terça-feira, 21 de outubro de 2025

Pacientes com câncer de mama podem se afastar do trabalho pelo INSS?

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Radiografia da Notícia

Entenda os critérios exigidos pelo INSS e as alternativas para quem não contribui ou enfrenta sequelas após o tratamento

Redação/Hourpress

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo que mais causa mortes entre mulheres no Brasil. Até o fim deste ano, estima-se o registro de 73.610 novos casos no país.

 

Os diagnósticos em mulheres jovens — muitas delas em plena atividade profissional — também vêm crescendo desde 2009. Naquele ano, 7,9% dos casos eram em pacientes com menos de 40 anos; em 2020, esse percentual chegou a 21,8%, um aumento de 14,8%.

 

Diante desse cenário, surge uma dúvida recorrente: pacientes com câncer de mama podem se afastar do trabalho com amparo do INSS?


Quem tem direito ao afastamento? 

De acordo com a especialista em Direito Previdenciário e professora licenciada da Faculdade Milton Campos, integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil, o Ecossistema Ânima, Dinorá Carla, para que uma paciente com câncer de mama tenha acesso a um benefício previdenciário, é necessário que seja segurada do INSS — ou seja, contribuinte da Previdência Social — ou que esteja no período de graça, conforme o artigo 15 da Lei nº 8.213/91. Esse período garante a manutenção da qualidade de segurado mesmo sem contribuições, podendo variar de 3 a 36 meses, dependendo do caso.

 

A especialista explica que o diagnóstico da doença, por si só, não garante o benefício. É preciso comprovar incapacidade para o trabalho ou para as atividades habituais. “A paciente precisa estar temporariamente ou permanentemente impossibilitada de exercer suas atividades habituais ou qualquer outra compatível com sua condição”, detalhou Dinorá.

 

Essa regra se aplica a todos os segurados, inclusive os contribuintes individuais e facultativos. Por exemplo, uma dona de casa que contribui como segurada facultativa e, em razão do tratamento, fica incapacitada para suas atividades diárias, pode ter direito ao benefício.

 

Como comprovar a incapacidade?

A incapacidade deve ser comprovada por laudos médicos e pela perícia do INSS, conforme previsto no artigo 60 da Lei nº 8.213/91 e no artigo 71 do Decreto nº 3.048/99.

 

A paciente deve apresentar exames, relatórios clínicos e atestados médicos detalhados, descrevendo o diagnóstico (com CID), o tratamento e os impactos na capacidade laboral.

 

Com essa documentação, a segurada solicita o Auxílio por Incapacidade Temporária (antigo auxílio-doença). O INSS, então, agenda uma perícia médica para avaliar o caso.

 

Em situações específicas — O exame médico-pericial poderá ser realizado com o uso de tecnologia de telemedicina ou por análise documental conforme situações e requisitos definidos em regulamento próprio que dispensa a perícia presencial. “O perito do INSS analisa a documentação e define o prazo de afastamento”, explicou a professora Dinorá Carla.

 

Quem define o período de afastamento?

O perito médico federal é quem determina o tempo de afastamento. O prazo pode ser prorrogado caso a paciente ainda não tenha condições de retornar ao trabalho ou às atividades habituais. “A prorrogação pode ser solicitada pelo aplicativo “meu INSS”, site do INSS ou pelo telefone 135. Será marcada nova perícia, e o processo pode se repetir durante o tratamento”, complementou a especialista.

 

Quem paga o benefício? 

Durante o período de incapacidade, o pagamento é feito pelo INSS, a partir do 16º dia de afastamento para segurados empregados. Os primeiros 15 dias são pagos pelo empregador, conforme o artigo 60, § 3º, da Lei nº 8.213/91. Nos demais casos, o pagamento é feito diretamente pelo INSS desde o início do afastamento.

 

Há estabilidade após o retorno ao trabalho? 

A legislação previdenciária não prevê estabilidade automática para pacientes com câncer. Quando o afastamento for decorrente de acidente de trabalho ou doença equiparada (art. 118 da Lei nº 8.213/91), a segurada tem garantia provisória de emprego de 12 meses após o retorno.

 

O que fazer se o benefício for negado?

Caso o pedido seja indeferido, a segurada pode apresentar pedido de reconsideração dentro do prazo estabelecido pelo INSS. Se a negativa persistir, é possível interpor recurso administrativo (art. 305 do Decreto nº 3.048/99) ou ajuizar uma ação.

 

E quanto às profissionais autônomas e MEIs? 

As contribuintes individuais e microempreendedoras individuais (MEIs) também são seguradas obrigatórias da Previdência Social, conforme o artigo 11, inciso V, da Lei nº 8.213/91. Elas têm direito aos mesmos benefícios, desde que comprovem incapacidade e qualidade de segurado.

 

E se restarem sequelas após o tratamento? 

Quando o tratamento causa sequelas que impedem o retorno definitivo ao trabalho ou às atividades habituais, o benefício pode ser convertido em Benefício por Incapacidade Permanente (antiga aposentadoria por invalidez), previsto no artigo 42 da Lei nº 8.213/91. Essa conversão depende de nova avaliação pericial.

 

Quem não contribui tem algum direito?

Pessoas que não contribuem para o INSS e não estão no período de graça podem requerer o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), previsto no artigo 20 da Lei nº 8.742/93 (LOAS). Trata-se de um benefício assistencial, não contributivo, pago a idosos e pessoas com deficiência ou doença incapacitante e em situação de vulnerabilidade social, com renda familiar per capita inferior a 1/4 do salário-mínimo. “Nesses casos, é essencial comprovar tanto a incapacidade quanto a situação de vulnerabilidade econômica”, finalizou Dinorá Carla.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Como o tempo passa Moisés da Rocha

Jornal da USP


Radiografia da Notícia

Chega o século 21, com o Brasil Pentacampeão sob comando do técnico Felipão

 Luís Alberto Alves/Hourpress

Nesta quinta-feira (16/10) estava passando por uma rua paralela à Avenida Brigadeiro Luís Antônio, próximo à #avenida #Paulista, quando de repente olhei para dentro de um barzinho e sentado numa mesa se encontrava sentando alguém que lutou e ainda luta pela preservação da cultura popular, principalmente do samba: o radialista #Moisés da #Rocha.

O conheço há 40 anos e acompanhei durante décadas o seu programa na Rádio USP/FM, “O Samba pede passagem”, no ar desde 1978. Foi pioneiro numa época que samba não fazia parte das programações das rádios FMs. Cantores e conjuntos que tocavam esse estilo de música raramente apareciam nas rádios e programas de televisão. Só no #Carnaval e rapidamente.

Nos poucos minutos que conversamos um filme passou pela minha mente. Quantos fatos históricos aconteceram desde que “O samba pede passagem” nasceu no estúdio e mente de Moisés da Rocha. Em 1978, o Brasil perdeu a Copa do Mundo na #Argentina, mas voltou invicto para casa. Por causa o disso o técnico Cláudio Coutinho criou a frase: “campeão moral”.

Bordão

No ano seguinte o #Corinthians seria campeão paulista, contra a mesma #Ponte #Preta que havia perdido esse título no dia 13 de outubro de 1977, quando tinha um time superior à equipe de Parque São Jorge. Em 1980, no MPB Shell, festival promovido pela #Rede #Globo, o terceiro lugar entrou para galeria dos sambas inesquecíveis por causa do bordão: “se gritar pegar ladrão/não fica um meu irmão....”

Nesse mesmo ano de 1980, a banda norte-americana Earth, Wind & Fire iria sacudir os ginásios #Ibirapuera e do #Maracanãzinho com grandioso show, com direito aos vocalistas desse grupo cantar a canção “Realce” de #Gilberto #Gil em português e sem sotaque. Dois anos depois, em janeiro o Brasil perderia #Elis #Regina. Em 1984, o País seria sacudido pelo movimento das Diretas Já, reunindo multidões em diversas cidades do #Brasil.

Tancredo Neves

 Em 1985 o Congresso Nacional aprova eleições indiretas e o candidato da ditadura Paulo Maluf é derrotado pela chapa Tancredo Neves/José Sarney. Mas em abril daquele ano, Tancredo Neves não assumiria a presidência, morreu no dia 21 daquele mês. Inflação alta leva a criação do Plano Cruzado que durou pouco apesar do esforço do ministro da Fazenda, Dilson Funaro. Em 1989 no voto direto, Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta o candidato das elites, Fernando Collor de Mello. Entra para história, a manipulação do debate entre ambos pela Rede Globo.

Chega a década de 1990. A alegria de Collor vira tristeza em setembro de 1992, quando o Congresso Nacional vota o seu impeachment. Itamar Franco, o vice, assume e em junho de 1994 nasce o Plano Real, liderado pelo ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso. Antes em 1º de maio daquele ano o Brasil perderia num acidente, o piloto Ayrton Senna, morto durante o Grande Prêmio de Ímola na Itália.

Mas a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, colocaria o Brasil novamente na galeria dos campeões mundiais. A alegria iria durar pouco, pois em 1998, quem ganharia esse título seria a França, com apagão do atacante Ronaldinho Fenômeno.  Chega o século 21, com o Brasil Pentacampeão sob comando do técnico Felipão e duas tragédias se tornaram terríveis marcas nesses 25 anos: a morte de 3 mil pessoas no atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 e a pandemia em 2020 com milhões de mortos em todo o mundo. Como se vê meu caro Moisés da Rocha, quanta água passou embaixo da ponte nestes 47 anos de “O samba pede passagem”.

Luís Alberto Alves, jornalista, editor do blogue Cajuísticas.

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Como saber se você quer uma carreira corporativa ou empreendedora

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Radiografia da Notícia

* Autoconhecimento é peça-chave para entender se o profissional se adapta melhor à liberdade do negócio próprio ou à previsibilidade do mercado corporativo

Redação/Hourpress

De acordo com o Sebrae, o Brasil tem hoje mais de 47 milhões de pessoas que empreendem, entre negócios formais e informais. Parte significativa desse número representa aqueles que empreendem por necessidade, diante do desemprego ou da dificuldade de recolocação no mercado, mas também profissionais que abriram um negócio por oportunidade. Esse aumento expressivo levanta uma questão fundamental: será que todos têm perfil para empreender? Para a mentora de carreiras Thaís Roque, a resposta é clara: nem sempre.
 

“Empreender exige tolerância ao risco, autonomia na tomada de decisão e disposição para lidar com incertezas constantes. Quem gosta de testar, aprender rápido com os erros e não se paralisa diante da falta de estrutura tende a se adaptar melhor ao empreendedorismo. Já quem valoriza a previsibilidade, prefere ambientes estruturados e se realiza em projetos de longo prazo pode florescer muito mais em uma carreira corporativa. Não existe um perfil melhor ou pior: existe contexto e autoconhecimento”, explicou.
 

Segundo a especialista, a decisão entre empreender ou seguir no mercado corporativo depende de uma combinação de três fatores: propósito, estabilidade financeira e estilo de vida.


Três
 

“No início da carreira, a estabilidade costuma ser determinante, já que empreender significa lidar com altos e baixos. Com a maturidade, o propósito passa a ter mais peso. E o estilo de vida funciona como um filtro: empreender pode dar liberdade, mas exige disciplina; já a carreira corporativa oferece previsibilidade, porém menos flexibilidade. A decisão nunca nasce de um único fator, mas da soma dos três”, analisou.
 

Thaís alerta também para a ilusão em torno do glamour do empreendedorismo: “A narrativa dominante mostra liberdade, ganhos financeiros e status, mas esconde as noites em claro, a solidão de liderar, a instabilidade do fluxo de caixa e a necessidade de ser um faz-tudo, principalmente no início. Empreender é menos sobre liberdade imediata e mais sobre resiliência e visão de longo prazo”, reforçou.
 

Por fim, ela lembra que o caminho entre empreendedorismo e mundo corporativo não precisa ser definitivo. “É cada vez mais comum transitar entre os dois universos. Muitos constroem bagagem no corporativo e depois empreendem; outros fazem o caminho inverso, trazendo uma visão mais estratégica para empresas após a experiência como dono do próprio negócio. O importante é entender o momento de vida e usar cada fase como trampolim para a próxima jornada”, concluiu.


 

Internet de alta velocidade via satélite chega a escolas do Pará

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* A tecnologia adotada é a LEO (Low Earth Orbit), que utiliza satélites em órbita baixa para garantir conexão rápida

Redação/Hourpress

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Divino Espírito Santo, localizada em Santarém, no Pará, é a primeira escola a receber internet de alta velocidade via satélite de baixa órbita por meio do projeto Aprender Conectado, fruto da parceria entre a Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (Eace), Telebras e Nuhdigital. A ativação da conexão ocorreu na sexta-feira (12) e simboliza um marco para milhares de estudantes que vivem em regiões onde a fibra óptica não chega.


A tecnologia adotada é a LEO (Low Earth Orbit), que utiliza satélites em órbita baixa para garantir conexão rápida e de baixa latência, mesmo em áreas isoladas. Isso permite que escolas ribeirinhas, indígenas, quilombolas e rurais passem a ter as mesmas oportunidades digitais que instituições em centros urbanos.
 

“Estamos levando conectividade para escolas que, historicamente, ficaram de fora da revolução digital. Com a tecnologia LEO, conseguimos incluir comunidades inteiras no mapa da educação conectada”, destaca Flávio Santos, diretor-geral da Eace.


Projeto
 

A iniciativa integra o projeto Aprender Conectado, que tem como meta levar internet de alta velocidade a 38 mil escolas públicas em todo o Brasil, com a meta de chegar a 18 mil unidades de ensino até o fim de 2025.
 

A Telebras, parceira estratégica da Eace no projeto, também reforça o alcance social da iniciativa. “Nossa cooperação fortalece o esforço nacional pela inclusão digital e representa um passo estratégico para reduzir desigualdades regionais na educação, garantindo que cada escola, independentemente de sua localização, possa acessar recursos digitais que enriquecem o aprendizado”, afirma André Leandro Magalhães, presidente da estatal.
 

A Nuhdigital, parceira tecnológica da operação, também reforça o alcance social da iniciativa. “A parceria com a Telebras e a Eace fortalece o esforço nacional pela inclusão digital e representa um passo estratégico para reduzir desigualdades regionais na educação, garantindo que cada escola, independentemente de sua localização, possa acessar recursos digitais que enriquecem o aprendizado”, afirmou Laerte Magalhães, CEO da empresa.
 

Mais Escolas
 

Além da inauguração da conectividade na escola Divino Espírito Santo, a programação em Santarém prevê visitas a outras duas escolas que já contam com internet do Aprender Conectado: a Emef Afro Amazonida e a Emef São Francisco. O objetivo é conhecer in loco o andamento do projeto e ouvir professores, gestores e estudantes para avaliar os impactos positivos da conectividade na rotina escolar.

Câncer de mama: Quando a reconstrução vai além da cirurgia

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Radiografia da Notícia

* O câncer de mama é hoje o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil

Dr. Marco Aurélio Guidugli 

Outubro é rosa, mas o que está por trás dessa cor vai muito além da prevenção. Outubro é sobre histórias. Sobre silêncios, medos, perdas, mas também sobre superação, recomeços e reencontros. Todos os anos, milhares de mulheres atravessam o diagnóstico de câncer de mama e saem transformadas do outro lado. Não apenas no corpo, mas principalmente na forma como se enxergam.

O câncer de mama é hoje o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, com uma estimativa de mais de 73 mil novos casos por ano. Só em 2023, mais de 20 mil mulheres perderam a vida para a doença. Mas felizmente, ao lado do avanço dos tratamentos, a medicina também evoluiu em outra frente fundamental: a reconstrução.

Falo aqui não apenas da reconstrução mamária como técnica cirúrgica, mas da reconstrução da autoimagem, da autoestima e, muitas vezes, da própria identidade feminina. A mulher que enfrenta o câncer de mama não sai da mesma forma que entrou. Ela carrega cicatrizes (físicas e emocionais) e, com elas, o desafio de se reconectar com seu corpo, com seu reflexo, com sua história.

Dignidade

É nesse momento que a cirurgia plástica deixa de ser apenas estética e se torna terapêutica. A mamoplastia reparadora é, antes de tudo, uma devolução: da forma, da proporção, mas também da confiança, da feminilidade e da dignidade.

Existem diferentes caminhos para essa reconstrução, todos personalizados conforme o corpo e a realidade de cada paciente. Para algumas mulheres, a reconstrução pode acontecer imediatamente após a retirada da mama, durante a própria mastectomia. Outras precisam esperar semanas ou meses, até que o corpo e a mente estejam prontos. Algumas optam por próteses de silicone, outras por retalhos de tecido retirados do próprio corpo. Existem técnicas com expansores, enxertos, reconstrução do mamilo com tatuagem médica. Cada caso é único. Cada mulher, um universo.

Mas independente da técnica, o que está por trás de cada escolha é o mesmo: o desejo de se reconhecer novamente. E é aí que entra o conceito que me acompanha em todos os anos de profissão: a Divina Proporção. Uma ideia que vai além da simetria perfeita. Falo de harmonia. De equilíbrio. De encontrar, mesmo após uma batalha tão intensa, um ponto de paz entre o corpo e a alma.

Fora

Os benefícios da mamoplastia reparadora vão muito além do espelho. Ajudam no alívio de dores físicas, como nas costas e ombros. Corrigem assimetrias. Restauram o contorno mamário após a maternidade ou a doença. Mas principalmente, devolvem a liberdade de se sentir inteira, de se olhar com carinho, de se vestir sem medo. De viver com autenticidade.

Este Outubro Rosa, convido você a enxergar essa campanha com mais profundidade. Porque falar de câncer de mama é também falar de acolhimento, de reconstrução e de pertencimento. Que possamos lembrar que, para muitas mulheres, vencer o câncer é só parte da jornada. A outra parte é se reconstruir, por dentro e por fora.

E esse processo, quando guiado com respeito, técnica e empatia, tem o poder de transformar não apenas o corpo, mas a vida.

Dr. Marco Aurélio Guidugli,  Cirurgião Plástico e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Pesquisa: Cirurgia de catarata melhora a produtividade

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Radiografia da Notícia

* Pesquisa revela que para 94,7% a cirurgia com lente de foco estendido facilita o trabalho no computador e celular

Redação/Hourpress

Não tem como escapar nem da catarata que chega com a idade, nem das telas. Vivemos em uma sociedade digital. Por isso, no último congresso da ESCRES (Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa) que aconteceu de 12 a 16 deste mês em Copenhagen (Dinamarca), a lente intraocular EDOF - em tradução livre – de foco estendido, ocupou espaço de destaque entre os congressistas. O oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas e membro do ESCRES, conta que o coordenador de uma pesquisa observacional apresentou aos cirurgiões o resultado de uma pesquisa realizada com 200 pacientes que receberam na cirurgia de catarata o implante de lentes “full range”. “No hospital meus pacientes têm se adaptado com bastante facilidade. Esta lente amplia a visão funcional através de uma tecnologia de transição contínua da visão de perto, intermediária e de longe.


Esta característica, ressalta, reduz o ofuscamento a visão de halos ao redor das luzes, especialmente entre pessoas com astigmatismo, erro de refração que aumenta nos maiores de 50 anos. “A idade pode causar astigmatismo pelo peso das pálpebras e por pequenas imperfeições que surgem na córnea chamadas aberrações”, explica. Para ele, esta lente veio para ficar. Recentemente, conta, operou uma paciente com 6 graus de hipermetropia e 2 de astigmatismo com uma full range. “Em menos de 24 horas depois da cirurgia no primeiro olho já estava lendo bem e com ótima visão à distâncias”, afirmou satisfeito.

 

Resultado da pesquisa

Entre os participantes da pesquisa apresentada no ESCRES a maioria afirmou ter pouca ou nenhuma necessidade de usar óculos.

  • Para 96,8% a visão de longe passou a dispensar o uso de óculos, inclusive na condução de veículos durante a noite;
  • Para 94,7% a visão intermediária ficou mais nítida e passaram a ter mais facilidade para trabalhar no computador, usar o celular, enxergar o painel do carro;
  • Para 58,9% a visão de perto continuou precisando de óculos para ler textos em letras miúdas, como por exemplo, bulas.

 

Indicações e Contraindicações

Para Queiroz Neto o resultado desta pesquisa dá um claro sinal de que a lente de foco estendido não é indicada para cirurgiões, dentistas, relojoeiros, pilotos e outras atividades que exigem visão precisa as principais indicações são: atividade intensa nas telas, baixo astigmatismo e outras condições que aumentam a fotofobia. As contraindicações são: degeneração macular relacionada à idade e outras comndições na retina ou mácula, olho muito seco, glaucoma, astigmatismo muito elevado e opacidades na córnea.

 

Outros tipos de lente intraocular

O oftalmologista afirma que a catarata também pode ser corrigida com lentes monofocais que corrigem muito bem a visão à distância e são indicadas para quem não se incomoda em usar óculos. As lentes monofocais, bem como as EDOFs e as multifocais podem ser do tipo tórica para quem tem astigmatismo moderado ou grave. Queiroz Neto afirma que a escolha da lente é feita em conjunto com o oftalmologista e um momento crucial do tratamento. Isso porque não é recomendada a troca de lente intraocular.

 

A cirurgia

A cirurgia é um procedimento altamente seguro. Uma prova disso é a conclusão de um estudo em que a cirurgia de catarata foi considerada mais segura que o uso de lente de contato pelo Cochrane, repositório de Medicina Baseada em Evidências. É iniciada com a instalação de um colírio anestésico, incisão de 2 mm no canto da córnea, aspiração do cristalino e introdução da lente intraocular que é inserida dobrada no olho para se abrir no mesmo local onde se apoia o cristalino. A cirurgia dura em torno de 10 minutos

 

Sintomas

“A catarata como praticamente todas as doenças oculares e sistêmicas - Passa despercebida no início”, pontua. Por isso, a consulta periódica, uma vez ao ano ou a cada 18 meses deve ser realizadas. Os sintomas mais evidentes da catarata são: Troca frequente do grau dos óculos; Visão embaçada; Aumento Dificuldade para dirigir ou caminhar à noite; Perda da visão de contraste e profundidade e até insônia pela menor entrada de luz no globo ocular.

 

Prevenção

As dicas do médico para adiar a catarata são:

  • Usar lente com proteção UV (ultravioleta) nas atividades externas.
  • Proteger os olhos da luz azul invisível emitida pelos equipamentos eletrônicos.
  • Controlar o consumo de sal que forma depósitos no cristalino evitando carnes embutidas, saleiro na mesa e sopas prontas.
  • Controlar os níveis de glicose e colesterol com exames de sangue.
  • Evitar cigarros e bebidas alcoólicas.
  • Dormir de 6 a 8 horas/noite.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Brasil já é um narcoestado???

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Radiografia da Notícia

Infelizmente, os criminosos passaram a conquistar postos para aumentar influência 

Luís Alberto Alves/Hourpress

O recente assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP, Ruy Fontes, revela que o Brasil já se parece com o narcoestado. Nação, igual ao México, onde o crime organizado dá as cartas e marca presença nos poderes Legislativo, Judiciário e até mesmo ocupando cargos, através de laranjas, no Executivo. 

Infelizmente, os criminosos passaram a conquistar postos para aumentar influência e encontrar mecanismos para tornar limpo as fortunas que ganham praticando diversos tipos de crimes. O Estado brasileiro, igual pai e mãe que tolera todo erro cometido pelo filho, não procurou reprimir o desvio de conduta. 

Passados 32 anos, quando menos de 15 detentos criaram o então Partido da Comunidade Carcerária, que depois se tornou Primeiro Comando da Capital, na época para defender os direitos humanos dos presos que eram e continuam tratados iguais animais dentro das jaulas. Antes restrito apenas aos presídios e aos parentes de familiares que cumpriam pena em SP, hoje a multinacional do crime, PCC, está presente em mais de 120 países. 

Faria Lima

Após contaminar a classe política, via Câmaras Municipais influenciando na escolha de empresas prestadoras de serviços nas prefeituras, Assembleia Legislativas e até mesmo Congresso Nacional, atualmente o PCC se encontra até no mercado financeiro, da meca dos banqueiros, a Avenida Faria Lima, Zona Sul de SP.

Não acredito mais que o crime organizado seja derrotado no Brasil. As autoridades assinaram atestado de incompetência ao recusar forte repressão quando ainda engatinhava. Seja o PCC ou Comando Vermelho. A morte do ex-delegado Ruy Pontes mostra que ninguém mais se encontra seguro no Brasil. Como se diz na periferia: “tá tudo dominado”, por causa da burrice do Estado Brasileiro. 

Luís Alberto Alves, jornalista, editor do blogue Cajuísticas.