontâneo e óbito fetal. “As chances de conceber um bebê com alguma aneuploidia são estimadas em 1 entre 385 aos 30 anos, 1 entre 192 aos 35 e 1 entre 66 aos 40. Perceba que, em uma década, a chance aumenta 5 vezes”. Apesar dos riscos, os exames recomendados antes de uma gravidez após os 40 são semelhantes aos de mulheres mais jovens. 
 
Mesmo que a gravidez natural seja possível em várias idades, o período para avaliar a infertilidade deve ser reduzido em alguns casos para não desperdiçar “um tempo precioso”, explica Ramalho. Embora não existam protocolos específicos para quem quer engravidar em diferentes faixas etárias, o especialista detalha: “O que muda é o período de espera antes de investigar. Para mulheres com menos de 35 anos, o recomendado é tentar por um ano antes de procurar avaliação. Entre 35 e 39 anos, o tempo reduz para seis meses. A partir dos 40, a investigação deve ser imediata”.
 
Técnica de reprodução humana
Para mulheres acima dos 40, Bruno garante que fertilização in vitro (FIV) é o tratamento com maior probabilidade de sucesso e pode ser considerada a análise genética pré-implantação para detectar aneuploidias nos embriões. “O uso da técnica deve ser individualizado, mesclando aspectos clínicos e expectativas das pessoas envolvidas”.
 
O professor indica às mulheres buscar acompanhamento e suporte médico adequados, mantendo o equilíbrio entre os avanços técnicos e as expectativas das futuras mães. “Hoje, a fertilização in vitro é a técnica com maior chance de levar ao bebê em casa. Isso vale para qualquer idade, mas, novamente, quanto mais jovem, maior a chance de o tratamento dar certo”, finalizou.

Quanto de água você deve beber por dia?


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 Radiografia da Notícia

*Descubra quanto de água você realmente precisa beber por dia, os benefícios para o corpo e como tornar esse hábito parte da sua rotina


Essa quantidade pode mudar dependendo de fatores como nível de atividade física, temperatura ambiente 


Apesar de ser essencial, muitas pessoas encontram dificuldades em atingir sua meta diária de hidratação


Redação/Hourpress

A hidratação adequada é essencial para o bom funcionamento do organismo e pode até influenciar no processo de emagrecimento. Mas quanto de água, afinal, é necessário ingerir diariamente? A Dra. Thais Mussi, endocrinologista e metabologista pela SBEM, explica que a recomendação geral é consumir cerca de 35 ml de água por quilo de peso corporal. Por exemplo, uma pessoa com 70 kg precisa de aproximadamente 2,45 litros de água por dia.


O quanto você precisa pode variar

Essa quantidade pode mudar dependendo de fatores como nível de atividade física, temperatura ambiente e até mesmo o quanto a pessoa transpira. Para quem pratica exercícios, uma dica é se pesar antes e depois da atividade física. “A diferença de peso indica quanto líquido foi perdido e precisa ser reposto. Para cada quilo perdido, recomenda-se ingerir um litro de água”, orientou a especialista.


Torne a hidratação um hábito no dia a dia

Apesar de ser essencial, muitas pessoas encontram dificuldades em atingir sua meta diária de hidratação, seja pela correria da rotina ou pela falta de hábito. Dra. Thais sugere estratégias simples para facilitar:

  • Use garrafas marcadas: Ter uma garrafa com marcações de quantidade ajuda a monitorar a ingestão ao longo do dia.
  • Configure lembretes: Aplicativos de celular podem enviar notificações para você se lembrar de beber água.
  • Aromatize a água: Adicionar ingredientes naturais, como limão, hortelã ou especiarias, torna o hábito mais prazeroso sem comprometer a saúde.

Cuidado com substitutos líquidos

A especialista alerta que bebidas como sucos industrializados, refrigerantes e energéticos, embora contenham líquidos, não são boas substitutas da água pura. “Essas bebidas muitas vezes contêm açúcares e aditivos que podem aumentar a sensação de sede e contribuir para o ganho de peso indesejado. Nada substitui a água pura quando falamos de hidratação saudável”, reforçou.


Benefícios que vão além da hidratação

Manter o corpo bem hidratado melhora a pele, auxilia na digestão, otimiza o desempenho físico e mental, além de ser um grande aliado no controle do peso. “A hidratação é um dos pilares para a saúde. Adotar o hábito de beber água de forma consistente pode transformar sua qualidade de vida”, concluiu Dra. Thais.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Narcoestado já é realidade no Brasil


    EBC/Arquivo
Já é rotina a Polícia apreender fuzis com criminosos em todo o Brasil

Qual a reação do governo, na esfera estadual e federal? Apenas curtas entrevistas com bravatas

Luís Alberto Alves/Hourpress

A morte do delator do PCC (Primeiro Comando da Capital) Antonio Vinicius Gritzbach, no Aeroporto Internacional de SP, em Guarulhos, na sexta-feira (8), é a prova de que o narcoestado já é realidade no Brasil. Pior, integrantes do Ministério Público de São Paulo terem identificado, neste final de semana,  delegacias onde estariam policiais suspeitos de participarem do assassinato de Gritzbach. Duas delas são especializadas: o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) e DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).

A execução de Gritzbach no maior aeroporto da América Latina foi um recado do crime organizado de que pode praticar os seus crimes em qualquer lugar. A polícia não os assusta mais. Poderia matar o seu ex-integrante de facção em qualquer lugar, mas preferiram praticar o homicídio num local de grande visibilidade no Brasil e no mundo, afinal esse aeroporto é usado para embarque e desembarque de autoridades, artistas e pessoas de grande visibilidade na mídia.

Bravatas

Não usaram pistolas, mas fuzis. Arma de guerra. Caso tivessem que travar tiroteio com a polícia, provavelmente os coletes usados pelos Pms não teriam condições de evitar ferimentos graves e até mesmo a morte deles. Os executores vieram preparados e cumpriram a missão. Qual a reação do governo, na esfera estadual e federal? Apenas curtas entrevistas com bravatas.

Quanto ao restante da população, que sofre com excessiva carga de imposto sem nenhum retorno, principalmente em termos de segurança pública, deve continuar adotando a tática de sobrevivência: nada vejo, nada falo, nada escuto. Pois quem deveria proporcionar proteção, até hoje não colocou esse quesito em prática.

Aliás, os governantes contam com segurança estatal, já o trabalhador está sozinho, principalmente na periferia, onde há muito tempo o crime organizado tem o domínio da situação. Infelizmente, o Brasil caminha a passos largos para se tornar um novo México, país em que o narcoestado é realidade e domina aquela nação.

Luís Alberto Alves é jornalista, editor do blogue Cajuísticas

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Partidos de esquerda precisam reciclar


A editora Abril é outro exemplo de derrocada após dominar o mercado de publicação de revistas por mais de 50 anos e faliu

 Luís Alberto Alves

 A derrota dos partidos de esquerda nesta eleição precisa servir para reciclagem de propostas. Nos erros existem mecanismos para conquistar a próxima vitória. É preciso humildade e fazer autocrítica. Lamentar não resolverá o problema. É hora de levantar a cabeça e começar a pensar em 2026.

O maior erro que um partido político comete, após chegar ao poder, é se acomodar. Esquecer as suas origens, as batalhas e os aprendizados que o levaram até o patamar atual. Grandes impérios caíram por causa da preguiça que se instalou depois de diversas conquistas.

Foi assim com Alexandre, o grande; com os romanos, os persas, os gregos. Foi assim, na área empresarial, com o poderoso Diários Associados, responsável pela criação da primeira emissora de televisão no Brasil, em 1950, e proprietário de imensa rede de jornais, revistas e numerosa emissoras de rádio.

 

Elite

 

A editora Abril é outro exemplo de derrocada após dominar o mercado de publicação de revistas por mais de 50 anos e faliu. Quando chegou ao auge, se acomodou. Ignorou a chegada de novas tecnologias no segmento de comunicação em massa.

O PT, fundado no início da década de 1980, demorou 23 anos para conquistar a presidência da República. Ralou muito. Foi alvo de chacota, de perseguição da grande mídia, alimentada pelo dinheiro da nossa elite, a mais atrasada do planeta. Permaneceu no comando do Brasil, 16 anos. Primeiro com Lula, reeleito e depois com Dilma Rousseff, sacada da presidência num golpe de estado com aval do Congresso Nacional.

Mas enquanto esteve no comando, de 2003a 2016, primeiro com Lula e depois com Dilma, o PT abaixou a guarda, mesmo quando teve maioria no Congresso Nacional. Em vez de passar o rolo compressor e aprovar e colocar em prática os seus projetos, ficou como jogador de futebol que dribla muito na área em vez de chutar a bola e marcar o gol. Agora colhe os frutos amargos dessa infantilidade.

 

Tiro

 

Em política não existe amadores, nem muito menos compaixão. É a regra dura da sobrevivência. O grande capital, que financia os seus parlamentares, vai jogar pesado para que nenhum projeto que coloque em risco a sua sobrevivência seja aprovado. Resultado disso é a reforma trabalhista de 2017, que foi um tiro de canhão contra as conquistas dos trabalhadores. Sempre será assim, no Brasil e em qualquer lugar deste mundo.

A população pobre se preocupa com três itens para continuar sobrevivendo: segurança, educação e saúde. O que sair disto é chover no molhado. Na periferia, onde mora o grosso do eleitorado, qualquer pessoa precisa sentir segurança, que não será alvo de assalto, de homicídio quando sair para trabalhar. Deseja que a sua família esteja segura. O mesmo se aplica à classe média, porque os milionários têm respaldo dos seus leões de chácaras e carros blindados.

A educação de qualidade para que os filhos deste trabalhador possam ter condições de prestar vestibular e conseguir aprovação. Educação significa boa escolas públicas, com professores ganhando salários dignos e condições ideais para o exercício de sua profissão. Essa educação precisa ser ótima desde a Ensino Infantil ao Ensino Superior. É algo que exige alto investimento dos governantes.

 

Rede

 

Saúde é algo que jamais poderá ficar de fora. Ninguém consegue trabalhar doente. Nenhuma empresa contrata funcionário que esteja com a saúde debilitada. Não é novidade que a saúde pública está sucateada. O SUS se encontra na UTI e parte do Congresso Nacional, sob bençãos do lobby da rede privada, tenta a todo custo destruí-lo. Por outro lado, um país que tenha mão de obra doente nunca será uma nação evoluída.

Mas infelizmente, os partidos de esquerda, incluindo o próprio PT, caíram na armadilha de viajar na “maionese” discutindo projetos de lei de interesse de minorias, como se os objetivos da minoria devessem passar por cima da maioria. Esqueceu a regra básica da votação de assembleia de trabalhadores, onde prevalece o que a maioria aprovou, após ampla discussão. Todas as propostas devem ser discutidas, mas sem esquecer do macro.

Trabalhador, o grosso do eleitorado, não está interessado em conversa de “bicho grilo”. Ele não quer saber se é errado chamar alguém de homem ou mulher, descasado ou solteiro, favela ou comunidade, desempregado ou sem recurso financeiro. Para ele vai interessar sempre ter dinheiro para não passar fome, saúde e boa escola para os seus filhos. O que passar disso é papo de intelectual, que encontra solução para tudo enquanto está bebendo na mesa do boteco.

 

Cabeça

 

A direita não é burra como insinua muitas pessoas. Ela não se divide, como ocorre com a esquerda. Tem foco e luta para concretizar os seus objetivos. Percebeu o vácuo deixado pelos partidos de esquerda na periferia e foi para lá vender o seu peixe embolorado com imagem de bom. Colocou na cabeça dos jovens que ele poderia ser empreendedor trabalhando mais de 12 horas por dia entregando comida ou mercadoria comprada pela internet, ganhando migalhas.

Igual água que tanto bate em pedra dura até que fura, esse discurso encontrou eco. Hoje, o Brasil tem mais de 1 milhão de trabalhadores informais que se encaixam neste perfil, desde ciclistas entregadores a motoristas que pegam as suas corridas em aplicativos. Qual proposta a esquerda vendeu para esse exército de trabalhadores?

Hoje o foco mudou. Tudo gira em torno do digital. É nesta praia que a esquerda precisa fazer as suas discussões. Ícones da década de 60, 70 e 80 não são os mesmos dessa nova classe de trabalhadores. Eles não gastam o seu suado dinheiro comprando CDs, mas baixam as suas canções preferidas na internet. Os seus artistas são outros. São jovens que resolveram descrever a dura realidade de onde vivem, com o seu próprio linguajar, às vezes bruto.

 

Empresa

 

Para nós que passamos dos 60 anos, como é o meu caso, é preciso abrir a visão e constatar que a realidade atual é diferente dos anos de chumbo do regime militar. O discurso é outro. O trabalhador de hoje é imediatista. Não lê jornal de sindicato, mas se informa pelas redes sociais sobre o que acontece no local onde trabalha, quando tem a sorte de ser contratado por uma empresa. É rápido. Deseja que os seus questionamentos sejam contemplados de forma imediata. Não vai perder tempo com longas teses, como era rotina no sindicalismo das décadas de 60 até 90.

Hoje a informação circula rapidamente. É algo instantâneo. É preciso que a esquerda brasileira coloque os seus pés no chão e perceba que o tempo mudou. Invista em lideranças sintonizadas com o momento atual. Deve arquivar os discursos que estiveram na moda no século passado. Estamos em novos tempos. A roda girou. É preciso abrir os ouvidos e saber o que o trabalhador de hoje quer falar. Não querer ser o dono da verdade. É preciso reciclar. Até o sindicalismo precisa adotar outra postura. Não perder tempo com discussão inútil.

Hoje, caso Lula morra, quem a esquerda tem para colocar no seu lugar? Nos diversos partidos de esquerda existentes no Brasil, quais são as lideranças que realmente têm condições de discutir em pé de igualdade com os líderes que a direita tem colocado na arena? Na área da comunicação de massa, qual investimento a esquerda faz para se aproximar da periferia? O próprio Mano Brown já está próximo de ser idoso. Atualmente tem 54 anos. Quem o substituirá?

 

Momento

 

O tempo não espera ninguém. Nem muito menos tem compaixão. Igual veloz carro de corrida, continua seguindo adiante na sua trajetória. O momento é de sentar e criar estratégias de como virar esse jogo. É momento de calçar as sandálias da humildade, deixar de lado o complexo de ser o dono da verdade (ninguém é, porque cada um nós temos as nossas verdades) e sair da zona de conforto. Ir até a periferia e entender os anseios da população.

Conversar com os jovens e ouvir as suas propostas. As suas ideias, os projetos que têm para o futuro que se aproxima todo o dia, porque o dia de ontem já é passado. Ir aos bailes que eles fazem nas ruas, bater papo com as lideranças musicais que fazem sucesso entre essa parcela da juventude. Se aproximar das mulheres que ganham o pão de cada dia vendendo salgadinhos na porta de casa, na porta do metrô, do ponto de ônibus, no rapaz que rala entregando pizzas durante a noite e mercadorias compradas pela internet durante o dia.

Arquivar os discursos de luta de classe, que fizeram a cabeça de muita gente no século passado, mas hoje não encontram mais eco entre a geração que nasceu depois de 1995. Para esse novo eleitor, o importante é o dia de hoje e o de amanhã. Ele está cansado de ouvir falar do passado. A esquerda precisa deixar de lado a mania de querer ser a dona da verdade. Se este leque não se abrir, vai chegar o dia que nem eleição de síndico a esquerda vai vencer.

 Luís Alberto Alves, jornalista, autor dos livros O flagelo do Desemprego” e “Por que o meio ambiente é tão importante ao trabalhador”. Foi assessor sindical durante 15 anos e trabalhou nos principais jornais de São Paulo.

 

 

 

 

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Aumento da população idosa brasileira exige rotina de cuidados

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 Radiografia da Notícia

* No mês dedicado aos idosos, especialistas do Cejam destacam algumas das principais medidas para garantir mais qualidade de vida

* Estima-se que essa parcela da população tenha aumentado ainda mais, chegando a 15,8%

Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que até o ano de 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos no mundo deverá atingir a marca de 2 bilhões

Redação/Hourpress

Em 2022, o Brasil registrou um aumento significativo na população idosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os idosos passaram a representar 10,9% da população total, um crescimento de 57,4% em comparação ao ano de 2010. Atualmente, estima-se que essa parcela da população tenha aumentado ainda mais, chegando a 15,8%.

Projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que até o ano de 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos no mundo deverá atingir a marca de 2 bilhões, ou seja, um em cada cinco indivíduos será idoso.

Diante desse cenário, é crucial que a sociedade esteja preparada para lidar com o envelhecimento da melhor forma. Para isso, o olhar atento para algumas questões é primordial nessa fase da vida, e uma delas é a saúde mental.

Vida

“Com o passar dos anos as relações afetivas e sociais podem ser prejudicadas pela perda dos vínculos que os idosos constituíram ao longo da vida, o que pode ocasionar isolamento social e, em casos acentuados, até mesmo a depressão”, afirma Taciana Ferreira, assistente social e supervisora multiprofissional do Cejam - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

Hoje, os idosos representam a faixa etária mais propensa ao desenvolvimento de depressão. O IBGE aponta que o quadro afeta 10,2% dos indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos. Dentre esses, a prevalência da doença é maior entre pessoas de 60 a 64 anos, atingindo 13,2% dos idosos.

Nesse cenário, a terapia deve ser vista como um tópico extremamente necessário. "Muitos idosos de hoje pertencem a uma geração que, por não ter tido acesso à assistência durante sua vida, tende a resistir ao processo de cuidado psicológico. Durante suas trajetórias, eles carregam questões familiares, lutos e outros problemas que, nessa fase, podem levar a doenças psicológicas e, até danos físicos”, explicou.

Solidão

A solidão é outro aspecto que merece atenção especial na terceira idade, uma vez que sua intensidade tende a crescer com o passar dos anos. Conforme dados da OMS, essa sensação pode aumentar em 25% o risco de morte, em 50% a probabilidade de desenvolver demência e em 30% as chances de contrair doenças cardiovasculares. Números que podem ser ainda mais alarmantes em uma fase marcada por maior vulnerabilidade.

“É fundamental que os idosos não se restrinjam apenas ao convívio familiar, mas também estejam inseridos em outros grupos sociais. Eles podem ser de cunho comunitário, religioso, de lazer ou esportivo. Essa participação proporciona a oportunidade de estabelecer novos vínculos e relações de amizade, o que é extremamente benéfico para a saúde mental e emocional.”

Já na parte no cuidado físico, a prática de esportes é tão importante como nas fases anteriores da vida.  As atividades nesse sentido ampliam a autonomia na realização de tarefas cotidianas dentro e fora de casa, minimizam dores, entre outros benefícios.

Força

“Entretanto, é fundamental garantir que não existam restrições temporárias ou permanentes que possam impedir a execução dessas atividades. Entre as opções de exercícios mais adequados para os idosos estão a musculação, natação, hidroginástica, exercícios aeróbicos e pilates”, ressaltou Taciana.

Uma rotina de exercícios ainda colabora com a diminuição de quedas, tida como a terceira causa mais comum de mortalidade entre as pessoas com mais de 65 anos, isso porque elas também desenvolvem a coordenação motora, força e equilíbrio.

A alimentação é outro pilar essencial, pois com o avanço da idade é comum surgirem queixas relacionados à falta de apetite e, consequentemente, perda de peso e massa muscular.

Crucial

"O acompanhamento nutricional, a implementação de uma dieta adequada, juntamente com a suplementação, pode fazer uma diferença significativa na vida dos idosos. É crucial também não esquecer a importância do acompanhamento odontológico. A necessidade de uso ou ajuste de próteses dentárias pode afetar o processo de mastigação e qualidade de vida, causando problemas adicionais", declarou a Dra. Gisela Saori Yoshimatsu, geriatra do CEJAM.

À medida que se envelhece, a pele é outro fator evidente que precisa de reparos. É durante esse momento que ela tende a se tornar mais fina e áspera, devido à diminuição na produção de óleos naturais pelo corpo.

“É essencial beber mais água para manter a pele hidratada internamente. Além disso, o idoso deve evitar banhos quentes e estabelecer uma rotina de hidratação externa com cremes específicos para auxiliar na manutenção da elasticidade e suavidade da pele”, complementa Maria Jurema Sales, enfermeira da instituição.

Quanto à exposição ao sol, recomenda-se evitar horários de maior incidência de raios UVA e UVB, pois estes podem acelerar ainda mais o envelhecimento cutâneo. “A utilização de protetor solar é indispensável ao idoso, usar acessórios como chapéus, bonés e sombrinhas podem potencializar a sua proteção.”

Por fim, a enfermeira reforça a necessidade de manter os exames de saúde em dia e buscar alternativas para utilizar corretamente as medicações prescritas ao longo dessa jornada.