terça-feira, 24 de agosto de 2021

Conheça algumas verdades sobre os cristãos no Afeganistão

 


A  situação deles já era de extremo risco antes  da retomada do poder pelo Taliban

Redação/Hourpress

A Portas Abertas estima que existam milhares de cristãos no Afeganistão, mas por razões de segurança não é possível publicar o número exato. Quanto à presença de missionários estrangeiros no país, a Portas Abertas não tem dados a esse respeito, visto que a organização não envia missionários. Nosso trabalho é focado no apoio aos cristãos locais em países onde há perseguição. Esse apoio é feito por meio de parceiros locais, sejam organizações, igrejas ou indivíduos.

No entanto, gostaríamos de esclarecer que a notícia que tem circulado nas redes sociais sobre 229 missionários cristãos terem sido condenados à morte por radicais islâmicos no Afeganistão é comprovadamente fake news. Esse tipo de notícia não deve ser compartilhado. É necessário checar as informações antes de repassar, pois informações falsas podem colocar a vida de pessoas em risco, ao invés de ajudar.

Todos os cristãos afegãos são convertidos do islamismo e não podem viver a fé abertamente. Deixar o islã é considerado ilegal e punível com a morte de acordo com a lei islâmica. Muitos convertidos cristãos enfrentam consequências terríveis se descoberto: ou precisam fugir do país ou serão mortos.

A família, clã ou tribo tem que “salvar sua honra" eliminando o cristão. Nem os grupos islâmicos radicais nem a família de um convertido mostram misericórdia a este respeito. Como os convertidos são considerados loucos por deixar o islã, alguns podem acabar em um hospital psiquiatra.

Situações verdadeiras que os cristãos no Afeganistão enfrentam

Apesar de se comprometer com alguns tratados internacionais de direitos humanos, mesmo antes da ascensão do Talibã, o país já violava os direitos dos cristãos das seguintes formas:

  1. Cristãos ex-muçulmanos são mortos se tão somente houver suspeita de sua fé;
  2. Mulheres convertidas são casadas à força e obrigadas a renunciar às suas crenças;
  3. Afegãos são considerados muçulmanos e não estão autorizados a mudar de religião;
  4. Os cristãos não podem exibir quaisquer imagens ou símbolos religiosos;
  5. Filhos de cristãos ex-muçulmanos são forçados a aderir aos preceitos religiosos islâmicos e receber ensino islâmico.

Devido à volatilidade da situação no país e à situação de segurança cada vez pior, os pequenos grupos de cristãos permanecem profundamente ocultos. Mesmo nos 20 anos em que tropas internacionais ocupavam o país, eles já eram afetados pela insegurança, sobretudo os que viviam em áreas controladas pelo Talibã. As dificuldades econômicas – situação agravada pela crise da COVID-19 – também os afetam.

Essas são as informações confiáveis que a Portas Abertas pode disponibilizar sobre nossos irmãos afegãos. Qualquer coisa além disso poderia colocar a segurança deles em risco. Com certeza, o que eles precisam nesse momento é de nossas orações. Por isso, ore pelo Afeganistão e fique atento para não repassar informações não verídicas.

Talibã "paz e amor"

 


Será que este retrocesso é fato ou apenas sensação de déjà-vu

*João Fortunato


Bastou o governo norte-americano oficializar a retirada de suas forças armadas do Afeganistão para o mundo ter a sensação de que o País, em questão de horas, retrocedeu 20 anos no tempo. Soldados americanos ainda estavam embarcando no aeroporto da capital, Cabul, quando o Talibã assumiu o controle do País. O grupo é velho conhecido do Ocidente, antes mesmo do surgimento de Osama Bin Laden, mentor do ataque às torres gêmeas de Nova York e pretexto para a invasão norte-americana ao País, em 2001. Eles, desde 1996, quando assumiram o poder pela primeira vez, frequentam o noticiário internacional. As atrocidades que cometiam imediatamente viravam notícia, sobretudo contra as mulheres, em razão da aplicação de uma interpretação própria da Lei Islâmica, a Sharia, extremamente rigorosa.

Será que este retrocesso é fato ou apenas sensação de déjà-vu, provocada pela repetição de imagens - homens barbudos, armados até os dentes, ocupando os espaços públicos na capital? Só o tempo poderá dizer.

Por ora, o que se percebe com nitidez é o Talibã tentando gerenciar a percepção pública mundial. Aparentemente estão mais "tolerantes", inclusive com a mídia, tanto que promoveram uma coletiva de imprensa e, surpreendentemente, permitiram qualquer tipo de pergunta e responderam objetivamente a todas. O porta-voz do grupo parecia bem treinado e dava a impressão de ter as respostas na ponta da língua. Chamou a atenção também a participação das jornalistas, que puderam fazer seus questionamentos sem censura. Mas o trabalho de Relações Públicas do Talibã foi ainda mais adiante: um dirigente do grupo concedeu entrevista ao vivo à TV local, onde foi entrevistado por uma jornalista.

Apesar disso, o Ocidente, com razão, olha com desconfiança para esta versão Talibã "paz & amor". Não acredita que a sua interpretação radical do Islã tenha mudado, o que significa dizer que a vida da população será difícil e mais ainda para as mulheres. Mas, não se pode esquecer, que vinte anos se passaram e o mundo mudou bastante nesse período. Embora alguns dos antigos dirigentes estejam retornando ao País, novos surgiram durante a ocupação americana e quem sabe com uma "cabeça" um pouco mais moderna. É possível torcer.

Os jornalistas perguntaram sobre como as mulheres seriam tratadas pelo novo regime, se obrigadas a viver como há vinte anos, quando não podiam sair de casa sozinhas, trabalhar, frequentar escolas e obrigadas a usar a Burca, vestimenta que cobre o corpo por inteiro, da cabeça aos pés. A resposta foi direta, sem titubeios: "serão tratadas no limite do Islã", afirmou o porta-voz, acrescentando que elas poderão seguir com os seus trabalhos fora de casa. Tomara que seja verdade.

O Talibã tem inúmeras razões para usar as ferramentas de Relações Públicas na tentativa de mudar a percepção pública, de mostrar ao mundo que hoje estão mais tolerantes. O País está sem reservas cambiais e, como se não bastasse, ainda sofre com uma grave seca. As dificuldades que despontam no horizonte próximo são grandes e o Afeganistão vai precisar de ajuda humanitária.

O País, como se sabe, tem como vizinhos de fronteiras duas grandes potências, a Rússia e a China, que mantiveram no Afeganistão as suas representações diplomáticas e podem ser importantes aliados não apenas na reconstrução do País, mas também no fortalecimento, se verdadeira, dessa nova imagem que o Talibã quer passar para o mundo. O testemunhal, que a publicidade utiliza com frequência, sempre dá bons resultados. Será preciso esperar um tempo para saber o que representantes da Rússia e China, que permanecem em Cabul, estão vendo e ouvindo, se o Talibã "paz & amor" é realidade ou mais uma história de ficção oriental.

Estudo: 65% das mulheres brasileiras acreditam ser motivo da infertilidade do casal



Muitas vezes, a baixa concentração de espermatozoides é a causa de tal insucesso. 

Redação/Hourpress

Muitos casais que resolvem engravidar pensam que nas primeiras tentativas já irão conseguir o positivo. Porém, não é bem assim que acontece, já que a gravidez depende de uma série de fatores. E, quanto mais o tempo vai passando, mais as mulheres vão ficando preocupadas e se sentindo culpadas por não estarem conseguindo.  

Conforme constatou a Famivita em seu mais recente estudo, 65% das brasileiras acreditam ser as responsáveis por não conseguirem engravidar. Principalmente as mulheres dos 35 aos 39 anos, com 66% das entrevistadas. E entre as mulheres que ainda não têm filhos, 69% se culpam por não conseguir engravidar.

É comum as pessoas atribuírem a dificuldade de engravidar à saúde reprodutiva da mulher. Isso, porque existe uma falsa ideia de que o homem sempre tem espermatozoides, portanto, não pode ser infértil. Contudo, metade dos casos de infertilidade é atribuído a condições masculinas. Muitas vezes, a baixa concentração de espermatozoides é a causa de tal insucesso. 

E, conforme constatamos, 78% dos brasileiros nunca testou o seu esperma. Fato esse que tem relação com o alto custo dos exames de análise do sêmen, e por isso, muitas vezes, acaba-se não chegando à real causa da dificuldade em engravidar. O percentual de parceiros que nunca testaram o esperma é maior entre os homens dos 25 aos 29 anos, com 81% dos participantes. 

Já os dados entre estado, demonstram que, a Paraíba é o estado em que mais homens já testaram seu sêmen, com 30% da população. No Rio de Janeiro e em São Paulo, o percentual é de 24% dos parceiros que já testaram. E o estado com o menor número de testes de sêmen, é Santa Catarina, com 13% dos entrevistados.

Além do alto custo dos testes de sêmen, para o homem, muitas vezes, é desconfortável ter que ir à uma clínica fazer o espermograma. Portanto, nada melhor do que poder fazer o teste em casa. E para isso, existe o teste de fertilidade masculina, que é um autoteste rápido. Ele foi desenvolvido para detectar de forma qualitativa uma concentração igual ou superior a 15 milhões de espermatozoides por mililitro, a quantidade mínima considerada como normal pela Organização Mundial da Saúde. Sendo possível, assim, detectar eventuais problemas com a fertilidade masculina.


Dez análises para fazer antes de comprar um terreno

 


Um profissional, como um arquiteto, pode lhe orientar previamente

Julie Schultz

Na hora de escolher um terreno para construir, é muito importante se atentar para detalhes que geralmente passam despercebidos. Comprar um terreno nem sempre é uma tarefa simples, exige questionamentos para que a compra não gere problemas posteriores.

Abaixo, cito algumas dicas que podem ajudar no processo de escolha.

Acompanhamento técnico 

Na hora da compra, alguns fatores devem ser considerados. Por exemplo: orientação solar, ventos dominantes para ventilação natural, topografia do terreno, drenagem, tipo de solo, vertentes de crescimento urbano, potencial de valorização do lote entre outros. Um profissional, como um arquiteto, pode lhe orientar previamente antes de fechar a compra do terreno e pode te indicar o que será possível construir.

Observe a topografia 

O local do terreno poderá ser plano, em aclive (sobe em direção ao fundo) ou em declive (desce em direção ao fundo), ou seja, o nível da rua está mais alto que o fundo do terreno. Com estes traçados e inclinações, um projeto arquitetônico feito com um arquiteto atencioso poderá aproveitar melhor o perfil natural evitando assim a movimentação excessiva do terreno, ou seja, o acréscimo de terra ou cortes de terra.

A movimentação de terra acaba deixando a obra mais cara, pois é necessário prever estruturas de contenção (muro de arrimos) e de drenagem. Os terrenos mais íngremes (declive ou aclive) costumam ser muito mais baratos que os planos e permitem uma estética mais interessante visualmente quando o projeto é elaborado por um arquiteto. 

Análise do tipo de solo 

É necessário contratar uma sondagem do solo para verificar as camadas e apoiar o alicerce na camada apropriada para se ter certeza do tipo de fundação.

Mas, como saber se o solo é bom antes de comprar terreno? 

Observe se existem muitas pedras na superfície, se há proximidade com córregos, rios, nascentes, cursos d'água, tubulações e córregos. Geralmente, os solos mais úmidos correm o risco de alagamentos e para um bom projeto de estrutura será necessário investir alto em fundação.

Insolação 

É importantíssimo verificar onde o sol nasce e onde ele se põe. No projeto arquitetônico bem elaborado, os quartos deverão ser voltados para o nascer do sol, mas ficar atento com a face voltada pro sol nascente se realmente fica num bom lugar do terreno ou se ela está virada para um prédio alto que faz sombra no terreno, assim seu vizinho poderá ‘roubar’ seu sol.

Localização 

Observe e visite o terreno em horários diferentes. Inclua visitas na parte da noite  e no final de semana, para saber se existe algum barulho excessivo ou incômodo. Leve em consideração também os odores do local do terreno. 

Recuos obrigatórios 

É necessário ficar atento com os recuos frontais, laterais e do fundos. Geralmente, em terrenos muito estreitos é obrigado a deixar um recuo lateral, ou seja, você não poderá ocupar toda a largura do terreno. Quem determina isso é a Lei de Uso e Ocupação do Solo de cada município e do condomínio.

Em geral, a largura da frente do terreno é valorizada e corresponde a 30% do preço do lote. Quanto maior a frente, mais caro. E se for de esquina, mais caro também, pois são mais opções de projeto, de insolação e de ventilação. Embora seja mais caro, pode valer a pena porque você conseguirá aproveitar melhor o terreno do jeito que quiser. 

Zoneamento e limitações 

Cada cidade tem seu próprio zoneamento. O plano diretor determina o que pode ser construído no local. O zoneamento define também o número de andares que poderá construir e até quantos metros de altura sua edificação poderá chegar e quanto pode ocupar do solo. Caso seja um loteamento em condomínio, verifique as condições que o condomínio impõe.

Mata nativa 

Verifique se o terreno tem muitas árvores. Se for necessário retirar algumas no local onde vai fazer a casa, verifique na prefeitura se aquele terreno tem restrições. As árvores nativas são protegidas por diversas leis e você precisará pedir uma licença se quiser cortar para não sofrer uma multa posterior. A melhor alternativa é contratar um arquiteto para elaborar um projeto arquitetônico sem derrubar nenhuma das árvores, fazendo um projeto em que a natureza se integre à residência.

Infraestrutura do terreno 

Verifique se as concessionárias de luz, abastecimento de água e as redes de esgoto e de gás chegam ao seu terreno. Veja também se as ruas são pavimentadas, se a região é servida por transporte público e se tem fácil acesso aos hospitais, supermercados, padarias, farmácia, escola e outros serviços que você acha importantes.

Estar em uma área mais estruturada aumenta o custo do terreno, mas pode te dar melhor qualidade de vida e até fazer você economizar tempo e dinheiro.

Documentação 

Para escolher o terreno, verifique se não há nenhum problema com a documentação, exija a certidão de propriedade do terreno atualizada ( emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis) para saber se a situação está regular. Também é importante pedir as certidões de ações dos distribuidores (cartórios) cíveis, de protesto, de execuções fiscais e de ações federais do proprietário.

Esses documentos indicam se há ações contra o proprietário que envolvam o terreno a ser vendido.Se for comprar de pessoa jurídica, você precisa pedir a Certidão Negativa de Débitos (CND) do INSS. Seja quem for o vendedor, não se esqueça de pedir o carnê do IPTU, no qual constam as metragens do terreno e seu valor venal, e a Certidão Negativa de Débitos Municipais, que mostra se existem dívidas com o município, referentes ao terreno.

*Julie Schultz é arquiteta da 8Haus - escritório especializado em projetos arquitetônicos de alto padrão e sustentáveis. 

Depilar a região intima ou não, eis a questão

  


Especialista aponta os cuidados para quem opta pela remoção dos pelos

Redação/Hourpress

Utilizar métodos depilatórios ou não é uma questão de escolha, principalmente quando se fala em depilação íntima. Para quem gosta de manter os pelos mais aparados ou até mesmo não ter, a dica é procurar por serviços de qualidade, pois, por descuido de uma profissional não treinada ou gabaritada para tal, pode-se machucar a pele, manchando-a, dependendo do método utilizado, ou infeccionar os poros. Para Regina Jordão, CEO e fundadora do Pello Menos, seja em datas especiais ou comemorativas, como é caso o Dia do Sexo, ou simplesmente no dia a dia o que manda é o gosto da mulher. “O  mais importante é se sentir bem ao seu modo. Afinal, não existe nada melhor do que estar bem com o seu próprio corpo”, argumenta. No entanto, quem optar pela retirada dos fios deve tomar algumas precauções de acordo com o tratamento escolhido. Confira as opções!

 Laser: ao contrário do que muitos pensam, o recurso também pode ser utilizado na depilação íntima total, que inclui virilha, lábios externos, ânus, cóccix e faixa do baixo ventre. Ou, pode ser feito apenas na virilha, por exemplo, de acordo com a preferência da pessoa. Para realizar o procedimento é preciso retirar os fios, alguns dias antes da sessão de laser. Também fica contraindicado o uso de ácidos ou cosméticos no dia da sessão. Outra precaução é evitar a exposição ao sol nas semanas anterior e posterior ao procedimento. “A maior vantagem é a praticidade já que, após determinado período, não é mais necessário se preocupar com depilação”, comentou Regina.

Cera: o procedimento é bastante indicado por dermatologistas para tais áreas do corpo, pois ocorre a retirada através da raiz, o que garante resultados mais duradouros. As orientações para quem opta por esse tipo de tratamento é evitar exposição solar cerca de 48h antes e depois da depilação. Após a sessão, recomenda-se não aplicar produtos que possam irritar a região como dermocosméticos à base de álcool e utilizar pomadas ou cremes com ingredientes calmantes. “A cera não tem contraindicações, sendo um procedimento seguro, não invasivo e que proporciona excelentes resultados para a pele”, finalizou a especialista.

Fumo: Aumenta consumo no Brasil

 


No próximo domingo (29), comemora-se o Dia Nacional de Combate ao Fumo

Redação/Hourpress

Dados do IPC Maps, especializado em potencial de consumo, apontam para um acréscimo nominal de 16% nos gastos relacionados a fumo no País em comparação ao ano passado. De acordo com o estudo, embora de 2019 para 2020 a categoria tenha apresentado queda de 5,4% (totalizando R$ 18,1 bilhões), a previsão é de que o consumo no setor ultrapasse R$ 21 bilhões em 2021, o que representa 0,45% do orçamento familiar.

Neste cálculo, são levadas em conta as despesas com cigarros, charutos, fumo para cachimbo, fumo para cigarros e outros artigos para fumantes, como fósforos, isqueiros etc.

Para Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, “apesar da pandemia estar em curso e do brasileiro ter reduzido suas despesas em alguns itens de consumo, infelizmente as despesas com fumo continuam em alta, o que é um sintoma de que o vício e o prazer superam qualquer adversidade”.

Sobre o IPC Maps

Publicado anualmente pela IPC Marketing Editora, empresa que utiliza metodologias exclusivas para cálculos de potencial de consumo nacional, o IPC Maps destaca-se como o único estudo que apresenta em números absolutos o detalhamento do potencial de consumo por categorias de produtos para cada um dos 5.570 municípios do País, com base em dados oficiais, através de versões em softwares de geoprocessamento.

Destruição de patrimônio público do ponto de vista do Direito

 


Essas pautas acabam levando a atos desatinados por vezes

Redação/Hourpress

Nos últimos anos vêm ocorrendo mobilizações que buscam reescrever a história por conta de acontecimentos recentes que envolvem racismo, discriminação, trabalho análogo ao escravo, entre outras situações que têm sido combatidas por vários movimentos.

Foram os casos da destruição de igrejas no Chile, a invasão do Capitólio (palácio do Congresso americano) e atos contra monumentos no Brasil, com destaque para a pichação do Monumento às Bandeiras e o incêndio da estátua de Borba Gato, ambos na Capital paulista.

Dr. Márcio Pugliesi, sócio do escritório Pugliesi Advogados e Consultores Associados, faz uma diferenciação entre movimentos e mobilizações. “Mobilização etimologicamente  está ligada a móvel, ou seja, é rápida e de pouca duração, enquanto movimento demanda uma discussão mais longa e profunda das questões que envolvem a sociedade”, conceituou.

Para o advogado especialista em Direito Público, o mundo está vivendo um ponto de inflexão, passando por um momento de transição dos formalismos técnico-burocráticos para uma civilização de profundo controle, o que leva naturalmente a algumas reflexões relevantes. “Nós perdemos uma significação pessoal própria de alguma maneira e acabamos por incorporar o pertencimento a grupos, digamos, telemáticos, que trazem ideias, sugestões e posições extremamente duras, sistemáticas, pouco abertas que incapacitam as pessoas atingidas por essa forma ideológica de perceber como o mundo poderia ser”, analisou.

Segundo Pugliesi, trata-se de um mundo pautado, em que as pessoas constroem a sua imagem sobre o mundo a partir das pautas de jornais, telejornais, mídias eletrônicas, comunidades virtuais que pautam os acontecimentos que devem ser pensados e os indivíduos deixam de entender que a “realidade” é muito maior do que isso. “Isto é, construímos um mundo a partir de limitações impostas pelas próprias pautas de importância dos eventos”, pontuou.

Na visão de Pugliesi, essas pautas acabam levando a atos desatinados por vezes, em que as pessoas confundem um ícone da cidade, uma escultura, no caso da estátua de Borba Gato, “que pode até ser de mau gosto, mas é um marco da cidade, uma obra realizada e deve ser respeitada como tal”.

Sobre a pichação do Monumento às Bandeiras, conhecido como “Deixa que eu empurro”, Pugliesi afirma que houve uma violação da proposta estética original do arquiteto Victor Brecheret. “Por mais que seja discutível a ideia de exibir a paridade dos esforços do indígena brasileiro na estátua, nada autoriza alguém a tomar medidas de destruição de patrimônio público para fazer esse questionamento”, condenou.

Para o advogado, essa prática é vandalismo e esses locais públicos deveriam ter câmeras para identificar as pessoas e serem exemplarmente punidas para que esses atos não se repitam de maneira errática e continuada. “Esses iconoclastas contemporâneos precisam compreender que o mundo tem leis, autoridade, poder público e as atitudes pessoais precisam ser muito bem calibradas”, observou.

Dr. Richard Geraldo Dias de Oliveira, advogado e presidente da Comissão de Direito e Relações Internacionais da OAB Santos, ainda cita exemplos de destruição de patrimônio público mundo afora, como a derrubada pelos talibãs do Buda no Afeganistão por ser de outra religião, os ataques a igrejas no Chile, bem como a queima de livros pelo nazismo de Hitler.

Dr. Daniel Toledo, advogado especialista em Direito Internacional e sócio do escritório Toledo e Associados, diferencia as mobilizações atuais das realizadas pelo movimento dos caras-pintadas na época do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Passa a impressão de que a juventude atual perdeu um pouco o respeito filosófico pela pátria e pelos valores internos e colocou-se um idealismo de revolta. São os chamados rebeldes sem causa”, avaliou.

Para Toledo, a Lei de LINDB – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, não se aplica ao linchamento de estátuas e monumentos brasileiros. “A discussão precisa estar em outro patamar. Eu penso até que se deve discutir essa questão da colonização, mas deve ser feito de forma profunda e não tenho visto isso acontecer”, lamentou.

Ele ainda ressalta que a Humanidade sempre foi inspirada por símbolos e não é por meio da destruição que se reescreve essa simbologia. “Destruir determinados ícones não vai impor uma nova ordem, simbologia ou norma de conduta. Se todos pensarem assim, as pirâmides do Egito também deveriam ser postas abaixo, porque elas representaram escravidão, milhares de pessoas foram mortas ali, tratadas da pior forma possível, e é uma simbologia de mais de três mil anos”, conceituou.

Na opinião de Toledo, hoje há um interesse filosófico mundial que vai de acordo com a conveniência. “Tenho visto muito os jovens no Brasil e em vários outros países também tendo as suas posturas filosóficas de acordo com a conveniência do momento, seja ela política, social ou econômica”, finalizou.