quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Em toda tragédia as autoridades fazem falsas promessas

 Infelizmente já visualizei este filme acontecer diversas vezes

    EBC

Tragédia de Petrópolis completou um ano e nada mudou para quem não tem onde morar


Luís Alberto Alves/Hourpress

A tragédia provocada pelas chuvas no Litoral Norte revela o quanto é gigantesca as distâncias sociais e econômicas no Brasil. Os milionários fugindo de helicóptero do inferno de lama que virou aquela região. Todos pagando R$ 30 mil para um lugar na aeronave e deixando para trás a ralé, cuja família e amigos acabaram tragados pelas enchentes.

Nesta hora, não aparecem os responsáveis que autorizaram a construção de condomínios de luxo no sopé da Serra. Claro, a corrupção está com os seus dedos na liberação destes processos fraudulentos. A mesma triste história ocorre na Serra da Cantareira, onde parte da Zona Norte de SP já invadiu este local, acompanhado pela cidade de Mairiporã. As casas de luxo receberam sinal verde das autoridades.

Infelizmente já visualizei este filme acontecer diversas vezes. É só pesquisar os locais onde essas tragédias atingiram em cheio a população pobre. Sempre em regiões que ninguém deveria morar. Mas por que se encontram por ali? Quantos centenas de milhares não juntam pedaços de madeira de caixotes e cobertura de lona para chamar de lar? O governo faz de conta que não enxerga.

Paraíso

O Jardim Pantanal na Zona Leste é exemplo disto. Área de várzea, facilmente inundada em qualquer chuva torrencial. O resultado é o mesmo de sempre: moradores perdendo o pouco que conseguiu juntar com o mínimo de dinheiro que conseguem ganhar limpando as casas de bacanas e puxando carroças na busca por produtos recicláveis. Sempre quando ocorre a tragédia, os governos prometem o céu e o paraíso aos desabrigados.

Nos meus 36 anos de jornalismo e 62 anos de vida, já me acostumei com esse drama. De tanta tragédia, nós da imprensa ficamos de couraça dura. Enxergamos, porém não temos mais condições de chorar ou ficar triste. Motivo: a série deste tipo de problema que sempre acontece e tem o pobre como vítima. Ouvimos a conversa fiada de governantes, jogos de futebol beneficentes, shows de artistas com alimentos como ingressos para amenizar o problema. Passou o luto, ninguém resolve o problema até a próxima tragédia.

Alguém sabe como se encontram as vítimas dos deslizamentos de terra em Petrópolis que deixaram vários mortos? E das famílias que perderam a vida em Niterói quando um morro não suportou o volume de água da chuva e veio abaixo, levando o que encontrou pela frente? E do grande número de desabrigados na cidade paulista de Franco da Rocha, inclusive com vários mortos? O governo paulista tomou alguma atitude para resolver esse drama? Agora você entende por que jornalista não confia em autoridade política e em muita gente?

Luís Alberto Alves, jornalista, editor do blogue Cajuísticas


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