segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Fogos de artifício: 5 dicas importantes para proteger os pets


 A queima de fogos nas festas de fim de ano pode assustá-los e causar acidentes
Pixabay
A queima de fogos é bela para os humanos e tortura para os animais


Redação

 Tradicionais nas festas de fim de ano, as queimas de fogos e rojão podem até ser um show à parte para humanos, mas para os pets, o estouro é quase que ensurdecedor. O som desses artefatos tem um nível que já é excessivo para nós, mas para os animais é ainda pior, e podem causar mudanças no comportamento, como agressividade, agitação, salivação em excesso, postura encolhida, tremores, hiperatividade e até a fuga.

A médica veterinária Karina Mussolino, gerente do Centro Veterinário Seres, rede de saúde do Grupo Petz, explica que o estampido dos fogos pode lesionar o tímpano e levar a quadros mais sérios, como a perda total de audição. "Há outros riscos importantes, que precisam ser considerados, como a tentativa de fuga, atropelamento ou mesmo se machucar em portões e janelas", comenta.

Para ajudar os tutores a aproveitar o momento ao lado dos melhores amigos, e em segurança, durante as festas, a profissional elenca cinco cuidados básicos e fundamentais para tranquilizar os pets.



Sozinhos não: estar perto dos bichinhos neste momento faz com que eles se sintam protegidos. Caso seja necessário deixá-los, a dica é espalhar pela casa alguma peça de roupa, toalha ou coberto com o cheiro do tutor.

Ambiente seguro: ao sair, feche portas e janelas. Os felinos gostam de se esconder, para isso, o ideal é restringir o espaço colocando caixas que possam servir de abrigo a eles, principalmente em pontos altos da casa.

Ligue o som: tente ir acostumando os bichos aos barulhos dentro de casa. Vale ligar TV e música com volume alto; fazer sons que simulem estouro com frequência e, enquanto faz isso, procure interagir e desviar o foco dos pets.

Sem punições: esse é um momento de muito estresse para cães e gatos, portanto, nada de demonstrar indiferença ao comportamento deles. Ao invés disso, ofereça recompensas, carinho e fique sempre por perto.

Nada de medicamentos: evite medicar os pets sem orientação de um veterinário na tentativa de acalmá-los. Para gatos, os tutores podem espalhar feromônios pela casa; para cães, deixe ao alcance brinquedos interativos para mantê-los entretidos.

Vigilância em Saúde organiza ação para coibir a venda de animais em feira clandestina

 Ofereceria muitos filhotes para venda na semana do Natal

   Arquivo

Muito consumidor não sabe a origem da carne que leva para casa



Redação

Agentes públicos ocuparam as calçadas do Aquário de Itaquera e os quarteirões adjacentes para impedir a montagem da feira clandestina e prestar serviços de orientação em saúde à população
A Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap), da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), em parceria com a Subprefeitura de Itaquera, realizou neste domingo (19) mais uma ação de combate aos maus-tratos e à venda clandestina de animais domésticos.

A operação ocorreu na região do Aquário de Itaquera e teve apoio da Divisão de Vigilância de Zoonoses (DVZ), da Unidade de Vigilância em Saúde (Uvis) Itaquera. Também participaram a Guarda Civil Metropolitana (GCM), Guarda Civil Metropolitana Ambiental, Polícia Militar Ambiental e Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), além de equipes de autoridades sanitárias, veterinários e agentes de controle de endemias.

Antes das 6 horas da manhã, os agentes públicos ocuparam as calçadas em frente ao Aquário de Itaquera e os quarteirões próximos para impedir a montagem de uma feira clandestina de animais que, segundo informações, seria a maior do ano e ofereceria muitos filhotes para venda na semana do Natal. Devido à chegada antecipada e montagem de tendas do poder público municipal, no mesmo lugar em que seria realizada a feira clandestina, foram oferecidos serviços de orientação em saúde à população.

Em novembro deste ano, as equipes da Covisa e da Cosap já haviam feito uma megaoperação de resgate de filhotes no mesmo local, na qual mais de 50 gatos, coelhos e cachorros foram resgatados, alimentados, hidratados e atendidos por veterinários. Eles também foram vacinados, registrados, castrados, microchipados e encaminhados para adoção (clique aqui e acesse mais informações sobre o procedimento de adoção).

A Prefeitura de São Paulo esclarece que o comércio de animais deve se dar em estabelecimentos devidamente regularizados e com nota fiscal. Dessa forma, qualquer comercialização que ocorra fora dos estabelecimentos regulares, e sem nota fiscal, é considerado comércio ilegal.

A Pasta também orienta que as pessoas que pretendem dar um animal doméstico de presente neste Natal procurem criadores e comércios legalizados e que prezam pela saúde e o bem-estar dos animais.

Não recebeu a segunda parcela do 13º Salário? Saiba o que fazer

 Ele lembra que a multa é administrativa em favor do Ministério do Trabalho

Por causa da crise econômica, muitos trabalhadores ficarão sem 13º salário


Redação

Hoje dia 20 de dezembro vence a data limite para pagamento da segunda parcela do 13º Salário, cujo pagamento é obrigatório. Mas, e se a empresa não pagou, o que fazer?

"O 13º salário é uma obrigação para todas as empresas que possuem empregados, e o seu não pagamento é considerado uma infração (Lei 4.090/62), podendo resultar em pesadas multas para a empresa no caso de autuada por um fiscal do Trabalho. Para se ter ideia, o valor é de 160 UFIRs (R﹩170,25) por empregado, e esse é dobrado em caso de reincidência", diz conta Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade.

Ele lembra que a multa é administrativa em favor do Ministério do Trabalho e que, além dessa, dependendo da Convenção Coletiva da categoria, pode existir cláusula expressa retratando a correção do valor pago em atraso ao empregado. É importante lembrar que quem possui empregados domésticos também são obrigados a pagar esse valor.

Para entender melhor, a Confirp Contabilidade respondeu as principais dúvidas sobre o tema:

- O que fazer se a empresa não pagou o 13º salário? A quem recorrer?

Por haver previsão legal para o pagamento, o funcionário ativo que deixou de receber a primeira parcela do 13º salário até o dia 30 de novembro, ou a segunda parcela em 20 de dezembro, poderá ingressar com ação trabalhista no Mistério do Trabalho contra a empresa sendo representado por seu advogado ou sindicato da categoria. Mas, o recomendado é sempre buscar a área de recursos humanos da empresa antes, para entender o que ocorreu e buscar uma solução amigável.

- Quais são as punições para a empresa?

Não pagar ou atrasar o pagamento do 13º salário "gratificação natalina" é considerado uma infração, podendo resultar em pesadas multas. O valor da multa é de 160 UFIRs (R﹩ 170,25) por empregado e será dobrado em caso de reincidência.

- A companhia pode utilizar alguma desculpa, como a crise econômica, para deixar de pagar o benefício?

Até o momento, não há previsão legal para o não pagamento do 13º salário para funcionários ativos.

- Como calcular o 13º salário?

Primeira parcela, data de pagamento foi até 30 de novembro: O trabalhador recebe 50% do valor total do seu salário bruto, sem nenhum desconto.

Segunda parcela, data de pagamento é 20 de dezembro: A segunda parcela é descontada Imposto de Renda e INSS, ou seja, ela é menor do que a primeira. Quem pediu o adiantamento do 13º salário nas férias não recebe a primeira parcela, somente a segunda.

O cálculo do 13º salário deve considerar o salário do trabalhador e verbas como horas extras, comissões e adicional noturno ou de insalubridade. Benefícios como vale-transporte e participação nos lucros da empresa não entram na conta.

Cálculo do 13º proporcional quem não trabalhou o ano completo: Divida o seu salário bruto, ou seja, a remuneração registrada na carteira, sem descontar Imposto de Renda e INSS por 12 e multiplique o resultado pelo número de meses em que trabalhou com fração igual ou superior a 15 das dentro do mês. A primeira parcela será equivalente à metade desse valor, sem descontos.

O que diz a CLT sobre o descanso no fim de ano?

 O benefício é opcional para o empregador, mas deve seguir às leis quando oferecido ao empregado

    Agência Brasil

O período costuma ser benéfico para os dois lados


Redação

O mês de dezembro é sinônimo de descanso para muitos trabalhadores, já que diversas empresas oferecem o benefício de “férias coletivas” e paralisam suas operações até a chegada do próximo ano. O período costuma ser benéfico para os dois lados, já que oferece a possibilidade dos trabalhadores desfrutarem do descanso e a diminuição das atividades comerciais em períodos de menor atividade.

Pela lei, o benefício de férias coletivas deve ser oferecido para todos os colaboradores de determinados setores ou aplicável para toda a empresa/estabelecimento, desde que observado os requisitos mínimos que devem ser cumpridos pelo empregador. 

Segundo Bruna Cavalcante Kauer, advogada especialista em Direito Trabalhista do escritório Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados é necessário que a empresa comunique o representante local do Ministério da Economia, com quinze (15) dias de antecedência, sobre a intenção de oferecer as férias, o seu período de início e término, indicar os departamentos e setores contemplados e comunicar os respectivos sindicatos de classe. O ponto de atenção, segundo a especialista, está em “comunicar, com a mesma antecedência, todos os empregados que serão contemplados. Dessa forma, é possível manter a organização da rotina entre as duas partes”, disse.

Já a contagem dos dias deve observar as datas comemorativas, como 25 de dezembro (Natal) e 01 de janeiro (Confraternização Universal) e não devem ser descontadas em benefício do empregado - exceto se previsto em acordo ou convenção coletiva. 

Faltas

A incidência de faltas injustificadas pode prejudicar o período de férias a que o trabalhador tem direito. O artigo 130 da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) sinaliza que seis faltas injustificadas, por exemplo, são suficientes para que o trabalhador desfrute de 24 dias de férias - e não 30, como de praxe. O mesmo vale para as férias coletivas, como sinalizou Bruna. 

“Assim como as férias individuais, as coletivas observam as faltas injustificadas dentro do período aquisitivo do empregado, de forma que deverão ser abatidos dos dias de férias a que faz jus o empregado”, comentou.

Remuneração

Os vencimentos de direito do empregado devem seguir o estabelecido pela lei no que diz respeito ao período de férias. O empregado deverá realizar o pagamento do salário, em sua totalidade, acrescido de um terço e depositado em até dois dias antes do início das férias coletivas. 

Bruna Cavalcante Kauer diz que “benefícios como vale-transporte, vale-refeição/alimentação e outros pagamentos adicionais, não considerados de natureza salarial, não fazem parte da base de cálculo utilizado para a remuneração de férias''. No entanto, o empregador deve observar os acordos e convenções de trabalho sobre direitos específicos de determinadas classes profissionais. 


Estudo inédito revela médias salariais na área de tecnologia

 O conteúdo foi desenvolvido por meio de inteligência artificial

   Pixabay

O Guia Salarial analisou os cargos de especialista, coordenador, gerente e gerente sênior


Redação

Não há dúvida sobre o quanto a área de TI está em alta. Com a pandemia e a necessidade emergencial de adoção de novas tecnologias, a busca por esses profissionais aumentou de forma exponencial, assim como as remunerações de muitos dos cargos ligados a esta área. Buscando entender esse panorama, a Yoctoo, consultoria boutique em recrutamento e seleção de TI, inovação e digital, acaba de publicar o primeiro Guia Salarial exclusivo do setor.

A empresa utilizou o tipo de pesquisa exploratória, a fim de cruzar diferentes variáveis e sintetizar dados de diversas áreas de atuação, níveis profissionais e segmentos. “Utilizamos os dados coletados nas centenas de entrevistas feitas pela nossa equipe com profissionais de tecnologia ao longo de todo o ano de 2021”, explica Paulo Exel, diretor da Yoctoo na América Latina.

O mais interessante é que o conteúdo foi desenvolvido por meio de inteligência artificial, a partir do cruzamento da base de perguntas e respostas de centenas de profissionais e clientes da Yoctoo. “Com isso, conseguimos não apenas um panorama geral da área de tecnologia no ano de 2021, como também antecipar tendências para 2022”, acrescenta.

Cargos analisados – O Guia Salarial analisou os cargos de especialista, coordenador, gerente e gerente sênior, ou seja, da média à alta gerência, que é a área de atuação da Yoctoo. Os valores consideram apenas os salários brutos mensais, desconsiderando outros benefícios, como bônus e remunerações variáveis.

Foram analisados vários cargos dentro das áreas de segurança da informação, engenharia de software e ERP, infraestrutura, engenharia de dados, executivos de TI (como CTO, CSIO, CPO, CDO e CIO), inovação e digital (como Product Owner, Scrum Master, Agile Coach, UX e UI).

Dentre todos, o cargo com menor salário é o de especialista em infraestrutura de redes, a partir de R$ 7 mil. Entre os mais altos, estão os cargos de gerente sênior de todas as áreas, que variam entre R$ 22 e R$ 32 mil. Já os cargos executivos partem de R$ 28 e podem chegar a R$ 65 mil, de acordo com os especialistas desta consultoria. 

O estudo mostrou ainda que todas as posições ligadas a backend de Engenharia de Software, DevOps/Cloud em Infraestrutura, além de Engenharia e Ciência de Dados foram as que mais registraram fuga de talentos para o exterior. “Com o home-office, os profissionais têm liberdade para trabalharem de onde quiserem. É natural que muitos profissionais aproveitem esse momento de aquecimento do mercado global para trabalhar para uma empresa estrangeira, recebendo em Dólar ou Euro”, pontua Exel. Chama atenção ainda o fato de que, dos 39 cargos analisados, a pandemia gerou aumentou nas faixas salariais analisadas em 29 deles. Os outros 10 se mantiveram em estabilidade. Nenhum cargo registrou queda.

Por fim, o Guia mostrou ainda os cargos mais promissores para 2022. Entre eles, Arquitetura Enterprise/ Negócios, todas as posições na área de dados, e na área de segurança, especialmente as de governança e estratégia. “Essas áreas continuarão aquecidas para dar sustentação à transformação digital das empresas”, antecipa o diretor.

O Guia Salarial Yoctoo está disponível para download no https://bit.ly/guiasalarialyoctoo. “Nosso objetivo é oferecer ao mercado um material prático, capaz de ajudar as empresas na criação de políticas de cargos e salários na área de TI e os profissionais, no planejamento de suas carreiras para 2022. É a forma de contribuirmos com o nosso conhecimento e análise para esse setor tão fundamental para a economia nesse momento”, finalizou.

 

E la nave va

 O tom mais duro do comunicado da reunião do COPOM

A economia do Brasil está a caminho do brejo


Luis Otavio Leal

A tradução do título do italiano para o português seria algo como “e o navio vai”. Entretanto, ele também pode nos remeter ao famoso filme de Frederico Fellini que, em português, ficou conhecido como “O navio”.

Os dois conceitos se completam na análise das perspectivas para a economia brasileira a partir da decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM) do último dia 8. Por um lado, a analogia da visão de um navio seguindo o seu curso nos parece apropriada para a condução da política monetária por parte do Banco Central do Brasil (BCB); por outro, a situação distópica que vivenciamos diariamente, não só nas nossas vidas, mas também na economia, lembra o surrealismo do filme de Fellini. Talvez a cena final da película reflita de maneira perfeita essa conjunção de fatores: o protagonista Orlando, interpretado por Freddie Jones, está em um bote salva-vidas com um rinoceronte e, virando-se diretamente para a câmera, afirma: “Você sabia que rinocerontes fêmeas produzem um excelente leite?”. Nada mais bucólico e utópico ao mesmo tempo. 

Com o mundo real mais utópico do que bucólico, vamos tentar, a partir da análise das indicações dadas pelo BCB na reunião do COPOM do último dia 8, responder a várias perguntas que ainda pairam no ar sobre a política monetária: “os aumentos nos juros serão suficientes para trazer a inflação para a meta?”, ou “qual o custo em termos de crescimento desse aperto monetário?”.

O COPOM do último dia 8, voltou a elevar os juros em 1,5 p.p. (de 7,75% a.a. para 9,25% a.a.) como esperado. Também como esperado, comprometeu-se a dar mais uma rodada da mesma dose na reunião do início de fevereiro. Entretanto, nem tudo ocorreu “como esperado”. O tom do comunicado da reunião veio sendo bem mais duro do que estava precificado. 

Para entender o porquê disso, primeiro temos de observar que, ao contrário do que esperávamos, os recentes números de atividade piores do que o esperado não parecem ter tido muito peso na decisão do COPOM do último dia 8. Sobre o tema, o comunicado da reunião reservou apenas um parágrafo bem sucinto: “Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores divulgados desde a última reunião mostram novamente uma evolução moderadamente abaixo da esperada”. O resto do texto mostra um BCB muito mais preocupado com a possibilidade de a inflação sair de controle. 

A primeira indicação disso vem do seu próprio modelo básico. Considerando a premissa de que a trajetória de juros daqui para frente seguiria aquela projetada pelo boletim Focus (os juros chegando a 11,75% a.a. em março e fechando o ano em 11,25% a.a.), a inflação para 2023 ficaria em 3,20%, para uma meta de 3,25%. Juntando essa informação ao fato de que o BCB trabalha com um viés de alta nas suas projeções, podemos supor que os juros ao final do ano que vem teriam que ser maiores do que os 11,25% a.a. indicados pelo Focus. Mas “quanto” maiores?

Para responder a essa pergunta, devemos ir para o “coração” do comunicado dessa reunião: “O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”. Ou seja, a questão-chave para prever a trajetória de juros daqui para frente é projetar o que seria, na visão do BCB, avançar "significativamente no território contracionista”.

O período entre 2016 e 2017, tem sido citado reiteradas vezes por Roberto Campos, como um exemplo de desinflação da economia brasileira, pois a Selic chegou ao seu nível máximo de 14,25% a.a. em julho de 2015, ficando estável nesse patamar até outubro de 2016, quando começou a ser reduzida. Ao considerarmos os cálculos para a taxa de juros nominal neutra de equilíbrio naquele período, chegamos à conclusão que avançar "significativamente no território contracionista” representou 5,25 p.p.. Assim, quando trazemos esse mesmo valor para os dias atuais, significaria uma taxa de 12,25% a.a., o que representaria mais duas altas no ritmo atual de 1,50 p.p.. Entretanto, ao considerar a fraqueza do nível de atividade, que já aparece nos dados, mesmo antes da política monetária ter um impacto mais relevante, acreditamos que o BCB não vai chegar a tanto, parando em 11,50% a.a.. Assim, é importante salientar que não é buscar um pouco mais de inflação para ter mais crescimento; é reduzi-la ao máximo sem colocar a economia em recessão. Lembrando a frase “para matar o carrapato, não precisa colocar fogo na vaca”. 

O tom mais duro do comunicado da reunião do COPOM do último dia 8 reflete a situação desconfortável do BCB. Ao mesmo tempo em que a inflação corrente não dá sinal de arrefecimento, já impactando as projeções de 2023 e de 2024, a atividade econômica dá repetidos sinais de fraqueza, antes mesmo de ser impactada pelas primeiras rodadas de alta dos juros. No entanto, acreditamos que os números de crescimento econômico divulgados nos próximos meses serão ruins o suficiente para, em conjunto com o discurso mais duro do BCB, trazer as projeções do IPCA, a partir de 2023, novamente para a meta, facilitando a condução da política monetária. Ainda assim, apesar de termos uma visão otimista (do ponto de vista do BCB) da relação “crescimento contra expectativa de inflação”, não nos parece utópico traçar cenários nos quais continuamos a importar inflação externa e, consequentemente, os índices de preços por aqui continuem pressionados, mesmo com a desaceleração acentuada do nível de atividade. 

O que o BCB faria nessa situação limite? Aumentaria mais os juros e colocaria a economia em recessão? Ou acomodaria parte dos choques externos e buscaria uma convergência mais longa da inflação para meta? Difícil dizer, assim como nos parece difícil se sentir confortável dividindo um bote salva-vidas com um rinoceronte fêmea, mesmo que ela dê um bom leite.

*Luis Otavio Leal é economista-chefe do Banco Alfa

Mais de 100 mil veículos ficaram expostos a cibercriminosos no Brasil e no mundo

 A falta de proteção e atualização das máquinas, na época realizada com padrões antigos, resultou no risco de vazamento 

    Arquivo

As informações obtidas permitiam identificar o proprietário pela placa do automóvel 


Redação

A partir de um levantamento na busca por computadores vulneráveis, a CySource, centro de referência e pesquisa em cibersegurança israelense, identificou a exposição de dados em mais de 100 mil veículos de uma multinacional que possui atuação no Brasil, especializada em rastreamento por GPS e gerenciamento de frota, a Uffizio. As informações obtidas permitiam identificar o proprietário pela placa do automóvel em diversos países e interromper o seu percurso no meio da rua, além de fechar e abrir portas, desconectar sistemas e até ouvir a conversa das pessoas dentro dos carros.

Com a exposição de um arquivo conhecido como JSON (Notação de Objetos JavaScript), detalhes de um banco de dados espalhados por 20 países, localizados em 50 computadores diferentes, poderiam ter sido acessados facilmente por hackers mal-intencionados.

A falta de proteção e atualização das máquinas, na época realizada com padrões antigos, resultou no risco de vazamento de dados dos revendedores e, com eles, informações pessoais da carteira de clientes. A interface no gerenciamento da frota de veículos também poderia ter sido vítima dos ataques. “A falha possibilitaria que os hackers enviassem mensagens para o GPS, em forma de comandos, para também descontinuar o monitoramento”, explica Rustam Amin, hacker ético da CySource.

Segundo ele, após uma avaliação detalhada da infraestrutura das soluções fornecidas pela Izzio ao redor do mundo, foram detectadas as implantações de produtos hospedados nas máquinas. “Revertemos a situação ao bloquear o vazamento do JSON até a sua completa remoção. Por fim, recomendamos que as verificações e melhora da segurança do produto seja prioridade para a empresa após esse susto”, aponta Rustam Amin.

Além do Brasil, a falha ocorreu no Chile, Colômbia, Quênia, Índia, México, Catar, Nepal, Reino Unido, Gana, Arábia Saudita, Omã, Dubai, Tanzânia, EUA, Finlândia, Alemanha, Irlanda, Nepal e Holanda.