sexta-feira, 21 de junho de 2024

Quase 1/4 do território brasileiro pegou fogo nos últimos 40 anos

    EBC


Radiografia da Notícia

* Dado inclui incêndios naturais e causados pelo homem

*  Da área atingida por incêndio, 68,4% eram vegetação nativa

* O equivalente a 23% da extensão territorial brasileira

Agência Brasil 

Quase um quarto do território brasileiro pegou fogo, ao menos uma vez, no período entre 1985 e 2023. Foram 199,1 milhões de hectares, o equivalente a 23% da extensão territorial brasileira.

Da área atingida por incêndio, 68,4% eram vegetação nativa, enquanto 31,6% tinham presença da atividade humana, notadamente a agropecuária. O Cerrado e a Amazônia são os principais biomas vítimas da ação do fogo, seja de origem natural ou provocada pelo homem. Juntos, são 86% da área queimada.

Os dados obtidos por meio de comparação de imagens de satélite fazem parte de um estudo divulgado nesta terça-feira (18) pelo MapBiomas Fogo, rede que envolve universidades, organizações não governamentais (ONGs) e empresas de tecnologia.

Pelas imagens de satélite, os pesquisadores conseguem analisar o tamanho e o padrão histórico das áreas incendiadas, mas não é possível apontar com certeza o que iniciou o fogo.

Fogo

No entanto, a coordenadora do MapBiomas Fogo e diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, explicou à Agência Brasil que é possível chegar ao entendimento de que a maior parte das queimadas não tem origem natural, quando raios, principalmente, são iniciadores do fogo.

“A gente pode inferir que a grande maioria é incêndio causado ou iniciado pela atividade humana”, aponta a geógrafa.

O principal motivo para chegar à conclusão é o período em que acontece grande parte dos incêndios, que são concentrados em agosto e setembro.

“Onde queima mais, Cerrado, Amazônia, e, agora, infelizmente, no Pantanal, é período seco, período em que, provavelmente, é bastante difícil de acontecerem as descargas elétricas das tempestades”, detalhou Ane Alencar.

Terço 

A estação seca, entre julho e outubro, concentra 79% das ocorrências de área queimada no Brasil, sendo que setembro responde por um terço do total.

A coordenadora do MapBiomas afirma que a maior parte da vegetação nativa incendiada continua sem ocupação humana. "Um pequeno percentual das áreas que foram afetadas se torna, principalmente, área de pastagem."

Quase metade (46%) da área queimada está concentrada em três estados: Mato Grosso, Pará e Maranhão. De cada 100 hectares queimados, 60 são em territórios particulares. Os três municípios que mais queimaram entre 1985 e 2023 foram Corumbá (MS), no Pantanal, seguido por São Felix do Xingu (PA), na Amazônia, e Formosa do Rio Preto (BA), no Cerrado.

O levantamento do MapBiomas mostra ainda que cerca de 65% da área afetada pelo fogo foi queimada mais de uma vez entre 1985 e 2023. Nesse período, a cada ano, em média 18,3 milhões de hectares – equivalente a uma área pouco menor que o estado de Sergipe – são afetados pelo fogo.

Brasília (DF) 17/06/2024 - Um quarto do território brasileiro pegou fogo nos últimos 40 anos.
Arte EBC

 

Biomas

Do total da área queimada ao menos uma vez no país, 44% ficam no Cerrado. São 88,5 milhões de hectares – quase metade (44%) da extensão territorial do bioma. É quase o tamanho de Mato Grosso.

A pesquisadora Ane Alencar adverte que, embora o Cerrado seja uma vegetação mais preparada para a ocorrência de incêndios, a alta frequência com que o fogo afeta a região debilita o ecossistema, que apresenta características savânicas, com vegetação rasteira.

“É muito mais difícil debelar o fogo”, diz ela. “Na hora em que o fogo está mais forte, com muito vento, é impossível combater.”

Segundo bioma mais afetado, a Amazônia teve 82,7 milhões de hectares queimados ao menos uma vez. A extensão representa um quinto (19,6%) do bioma amazônico.

Perigo

Nascida no Pará e especialista em região amazônica, Ane Alencar alerta para o grande perigo que incêndios oferecem a florestas.

“Formações florestais não são adaptadas ao fogo, elas são sensíveis”, avalia. “Uma vez queimadas, o processo de recuperação é muito lento e deixa essas áreas superinflamáveis para que haja um segundo incêndio. Leva a um processo de degradação”, explica.

O bioma que mais queimou proporcionalmente a sua área foi o Pantanal, com 9 milhões de hectares. Embora seja apenas 4,5% do total nacional, essa extensão representa 59,2% do bioma. Por mais que seja adaptado ao fogo, o Pantanal enfrenta incêndios intensos principalmente devido às secas prolongadas.

Além de danificar a cobertura vegetal que, entre outras consequências, altera o equilíbrio ambiental, as queimadas são importantes fontes contribuidoras para o efeito estufa, uma vez que liberam o carbono armazenado na biomassa para a atmosfera na forma de gás carbônico (CO²).

Cicatrizes

O levantamento do MapBiomas revela a extensão de “cicatrizes” na natureza, um conceito que passou a ser usado pela geógrafa Ane Alencar a partir da década de 1990. Cicatriz é como se chamam as grandes áreas afetadas por um único incêndio.

O bioma com maiores cicatrizes é o Pantanal. Cerca de 25% das áreas afetadas têm danos na vegetação que variam entre 10 mil e 50 mil hectares. Para efeito de comparação, cada hectare é pouco maior que um campo de futebol.

Em seguida, figura o Cerrado, onde predominam queimadas em áreas entre mil e 5 mil hectares, que respondem por 20% do total.

Alastramento

Segundo a coordenadora do MapBiomas, muitas queimadas são atividades ilegais que se seguem a desmatamentos.

“Fogo é a ferramenta mais barata de transformação dessa biomassa [resultante de desmatamento] em nutrientes para o solo. Muitas vezes as pessoas vão queimar aquela área desmatada, não prestam atenção e não controlam o fogo, então a queimada escapa para floresta, campo nativo ou área de Cerrado e gera incêndios”, diz Ane Alencar.

A pesquisadora lembra, no entanto, que o uso do fogo é permitido por produtores rurais, mas que é preciso cuidado para que a queimada seja controlada e não se alastre.

“O uso do fogo para queima de pastagens é permitido, mas tem que ter licença, a licença é importante”, observa.

“Você vai receber orientação do tipo ‘não coloque fogo em determinado horário’. ‘Se tem muitos vizinhos colocando fogo no mesmo dia, faça no outro dia’. Quando você pede licença previamente, os bombeiros podem ficar em alerta”, aconselha.

Tendência

A pesquisadora do MapBiomas avalia que, a partir da primeira década dos anos 2000, incentivos para melhor gestão ambiental ajudaram a controlar as queimadas. “Foi diminuindo o desmatamento e também a área queimada.”

No entanto, adverte ela, a partir de 2019, “houve um aumento expressivo no desmatamento e da área queimada”.

Ela acrescenta que, em 2023, continuou o aumento de queimadas, porém, por causa de mudanças climáticas, que causaram secas severas, o que contribuiu para que terrenos ficassem mais sensíveis a alastramento de incêndios.

“O que aconteceu em 2023, principalmente na Amazônia, é que, na região onde houve a redução do desmatamento, houve uma redução do fogo em geral, das queimadas e incêndios.”

Padrão histórico

A pesquisadora considera que o estudo apresenta informações relevantes, como o padrão histórico dos incêndios, que podem ajudar as autoridades na elaboração de estratégias de prevenção, controle e combate a queimadas.

“Esses dados podem ajudar muito a entender áreas que estão sob maior risco de incêndios, ser utilizados em processos de responsabilização, para monitorar se a questão climática está realmente impactando o aumento de incêndios”, exemplifica.

“São vários usos, desde o mapeamento de ações de prevenção, melhoria dos planejamentos e investimentos para melhor uso da terra”, completa.

Sala de crise

O estudo foi divulgado poucos dias depois de o governo federal instalar uma sala de crise para monitorar e enfrentar problemas de queimadas e secas no país, especialmente no Pantanal e na Amazônia. A medida foi anunciada na sexta-feira (14), e a primeira reunião foi na segunda-feira (17).

Na avaliação da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, há um agravamento dos problemas de natureza climática, e as consequências chegarão mais cedo este ano, com repercussão ambiental “muito grave”.

“Em função disso, já estamos agindo na lógica da gestão do risco e não apenas do desastre”, disse Marina.

Em outra ação, o governo lançou no começo de abril o programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia. A iniciativa prevê investimentos de R$ 730 milhões para promover o desenvolvimento sustentável e combater o desmatamento e incêndios florestais em 70 municípios prioritários na Amazônia. Os municípios aptos a participar da iniciativa foram responsáveis por cerca de 78% do desmatamento no bioma no ano de 2022.

No fim de março, o governo federal firmou um pacto com governadores dos estados do Cerrado para combater o desmatamento. O acordo inclui propostas como a criação de força-tarefa para implementação de ações conjuntas. Estiveram presentes representantes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, do Tocantins, da Bahia e do Distrito Federal. A articulação com é prevista no Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento no Cerrado (PPCerrado), lançado em novembro de 2023.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Telemedicina: conectividade como peça-chave para atendimentos na saúde

   Arquivo Hourpress


Radiografia da Notícia

* Por meio da telemedicina, os médicos podem atender os pacientes em plataformas online

* A telemedicina foi regulamentada em maio de 2022

* Mas esse fato convoca a sociedade na busca de solução para duas questões urgentes

João Romano

A conectividade está cada vez mais presente em todos os setores de serviços públicos, inclusive na medicina. Durante o auge da pandemia de Covid-19, a telemedicina emergiu como uma ferramenta crucial para evitar o colapso do sistema de saúde no Brasil, tornando-se indispensável para o setor.

Por meio da telemedicina, os médicos podem atender os pacientes em plataformas online, eliminando a necessidade de encontros presenciais. Isso possibilita a realização de muitos exames no conforto do lar do paciente, com os resultados sendo enviados através de ferramentas digitais. Esse processo não apenas otimiza os procedimentos burocráticos, mas também facilita o acesso ao atendimento para pessoas com dificuldades de mobilidade.

A telemedicina foi regulamentada em maio de 2022 e, conforme dados da ABRAMGE (Associação Brasileira de Planos de Saúde), desde o começo da pandemia até meados de abril de 2022, cerca de 5 milhões de consultas virtuais foram realizadas somente pelas operadoras da associação, que somam 9 milhões de beneficiários.

Saúde

Segundo um estudo realizado pela AMA (Associação Médica Americana), 75% das visitas a serviços médicos regulares ou de emergência são desnecessárias. Uma outra pesquisa mostrou ainda que pacientes que usaram a telemedicina tiveram 31% menos internações hospitalares, 48% menos dias totais de hospital e estavam mais preocupados com seus cuidados de saúde.

É crucial destacar a segurança integral do processo de atendimento virtual, assim como a questão da adesão ao tratamento, uma vez que as novas tecnologias incentivam os pacientes a prosseguirem com seus tratamentos. Além disso, do ponto de vista dos médicos, acompanhar a jornada do paciente torna-se mais ágil e eficiente, estabelecendo uma proximidade significativa entre o paciente e o especialista. Essa interação humanizada aprimora consideravelmente o atendimento e o cuidado oferecidos.

Também vale mencionar o acesso à informação médica de grandes centros às pequenas clínicas, ao diagnóstico remoto e ao encaminhamento somente dos casos que realmente necessitam de urgência, além, é claro, da otimização dos processos, redução de custos e segurança da informação, promovendo, assim, a sustentabilidade do segmento de saúde, que vem de uma escalada de altos custos de acesso.

Serviços

Mas esse fato convoca a sociedade na busca de solução para duas questões urgentes: aumentar a velocidade de incorporação de tecnologias nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e estabelecer parcerias com o setor privado, no sentido de aproveitar o seu esforço criativo e de investimento na digitalização dos serviços públicos de saúde.

A digitalização também trouxe a possibilidade de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor em setembro de 2021, já que, trabalhando com plataformas tecnológicas e eliminando o papel, é possível garantir toda a rastreabilidade de documentos.

Especificamente na rede pública, o Cejam - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim" tem oferecido esse serviço via SUS (Sistema Único de Saúde) em algumas das unidades gerenciadas. A iniciativa teve início em abril de 2023, em parceria com a prefeitura da capital paulista, através de um projeto piloto realizado na UBS Jardim São Bento, e tem se expandido progressivamente. Em São Paulo, cerca de 34 unidades gerenciadas por nós já disponibilizam esse serviço à população.

Legal

Atualmente, já foram realizadas mais de 140 mil consultas em diversas modalidades, ampliando significativamente o acesso à saúde para as populações mais vulneráveis. Além disso, estendemos nossa metodologia para outros municípios onde atuamos, como a Santa Casa de São Roque, e essa expansão evidencia nosso compromisso contínuo. Este ano, inclusive, participamos do 37º COSEMS/SP (Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo), onde apresentamos nossas experiências bem-sucedidas na implantação do serviço de telemedicina. 

Certamente, ainda existem desafios importantes a serem enfrentados para garantir que o uso da tecnologia seja tanto legal como ético. Um desses desafios consiste em assegurar que a telemedicina seja acessível a todos, independentemente da localização geográfica ou da capacidade financeira. Além disso, é fundamental conscientizar a população sobre a importância dessa ferramenta, não apenas para aliviar a alta demanda nos prontos-socorros, mas também para reduzir o tempo de internação e aproximar os diversos serviços ao paciente, promovendo uma melhor gestão dos recursos de saúde e proporcionando um atendimento mais eficiente e ágil.

A implementação eficaz da telemedicina enfrenta diversos desafios, alguns dos quais relacionados à infraestrutura de conectividade e acesso a dispositivos móveis acessíveis. Dependendo das políticas públicas, é crucial garantir amplamente acesso à internet gratuita ou a preços populares em todo o país, assim como tornar os smartphones mais acessíveis para a maioria dos brasileiros.

Cuidados

É importante reconhecer que o acesso universal à telemedicina enfrenta obstáculos, como o analfabetismo digital, que pode dificultar a utilização eficaz dessas tecnologias, especialmente para grupos vulneráveis ou menos familiarizados com o uso de dispositivos e serviços online. Portanto, é essencial desenvolver iniciativas educacionais e programas de inclusão digital para superar essa barreira e garantir que todos tenham acesso equitativo aos benefícios da telemedicina.

Vivenciamos também uma resistência cultural na preferência pelo contato presencial. Superar essa barreira requer esforços para demonstrar a eficácia e segurança da abordagem virtual, além de educar e tranquilizar os pacientes sobre os benefícios oferecidos pela telemedicina. Essa transição é importante para garantir igualdade de acesso aos cuidados de saúde, independentemente das preferências culturais tradicionais.

Outro desafio significativo é a necessidade de aumentar os investimentos e priorizar essa agenda dentro das organizações de saúde, além de explorar possíveis parcerias com healthtechs, que oferecem uma alternativa importante para acelerar o processo a um custo mais acessível.

Social

A evolução da telemedicina também requer uma integração eficaz das informações médicas. A tecnologia, sem dúvida, veio para transformar o cenário da saúde, facilitando a comunicação entre especialistas e instituições, sejam elas públicas ou privadas, em todos os níveis de atenção, desde a primária até o diagnóstico e a hospitalização, quando necessário. No entanto, é importante ressaltar que a telemedicina não substitui integralmente o atendimento presencial, mas oferece uma opção adicional para o acesso aos cuidados de saúde.

Como gerente executivo de uma Organização Social de Saúde, tenho o compromisso de liderar iniciativas que promovam a implementação ética e equitativa da telemedicina, garantindo acesso universal aos serviços de saúde digitalizados. Através de parcerias estratégicas, investimentos em infraestrutura e educação digital, estamos comprometidos em superar os desafios e aproveitar todo o potencial da tecnologia para melhorar a qualidade e a acessibilidade dos cuidados de saúde para todos os cidadãos.


*João Romano é gerente executivo do Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”)

sexta-feira, 10 de maio de 2024

Quase 70 mil pessoas estão em abrigos gaúchos por causa das fortes chuvas

EBC


 Radiografia da Notícia

* Sobe para 113 o número de mortos por conta das enchentes no RS

* O documento mostra também que 337.116 pessoas estão desalojadas em todo o estado

* O dado consta no boletim da Defesa Civil estadual atualizado às 9h desta sexta-feira (10)

Agência Brasil 

O Rio Grande do Sul contabiliza quase 70 mil (69.617) pessoas acolhidas temporariamente em abrigos, porque foram forçadas a sair de suas residências devido às fortes chuvas que caem no estado desde 29 de abril. O dado consta no boletim da Defesa Civil estadual atualizado às 9h desta sexta-feira (10).

O documento mostra também que 337.116 pessoas estão desalojadas em todo o estado. Além disso, o número de municípios gaúchos afetados pelos temporais chega a 435, o que representa 87,5% do total do estado (497).

Ao todo, 17,6% população total do estado, ou 1,916 milhão de pessoas foram afetadas direta ou indiretamente pelos eventos climáticos, de um total de 10,88 milhões de habitantes do Rio Grande do Sul, conforme Censo de 2022  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Até o momento, 113 vítimas fatais estão confirmadas e os nomes das pessoas mortas identificadas foram divulgados pela Defesa Civil estadual. 

Ainda há uma morte em investigação para confirmar se há relação com os eventos meteorológicos recentes. Porém, o número de óbitos pode aumentar porque 146 pessoas ainda estão desaparecidas. No levantamento oficial, em todo o estado, há 756 feridos.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Entrega do Imposto de Renda vai até 31 de maio: fique atento ao prazo

     Pixabay


Radiografia da Notícia

* Especialista do Ceub aponta que atrasos podem levar a omissões ou erros na declaração, resultando em pagamento excessivo de impostos

* Ele afirma ser comum os contribuintes encontrarem dificuldades para acessar essas informações referentes ao ano anterior 

* Para utilizar esse recurso, é necessário ter acesso à conta 'Gov.br' nos níveis de acesso ouro ou prata

Redação/Hourpress

O prazo final de entrega do Imposto de Renda 2024 se aproxima, mas muitos contribuintes ainda não enviaram suas declarações e precisam cumprir suas obrigações fiscais dentro da data estipulada, que é 31 de maio. Para auxiliar nesse processo, o consultor empresarial e professor de Ciências Contábeis do Centro Universitário de Brasília (Ceub), Max Bianchi Godoy, compartilha orientações importantes.
 
De acordo com o especialista, um dos principais motivos para atrasos na entrega das declarações é a falta de informações e comprovantes de pagamentos, que podem resultar em alterações ou redução do imposto a ser pago. Ele afirma ser comum os contribuintes encontrarem dificuldades para acessar essas informações referentes ao ano anterior - no caso, 2023 - ou até mesmo se esqueçam dos detalhes de onde e quando essas transações ocorreram. "Essas questões podem levar a omissões ou erros na declaração, resultando em pagamento excessivo de impostos ou reembolsos menores", explicou.
 
Para evitar problemas desse tipo, Bianchi destaca que a Receita Federal disponibiliza o recurso da declaração pré-preenchida, que permite importar dados diretamente para o programa do Imposto de Renda. Essa possibilidade proporciona uma economia de tempo significativa, evitando a buscar e inserção manual de cada informação.
 
Conferir

Para utilizar esse recurso, é necessário ter acesso à conta 'Gov.br' nos níveis de acesso ouro ou prata. “A declaração pré-preenchida permite recuperar automaticamente as informações lançadas por diversas empresas que envolvem o CPF do contribuinte, preenchendo os campos corretos da declaração eletrônica. Vale ressaltar que, mesmo com a declaração preenchida previamente, é responsabilidade do contribuinte conferir as informações e corrigir eventuais erros ou omissões”, alertou o consultor.
 
Para o contribuinte se sentir seguro, o professor do Ceub explica que há uma forma de verificar os dados de transações fiscais relacionadas ao CPF. "Basta acessar o e-CAC (Centro Virtual de Atendimento) por meio da senha do Gov.br. Lá é possível consultar os rendimentos tributáveis, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e outras informações enviadas por empresas. Essa consulta auxilia na assertividade da declaração e evita possíveis problemas”, completou.
 
Independentemente do método escolhido, Max Bianchi destaca que é fundamental verificar e validar os dados inseridos, analisando cuidadosamente as informações fornecidas pelos sistemas. Caso seja identificada alguma divergência ou informação ausente, deve-se fazer os ajustes necessários. O professor também alerta os contribuintes a se prepararem para o próximo ano, guardando os comprovantes de pagamentos e recebimentos conforme forem gerados.
 
A dica de ouro de Bianchi é aproveitar os recursos tecnológicos disponíveis para garantir o cumprimento eficiente e seguro das obrigações fiscais. "Assim, os contribuintes podem agilizar o processo de declaração do Imposto de Renda 2024, garantindo maior assertividade e evitando possíveis problemas com a Receita Federal", finalizou.


Fiat Comunità une esforços para arrecadação de doações para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul

Divulgação


 Radiografia da Notícia

* A Fiat, através da campanha “A Paixão é Solidária”, está se mobilizando em solidariedade à população atingida 

*  A marca está organizando ações de engajamento com sua rede de concessionários e funcionários da Stellantis, grupo do qual faz parte

* A marca ainda usará suas redes sociais, capilaridade de rede e engajamento com seus funcionários para divulgar o canal oficial do Governo do Estado do Rio Grande do Sul para doações (https://sosenchentes.rs.gov.br/sos-rio-grande-do-sul).

Luís Alberto Alves/Hourpress

Como parte do seu compromisso de impactar positivamente toda a comunidade ao seu redor, a Fiat, por meio do projeto Comunità, começa a promover ações para ajudar as pessoas atingidas pelas fortes chuvas que afetam o Rio Grande do Sul. Através da campanha “A Paixão é Solidária”, a marca está organizando ações de engajamento com sua rede de concessionários e funcionários da Stellantis, grupo do qual faz parte, incentivando as pessoas a doarem alimentos e produtos de higiene pessoal e limpeza, que serão destinados aos atingidos pelas enchentes no estado.  

Iniciada na quinta-feira (9), a campanha acontece em quase 300 concessionárias Fiat dos estados de São Paulo (115 lojas), Paraná (37), Rio de Janeiro (35), Minas Gerais (56), Santa Catarina (34), Bahia (28), Pernambuco (17) e Distrito Federal (11), servindo como pontos de coleta para os itens doados. No Rio Grande do Sul também existem 43 concessionárias fora de áreas atingidas que farão parte da ação.  

A marca ainda usará suas redes sociais, capilaridade de rede e engajamento com seus funcionários para divulgar o canal oficial do Governo do Estado do Rio Grande do Sul para doações (https://sosenchentes.rs.gov.br/sos-rio-grande-do-sul). 

Sobre o Fiat Comunità  

O programa Fiat Comunità é uma iniciativa da marca Fiat, que desde 2021 carrega a relevância social em seu DNA, para suporte à comunidade. A iniciativa é constituída por três pilares: Sustentabilidade, Diversidade e Social. São vários projetos e ações que ajudam a promover impactos positivos a toda a população.   

Em 2023, o Fiat Comunità teve outras iniciativas, como A Paixão é Solidária, em que foram doadas 29 toneladas de alimentos, roupas e produtos aos atingidos pelas chuvas do Litoral Norte de São Paulo em fevereiro do ano passado. A campanha também arrecadou em setembro diversos itens, como alimentos e produtos de higiene pessoal e limpeza, para a população gaúcha que foi vítima de um ciclone extratropical que atingiu a região. Além disso, também foi realizada a segunda edição da campanha A Paixão Aquece, que ajudou quase 30 mil pessoas. 

A importância da metodologia STEM aplicada ao ensino público

    EBC


Radiografia da Notícia

* Como também incentiva jovens estudantes a aplicarem seus conhecimentos de forma prática

* Com seu foco na multidisciplinaridade, ela promove o desenvolvimento de habilidades essenciais

* Existe, porém, a necessidade de maior estímulo para que metodologias como esta sejam cada vez mais presentes no ambiente escolar

Anna Karina Pinto

Há tempos se fala sobre abordagem STEM (sigla em inglês para os termos Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), mas a partir de alguns anos é que a ferramenta começou a ganhar cada vez mais destaque como metodologia educacional. Com seu foco na multidisciplinaridade, ela promove o desenvolvimento de habilidades essenciais, como o pensamento crítico, a criatividade e a resolução de problemas. Quando pensamos no ensino público brasileiro, vemos espaço para que a metodologia STEM seja cada vez mais aplicada a projetos dentro e fora da sala de aula. Isso porque ela não apenas traz benefícios para a sociedade – ao estimular a criação de soluções para desafios reais –, como também incentiva jovens estudantes a aplicarem seus conhecimentos de forma prática.


Existe, porém, a necessidade de maior estímulo para que metodologias como esta sejam cada vez mais presentes no ambiente escolar, de modo a aumentar as oportunidades, a nível nacional, para os alunos que desenvolvem projetos com essa abordagem. Programas e iniciativas que abrem oportunidades para que esses alunos desenvolvam projetos com metodologia STEM contribuem para uma maior equidade educacional, além de promoverem a esses alunos a oportunidade de desenvolvimento de suas habilidades técnicas e de sociabilidade, e proporcionar-lhes uma vantagem competitiva no que diz respeito ao desenvolvimento de suas carreiras acadêmicas e profissionais no mercado de trabalho.


A experiência que adquirimos por meio da iniciativa Solve For Tomorrow Brasil, programa global de cidadania corporativa da Samsung, que está presente no país desde 2014, mostra que esse é um movimento promissor. Muitos dos projetos apresentados nas 10 edições do programa foram voltados a temas como sustentabilidade, saúde, educação, segurança pública e construção civil, por exemplo, trazendo resolução a demandas locais como acesso à água e à energia limpa, combate ao desperdício de recursos naturais e gestão de resíduos. Esses protótipos apresentados por alunos inscritos na iniciativa refletem uma gama diversa de soluções que geram maior qualidade de vida às comunidades em que estão inseridos.


Escolas


A Samsung ainda aponta dados interessantes, e que refletem o interesse da comunidade escolar da rede pública em participar dessas iniciativas: em suas 10 edições no Brasil, o Solve For Tomorrow Brasil já envolveu mais de 173 mil estudantes, mais de 36 mil professores, e mais de 6.600 mil escolas públicas. E, em 2023, registrou um aumento de 50,92% no número de alunos inscritos, em comparação ao ano anterior.


Ainda sobre os públicos a serem assistidos no processo de desenvolvimento desses projetos, os professores das instituições públicas são essenciais no que diz respeito ao incentivo para que jovens estudantes tenham interesse pela abordagem STEM, desenvolvendo ideias e colocando-as em prática para além da sala de aula. É importante que esses educadores tenham acesso a conteúdos e materiais que contribuam para sua atuação, de forma que essa e outras ferramentas de ensino alcancem cada vez mais alunos. Foi pensando nisso que foi desenvolvido para toda a América Latina uma plataforma que reúne materiais pedagógicos de referência em educação STEM nos idiomas português, espanhol e inglês.


Em suma, a metodologia STEM é uma ferramenta que desempenha um papel crucial na educação, principalmente no que diz respeito ao ensino público, ao preparar alunos e alunas para um futuro com mais oportunidades, em que seus conhecimentos podem ser aplicados de forma prática e significativa, além de contribuir para o avanço da sociedade inclusive nas regiões mais afastadas do país. Ao investir em iniciativas que promovam a abordagem STEM, estamos depositando esperança no futuro de nossa juventude e no desenvolvimento de uma sociedade cada vez melhor e mais igualitária.
 

*Anna Karina Pinto é diretora de Marketing Corporativo da Samsung Brasil.

Quem são os culpados pelas enchentes no Rio Grande do Sul?

Reuters/EBC


Radiografia da Notícia

 * O Rio Grande do Sul registra 459 mil pontos sem luz

* A capital Porto Alegre só está conectada com o Interior apenas por duas rodovias, ERS-040 e ERS 118

* A enchente começou há pouco mais de uma semana, provocadas pela alta do rio Guaíba

Luís Alberto Alves/Hourpress

 A tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul, até essa quinta-feira (9), registra 107 mortos, 136 desaparecidos e 374 feridos. Aproximadamente 233 mil pessoas estão fora de suas casas. Dos 497 municípios gaúchos, 425 tem algum problema relacionado a forte chuva dos últimos dias que prejudicou 1,476 milhão de pessoas.

 Segundo as Polícia Rodoviária Federal e Estadual do RS, o estado tem 139 trechos de estradas bloqueados parcial ou totalmente. São 54 pontos em rodovias federais e 85 em estaduais. A capital Porto Alegre só está conectada com o Interior apenas por duas rodovias, ERS-040 e ERS 118. As outras quatro não oferecem condições de uso.

 O Rio Grande do Sul registra 459 mil pontos sem luz. Todas as três operadoras de telefonia celular (TIM, Vivo e Claro) enfrentam problemas no fornecimento de serviços de telefonia e internet.

 Tragédia

 A enchente começou há pouco mais de uma semana, provocadas pela alta do rio Guaíba. Logo 425 cidades do Rio Grande do Sul começaram a enfrentar problemas, com a água invadindo casas e estabelecimento comerciais, escolas e hospitais. A fúria das águas, até essa quinta-feira (9) já deixou 107 mortos, 136 desaparecidos e 374 feridos.

 Relatos de moradores descrevem que foi rápida a subida dos níveis de rios impactados pelas cheias do Guaíba. Muitos não tiveram tempo, sequer, de apanhar documentos. Saíram de suas casas apenas com a roupa do corpo. Do contrário poderiam perder a própria vida, se permanecessem no local.

 A meteorologia informou que 400 mm de água caíram sobre o Rio Grande do Sul. Este volume de água era previsto para três meses, mas veio numa semana. Essa quantidade de água equivale a 400 litros de água por metro quadrado. Por causa disto, muitos imóveis se encontram alagados, a maioria até o teto.

 Essa enchente deixou cerca de 233 mil pessoas fora de suas casas. Desse total, 67. 542 em abrigos e 164.583 desalojados (pessoas que se encontram em casas de familiares ou amigos). Igual numa guerra, o RS registra 459 mil pontos sem luz. As três operadoras de telefonia celular (TIM, Vivo e Claro) enfrentam problemas no fornecimento de serviços, inclusive de internet.

 Das seis rodovias que conectam o Rio Grande do Sul para o interior e outros estados, apenas duas oferecem condições de uso. Segundo a Polícia Rodoviária Federal e Estadual, o RS tem 139 trechos de estradas bloqueados parcial ou totalmente, 54 em rodovias federais e 85 em estaduais.

 Motivo

 Com este cenário de guerra, a pergunta de muitos brasileiros é a seguinte: “por que choveu tanto sobre o Rio Grande do Sul, que poucos meses atrás enfrentou terrível seca, qual a razão para tamanha fúria das águas”?  Como pode 400 litros de água por metro quadrado, previstos para cair no formato de chuva num período de três meses, descer do céu numa semana?

 O impacto foi tão forte que aproximadamente 233 mil pessoas estão fora de suas casas. A maioria apenas com a roupa do corpo, muitos perderam documentos e tiveram prejuízos incalculáveis. A malha viária também acabou atingida, dificultado o acesso às áreas atingidas. Inclusive com mantimentos e roupas aos desabrigados.

 Émile Durkheim, sociólogo e psicólogo francês, fundador da sociologia, enfatiza que nenhum problema acontece sem causa. Algo contribuiu para o desfecho desta ocorrência. O meio ambiente foi agredido severamente no Rio Grande do Sul. Parte de sua floresta se transformou em madeira cortada e o solo deu lugar às plantações de soja e arroz.

 O volume de água, acima dos 5 metros, no rio Guaíba, inundando a capital Porto Alegre, assustou. Porém o Guaíba não invadiu as ruas e edifícios daquela cidade. Ele apenas ocupou o espaço, que um dia a especulação imobiliária tomou. No interior do RS diversas cidades foram construídas em áreas de pântano, área alagadiça, que córregos e rios utilizam para despejar o excedente de suas águas.

 Outro grave problema é o número reduzido de área verde na maioria dos imóveis, sejam casas ou edifícios ou mesmo estabelecimentos comerciais. Tudo é cimentado. Quando chove, a água não é absorvida pelo solo e chega rápido às galerias pluviais. Por sua vez entupidas de lixo. Sem espaço, essa água ocupa as ruas e avenidas. O grande culpado pelas enchentes do Rio Grande do Sul é homem. O Guaíba e demais rios e córregos do RS são inocentes.

 Luís Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Cajuísticas.